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 19/06/2013 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 USA & CANADA 
USA & CANADA / Desconstrução da indicação de John Kerry como secretário de Estado
Date of publication at Tlaxcala: 23/12/2012
Original: Deconstructing Obama’s nomination of Kerry

Desconstrução da indicação de John Kerry como secretário de Estado

MK Bhadrakumar

Translated by  Coletivo de tradutores Vila Vudu

 

Em conversas privadas, os amigos russos volta e meia manifestam ceticismo, sobre as relações EUA-Rússia; para eles, a secretária Hillary Clinton representou sempre mais o governo de Clinton, que o de Obama. Bill Clinton sempre procurou, incansavelmente, arrancar vantagens de uma Rússia fraca, que lutava para sair das ruínas da União Soviética; e, nisso, sempre foi impiedoso.

Políticos chave, como Strobe Talbott e sua bagagem de pensamento da guerra-fria, jamais conseguiu ocultar o tom de triunfalismo; para eles a URSS foi chutada como cachorro morto, para a lata do lixo da história. Hillary Clinton, nessa linha, jamais manifestou qualquer empatia com a Rússia, e, em vários sentidos, retomou a linha do governo Bill Clinton. Gente como Talbott com certeza trabalhou com ela, nos bastidores. 

Mas Obama mais de uma vez deu sinais de que tinha outra percepção sobre a Rússia e os laços que ligam aquele país e os EUA. De fato, voltamos sempre à mesma questão: Obama terá agenda de transformação para a política exterior dos EUA, para seu segundo mandato? As indicações para os postos chaves do novo gabinete podem dar algumas pistas. 

Por isso a indicação do Senador John Kerry
ao posto de secretário de Estado ganha especial interesse. A ‘popularidade’ de Kerry entre os congressistas americanos é vantagem para Obama, se estiver realmente buscando inovar na política exterior. Isso, para começar. 

Em segundo lugar, Kerry é figura bem conhecida na  comunidade internacional. Em terceiro, não é jejuno, no mundo da diplomacia: já presidiu  a comissão de relações exteriores do Senado, e já cumpriu funções diplomáticas, como quando foi várias vezes encarregado de missões para ‘apagar incêndios’ em Kabul e Islamabad, fosse frente ao temperamental Hamid Karzai ou os recalcitrantes generais paquistaneses. 

Mas o aspecto mais importante da indicação de Kerry é que, agora, Obama afinal cobre a ravina que, durante o mandato de Hillary Clinto, separava a Casa Branca e o Departamento de Estado. Kerry é homem que joga para a equipe (aprendeu no Exército); e Clinton, presa de insaciadas ambições presidenciais, trabalhou muito, também, para ela mesma, ao longo dos últimos quatro anos. Obama lhe fará alguns elogios, mas não lamentará a partida de Clinton, com quem não teve relacionamento fácil. 

E que tipo de secretário de Esstado será
Kerry? Claro: é homem cauteloso, do mesmo figurino de Obama. Como explicou em detalhe, em artigo revelador na revista Foreign Policy em setembro (‘R’ for ‘Reckless’), não é homem de deixar ponta sem nó.

Vê, como Obama, que a questão da mudança climática deve ser uma das prioridades da diplomacia dos EUA. Sem dúvida, é dos senadores mais ‘pró-Israel”. Obama, sim, está sinalizando para os israelenses que seu governo continuará a garantir forte apoio à centralidade da parceria EUA-Israel, no centro da estratégia dos EUA para o Oriente Médio. 

Quanto à candente questão iraniana, Kerry tem posição nuançada – oposição veemente a qualquer programa de armas; e, simultaneamente, aversão a qualquer provocação contra os iranianos. Vê os líderes iranianos como seres racionais, com os quais os EUA podem negociar; e considera a opção militar como muito remota, a última a ser considerada.

Kerry tem visão ainda mais nuançada em relação ao relacionamento sino-americano – com inúmeros interesses partilhados e espaço para cooperação e laços comerciais de longo prazo. Interessante: votou contra vincular o comércio com a China e a atuação dos chineses no plano do respeito aos direitos humanos. 

Para Kerry, o melhor que os EUA têm a fazer, ante o desafio da ascensão chinesa, é promover o renascimento econômico nos EUA, sem cnsiderar a opção do confronto militar. Kerry foi citado, ao dizer que “economia não é guerra. Nós [EUA e China] podemos avançar muito mais  do que já avançamos até agora.” 

Em resumo, como David Ignatius escreveu recentemente no Washington Post
, temos em Kerry alguém que “sabe apreciar a importância da diplomacia em calma, sobretudo nos tempos que correm.”

Será emissário no qual Obama poderá confiar para construir uma transição política na Síria, explorando o desmonte do impasse histórico entre EUA e Irã, pondo fim à guerra afegã  (http://articles.latimes.com/print/2012/dec/11/world/la-fg-us-afghan-20121212) e cimentando a confiança mútua entre os EUA e o Paquistão (prerrequisito crucial, para o acordo afegão.) 

Mas não se deve perder de vista que Obama é homem intrigante e complexo, além de político esperto. O alcance total de suas motivações para indicar Kerry só poderá ser avaliado depois que Obama divulgar o nome do secretário da Defesa. Se se confirmar a indicação do senador Chuck Hagel (citado hoje como o preferido na disputa pelo posto), Obama estará enviando mensagem muito significativa, se vier a escolher esses nomes para os dois postos mais importantes do seu segundo mandato, no que tenha a ver com política exterior. 

O que Hagel significa? Basta dizer que se opõe com unhas e dentes a qualquer tipo de ataque militar contra o Irã; que quer os soldados norte-americanos fora do Afeganistão JÁ!; que defende cortes drásticos nos gastos do Pentágono (apesar da Síria, do Irã, da Coreia do Norte, de ‘pivoteamento’ para a Ásia e tudo; que é pacifista, contra todas as guerras e  sempre (http://prestowitz.foreignpolicy.com/posts/2012/12/18/hagel_for_secretary_of_defense ) (como Kerry, também é veterano da guerra do Vietnã); e quer acomodar a emergência de novas potências, como China, Índia e Brasil, com os EUA assumindo a liderança para constituir uma nova ordem mundial baseada na reforma das organizações internacionais.

Em síntese, Hagel simboliza a audácia da esperança que, noutro momento, esteve associada ao próprio Obama (http://www.dailystar.com.lb/Opinion/Columnist/2012/Dec-21/199345-the-debate-over-hagels-selection-misses-the-point.ashx#axzz2FmR9eK00).





Courtesy of Tlaxcala
Source: http://blogs.rediff.com/mkbhadrakumar/2012/12/22/deconstructing-obamas-nomination-of-kerry/
Publication date of original article: 22/12/2012
URL of this page: http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=8855

 

Tags: USAméricaJohn Kerry secretário de EstadoObamaPolítica externaEUAImperialismo usamericano
 

 
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