Como parte do golpe norte-americano, de declarar apoio e reconhecimento[1] à chamada oposição “síria”, os EUA tentaram acrescentar um dos grupos extremistas que integram o conjunto de milícias armadas que operam dentro da Síria, a uma lista de organizações terroristas ‘do mal’[2].
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Moaz al-Khatib com François Hollande
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A ideia era ter um bode expiatório ao qual atribuir as atrocidades, enquanto os EUA continuam a garantir apoio armado, financiado e militarmente organizado pelo ocidente, aos demais grupos extremistas que estão destruindo a Síria.
O golpe não funcionou. O próprio novo líder da oposição ‘síria’ nomeado pelos EUA, Moaz al-Khatib,[3] protestou! A agência Reuteurs registrou as palavras de al-Khatib:[4]
“A decisão de considerar um dos grupos que luta contra o regime como grupo terrorista tem de ser revista. Podemos discordar de alguns grupos nossos aliados, de suas ideias e de sua visão política e ideológica. Mas afirmamos que todas as armas dos rebeldes visam igualmente a derrubar aquele regime criminoso e tirânico.”
O próprio Al-Khatib declara abertamente que seu projeto é estabelecer um “Estado Islâmico”,[5] sobre as cinzas da atual Síria secular; já disse também, sem fazer segredo, que tem laços com a Fraternidade Muçulmana. É representante, também, dos interesses das grandes petroleiras ocidentais, especificamente da Royal Dutch Shell.
Segundo a BBC,[6] Al-Khatib trabalhou por seis anos para a al-Furat Petroleum Company, subsidiária da Shell Oil.[7] Também é conhecido por sua atividade no lobby a favor da Shell na Síria, entre 2003-2004, e deu aulas na Europa e nos EUA, como se lê na biografia publicada em sua própria página na Internet.[8]
Os EUA apoiarem e armarem essa ‘coalizão de oposição’ na Síria implica colaboração e apoio dos EUA também aos terroristas da Frente Jabhat al-Nusra; em outras palavras, os EUA estão fornecendo apoio material e recursos a uma Organização Estrangeira Terrorista (OET), o que é crime, nos termos do [Code of Laws of the United States of America] USC § 2339B, onde se lê:[9]
“Quem deliberadamente forneça apoio material ou recursos a organização estrangeira terrorista, ou tente conspirar para fazer isso, deve ser multada nos termos dessa lei ou sofrerá pena de prisão não superior a 15 anos, ou ambas as penas, e, se da ação resultar morte de alguém, será condenado a prisão perpétua. Para que se dê a violação desse parágrafo, a pessoa tem de saber que a organização foi classificada como organização terrorista (nos termos da subseção g-6; que a organização pratica ou praticou atividade terrorista (nos termos da seção 212(a)(3)(B) da lei Immigration and Nationality Act); ou que a organização praticou ou pratica terrorismo (nos termos da seção 140(d)(2) da lei Foreign Relations Authorization Act, Anos Fiscais 1988 e 1989).”
É perfeitamente claro que, no mínimo, os EUA estão impedidos, por lei, de ‘reconhecer’ esse grupo como ‘representante’ do povo sírio; e que tampouco podem apoiá-los, seja pelo meio que for, financeiro, militar ou político.
O apoio que os EUA estão dando àqueles grupos é prova de que o governo dos EUA viola suas próprias leis antiterror.
A chamada oposição ‘síria’ tem sido problema cada dia maior para os próprios interesses ocidentais que arregimentaram aqueles grupos, contra o desejo do povo sírio, processo que se iniciou nos idos de 2007.[10]
Assim, agora, ao mesmo tempo em que a OTAN serve-se ilimitadamente das redes regionais da Al-Qaeda para infiltrar milhares de terroristas na Síria,[11] o grupo ocidental já vê os próprios líderes da oposição que o próprio ocidente impôs na Síria... a exigir, abertamente que o ocidente apoie e financie a Al Qaeda.
Afinal a opinião pública mundial começa a conseguir ver em profundidade a ilegitimidade da dita “mudança de regime” que o ocidente tenta forçar na Síria