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 20/05/2013 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 EDITORIALS & OP-EDS 
EDITORIALS & OP-EDS / Em solidariedade com o povo grego, contra a dívida ilegítima e as medidas de austeridade, mobilizemo-nos!
Date of publication at Tlaxcala: 08/06/2012
Original: En solidarité avec le peuple grec, contre la dette illégitime et les plans d’austérité, mobilisons !
Translations available: English  Ελληνικά  Italiano  Español  Deutsch 

Em solidariedade com o povo grego, contra a dívida ilegítima e as medidas de austeridade, mobilizemo-nos!

ICAN-International Citizen debt Audit Network/Réseau international des collectifs pour l’audit citoyen/Διεθνές Δίκτυο Λογιστικού Ελέγχου των Πολιτών

 

Por acções conjuntas por altura das eleições gregas, e por uma grande mobilização Euro-mediterrânica no Outono de 2012!

 

A resposta à crise financeira e económica é a mesma em toda a parte: cortes na despesa e medidas de austeridade, com o pretexto de reduzir o défice e pagar uma dívida pública que é consequência directa de vinte anos de políticas neoliberais. Os governos, ao serviço da finança e do grande capital europeu, estão, na verdade, a usar esta desculpa para reduzir ainda mais as despesas sociais, diminuir os salários e pensões, privatizar os cuidados de saúde, destruir as conquistas sociais, desregular a legislação laboral e aumentar os impostos à maioria dos cidadãos, enquanto que, por outro lado, são concedidos benefícios sociais e fiscais às grandes empresas e às famílias mais ricas.
 
Medidas violentas contra as populações, semelhantes às testadas no laboratório social grego, nos últimos dois anos, estão já a ser implementadas em Portugal, na Irlanda, em Espanha, em Itália e nos países do Leste da Europa. A Letónia, a Roménia, a Hungria e a Bulgária inauguraram, entretanto, a mesma litania triste de medidas de austeridade, com cortes fiscais drásticos (diminuição significativa de salários, encerramento de escolas e hospitais, liquidação parcial ou total de prestações sociais, aumento do IVA…). Todos os povos europeus estão sob ameaça. Por todo o lado, há empresas a fechar e surgem desertos industriais, tudo em nome do sacrossanto lucro imediato. Por todo o lado, aumentam as desigualdades sociais. A dívida pública cresce e muitos países entram em recessão económica. Esta orientação política, que provoca o aumento do desemprego e da pobreza, deve ser rejeitada radicalmente.

Por fim, enquanto governos de tecnocratas são investidos pelos credores, ignorando o sufrágio universal, as regras democráticas mais básicas são violadas. Os novos tratados europeus (Mecanismo de Estabilização Financeira e Tratado de Estabilidade, Coordenação e Governação na União Económica e Monetária) são adoptados, em detrimento da democracia, em benefício dos mercados financeiros e nas costas dos cidadãos. Estes tratados concedem imunidade aos altos funcionários públicos, permitem a colaboração próxima entre o sector privado e o FMI, impõem um tecto aos défices e dão prioridade ao pagamento da dívida, sejam quais forem as consequências.

Confrontados com tamanho ataque coordenado, às nossas conquistas sociais, a resistência está a organizar-se entre os povos euro-mediterrânicos. Há greves gerais nacionais e os movimentos de "indignados" estão cada vez mais activos. Na Islândia, o povo recusou-se a pagar a dívida do Icesave ao Reino Unido e à Holanda, mostrando que outro caminho é possível. Na Europa, tal como no Egipto e na Tunísia, iniciativas por uma auditoria cidadã à dívida investigam no sentido de determinar qual a parte da dívida pública que é ilegal, ilegítima, odiosa ou insustentável e deve, por essa razão, ser repudiada.

Pagar aos credores é roubar o que pertence, por direito, às populações e os pagamentos continuarão a ser a causa do encerramento de escolas e hospitais, cortes nas pensões, etc, A resistência grega está activa, há dois anos, e os recentes resultados eleitorais, na Grécia, demonstram uma forte rejeição das actuais políticas neoliberais. Expressamos, por esse motivo, o nosso firme apoio à recusa de toda e qualquer negociação com a Troika, dos memorandos e das condições desonestas impostas pelos credores, tal como foi manifestado pelo povo grego nas eleições de 6 de Maio de 2012.

No entanto, o rolo compressor neoliberal ainda não foi parado e vai sendo, mais do que tempo, de as populações e as organizações se mobilizarem a uma escala mais significativa.
 

Em conjunto com outras redes europeias e internacionais, como por exemplo a Joint Social Conference, a Rede Internacional de Auditorias Cidadãs (International Citizen Debt Audit Network - ICAN) apela a uma mobilização unitária de todos os movimentos sociais e tendências, sem excepção, incluindo sindicatos, movimentos de indignados e Occupy, movimentos feministas, associações altermundialistas, ONG, organizações políticas, personalidades políticas, cidadãos, intelectuais e artistas.

Conscientes da necessidade de convergência em todas as grandes mobilizações, apelamos a uma grande mobilização euro-mediterrânica no Outono de 2012, coordenando, a nível internacional, a solidariedade com o povo grego, contra a dívida ilegítima, ilegal, odiosa ou simplesmente insustentável e contra as medidas de austeridade, sendo organizada por ocasião da tradicional semana de acção global contra a dívida e as instituições financeiras internacionais, que, este ano, coincide com o 25.º aniversário da morte de Thomas Sankara.

No mesmo espírito, apelamos, em concertação com os grupos locais de auditoria, em todos os países europeus à criação ou reforço de comités unitários de base de acção e de luta contra os ataques da União Europeia e em solidariedade com o povo grego e todos os povos oprimidos.

Juntos, conseguimos!

Por favor, envie a sua assinatura para: debtauditineuromed[at]gmail[dot]com
 
NB: para uma melhor coordenação, a International Citizen Debt Audit Network (ICAN) irá disponibilizar mais informação em cada um dos países onde está presente:

 





Courtesy of CADTM
Source: http://www.cadtm.org/Pour-des-actions-coordonnees
Publication date of original article: 04/06/2012
URL of this page: http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=7475

 

Tags: AnticapitalismoDívida odiosaauditoria cidadã à dívidaGrécia Europa União EuropeiaTunísia Egito Bankstersrevoltas lógicas
 

 
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