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 23/05/2013 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 ASIA & OCEANIA 
ASIA & OCEANIA / A política dos ataques dos drones no Paquistão
Date of publication at Tlaxcala: 11/09/2012
Original: Politics Of Drone Attacks

A política dos ataques dos drones no Paquistão

Nasir Naveed ناصر نوید

Translated by  Coletivo de tradutores Vila Vudu

 

Os drones, tecnicamente “Veículos Aéreos Não Tripulados” [ing. Unmanned Aerial Vehicle, UAV]), ou “aviões-robôs”, são veículos aéreos sem piloto a bordo. São armas voadoras controladas por computadores instalados no próprio avião-robô, ou disparadas à distância, por controle remoto ou por um atirador em terra ou a bordo de outro veículo aéreo ou terrestre.

Desde 2004, o governo dos EUA tem feito centenas de ataques contra alvos no noroeste do Paquistão usando como armas os drones controlados pela Divisão de Atividades Especiais da CIA. Esses ataques são parte da campanha de “Guerra ao Terror” movida pelos EUA, que tentam derrotar militantes dos Talibã e da Al-Qaeda no Paquistão. A maioria dos ataques visam alvos nas Áreas Tribais sob Administração Federal do Paquistão [orig. Federally Administered Tribal Areas, FATA], ao longo da fronteira com o Afeganistão, no noroeste do Paquistão. O número de ataques com drones aumentou substancialmente no governo do presidente Barack Obama.

Pesquisa feita pelo Gabinete de Jornalismo Investigativo [orig. Bureau of Investigative Journalism] mostra que há registro de um total de 336 ataques com drones contra áreas no Paquistão; apenas 52 desses ataques aconteceram durante o governo Bush; os demais 284 ataques com drones são ações ordenadas pelo governo do presidente Obama.

Os drones são armas perigosas, que não poupam e civis e que, até agora, já mataram cerca de 175 crianças. Estudo realizado pela New America Foundation demarcou 2010 como “O ano dos drones”: só nesse ano, houve 114 ataques em território paquistanês.

Na medida em que se pode considerar o drone como arma ‘de precisão’ e se deduzem os alvos a partir dos mortos em terra, sabe-se que, no governo Bush, 25% dos ataques com drones visaram membros da al-Qaeda; contra Talibãs, foram 40%. No governo Obama, só 8% dos ataques com drones visaram a al-Qaeda; mais de 50% dos ataques visaram alvos Talibã. O número de mortos em ataques com drones no governo Obama é cerca de 400% superior aos mortos pelo governo Bush.

Para os altos oficiais da cúpula militar dos EUA, os drones são armas muito eficazes; e os ataques, “muito bem-sucedidos”. Na versão dos militares dos EUA, a liderança da al-Qaeda teria sido “dizimada” por “ação dos drones”. Os EUA defendem o uso dos aviões-robô como arma por razões de autodefesa.


Carlos Latuff 

Um ex-funcionário de alto escalão da CIA disse que a CIA conta com sistema de alta precisão para definir os alvos dos drones, e que seria possível definir individualmente quem matar usando, como arma, um avião-robô pilotado com um joystick. Disse também que o processo, conduzido pelo centro de contraterrorismo da CIA, envolve mais de 10 níveis de decisão, cada um dos quais elabora relatórios com justificativas detalhadas para cada caso de alvo individual definido para morrer.

Relatórios militares dos EUA também têm afirmado que a al-Qaeda estaria sendo lenta mas sistematicamente destruída por efeito dos ataques com drones; e que esses ataques seriam importantes também para semear a incerteza e a discórdia entre as fileiras dos militantes da al-Qaeda. Dizem ainda que os drones “confundem” os Talibã, que passam a suspeitar uns dos outros. Segundo pesquisa norte-americna, 83% dos cidadãos norte-americanos apoiam os ataques com drones.

O Paquistão, por sua vez, opõe-se absolutamente ao uso desse tipo de arma. Já várias vezes o governo paquistanês protestou contra ataques com drones em seu território, que são agressão à soberania do Paquistão e sempre resultam em grande número de civis mortos, entre os quais mulheres e crianças – o que enfurece a população e o governo do Paquistão.

Em dezembro de 2010, o chefe da agência da CIA em Islamabad, que operava clandestinamente no país sob o pseudônimo de Jonathan Banks, teve de ser evacuado às pressas, para fugir de um processo legal que certamente resultaria em condenação à pena de morte. Familiares de vítimas de ataques com drones processaram a CIA, acusaram diretamente Banks como responsável pelas mortes, ele recebeu ameaças de morte, e um jornalista paquistanês, cujos irmão e filho morreram num ataque com drones, anunciou que processaria Banks pessoalmente por duplo assassinato.

Em resolução conjunta, o Parlamento Paquistanês já exigiu o fim dos ataques com drones em território do Paquistão, até agora sem qualquer efeito. Esperava-se que, depois de o Paquistão ter autorizado a reabertura da rota de suprimento para as forças da OTAN que permanecem no Afeganistão, os ataques com drones seriam afinal suspensos. Mas mês passado, em agosto de  2012, houve, já investigados e definidos, até agora, cinco ataques com drones em território do Paquistão.

Para os EUA, os aviões-robôs são arma eficaz na guerra contra o terrorismo. Para o Paquistão, são ameaça à segurança dos paquistaneses, além de serem violações repetidas da legislação internacional e da soberania do Paquistão.

 





Courtesy of Tlaxcala
Source: http://tinyurl.com/czjqd4t
Publication date of original article: 07/09/2012
URL of this page: http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=8188

 

Tags: Paquistão EUAdronesCIA
 

 
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