TLAXCALA تلاكسكالا Τλαξκάλα Тлакскала la red internacional de traductores por la diversidad lingüística le réseau international des traducteurs pour la diversité linguistique the international network of translators for linguistic diversity الشبكة العالمية للمترجمين من اجل التنويع اللغوي das internationale Übersetzernetzwerk für sprachliche Vielfalt a rede internacional de tradutores pela diversidade linguística la rete internazionale di traduttori per la diversità linguistica la xarxa internacional dels traductors per a la diversitat lingüística översättarnas internationella nätverk för språklig mångfald شبکه بین المللی مترجمین خواهان حفظ تنوع گویش το διεθνής δίκτυο των μεταφραστών για τη γλωσσική ποικιλία международная сеть переводчиков языкового разнообразия Aẓeḍḍa n yemsuqqlen i lmend n uṭṭuqqet n yilsawen dilsel çeşitlilik için uluslararası çevirmen ağı la internacia reto de tradukistoj por la lingva diverso

 24/05/2013 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 UMMA 
UMMA / Quem matou Burhanuddin Rabbani?
Date of publication at Tlaxcala: 28/09/2011
Original: Afghanistan: Who killed Burhanuddin Rabbani?

Quem matou Burhanuddin Rabbani?

MK Bhadrakumar

Translated by  Coletivo de tradutores Vila Vudu

 

A declaração dos Talibã, negando envolvimento na morte de Burhanuddin Rabbani, presidente do Alto Conselho Afegão para a Paz, aparece no terceiro dia depois do acontecido. Evidentemente, a Shura de Quetta [conselho de direcção dos Talibã, N. de Tlaxcala] precisou verificar atentamente todas as várias facções Talibã, antes de manifestar-se. Os Talibã, dessa vez, demoraram a pronunciar-se. Normalmente, são os primeiros a falar, quando se declaram responsáveis por algum feito. Dessa vez, nada. Até que falaram e negaram qualquer participação no atentado.

Burhanuddin Rabbani (Badakhshan, 1940) foi um político afegão, presidente do país durante dois períodos. Foi o líder do partido político afegão Jamiat-e-Islami (Sociedade Islâmica do Afeganistão), e serviu como o chefe político da Aliança do Norte, uma associação de grupos políticos que lutaram contra o governo Talibã no Afeganistão. Entre 1992 e 1996, Rabbani foi presidente do Afeganistão, até que foi forçado a fugir de Cabul, quando os talibãs tomaram a cidade. Seu governo foi reconhecido como legítimo por muitos países e pelas Nações Unidas.
Foi assassinado na explosão de um carro-bomba em Cabul no dia 20 de setembro de 2011, enquanto negociava um acordo de paz com o Talibã.
Antes de morrer, Rabbani era o líder da Frente Nacional do Afeganistão, conhecido na mídia como a Frente Nacional, o maior grupo de oposição no governo de Hamid Karzai. (Nota de Tlaxcala)

Editorial do Guardian chama a atenção para um ponto importante: “O escalpo de Rabbani teria alta cotação na lista de alvos dos Talibã, que se têm aplicado em matar altos funcionários e líderes afegãos, não fosse o fato de Rabbani ser presidente do Alto Conselho Afegão para a Paz. Detoná-lo seria como detonar as próprias conversações de paz, e não há qualquer sugestão de que os Talibãs tenham algum interesse em pôr fim àquelas negociações”.[1]

De fato, a mensagem do Supremo Talibã, Mulá Omar, em discurso na cerimônia do fim do Ramadã, foi amplamente interpretada como mudança de posição: disse que o futuro da resistência pode estar na política [2].

Comentário de Ahmed Rashid
.  Outro comentário, da Radio Free Europa mantida pelos EUA / Radio Liberty, que praticamente repete os argumentos de Rashid.

Surgiram várias teorias sobre quem matou Rabbani, que só fizeram aumentar a confusão, e a notícia boa é que a agulha da suspeita move-se, dia a dia, cada vez para mais longe dos Talibã. Mas fato é que alguém ordenou a morte de Rabbani. Quem?

Continuem cavando sempre mais fundo, e não se deixem confundir pelo bater dos tambores dos EUA nem pelo agitar de sabres norte-americanos contra o Paquistão.

A declaração do primeiro-ministro da Índia Manmohan Singh diz muito. Recusou-se a antecipar qualquer julgamento sobre quais mãos estariam vermelhas do sangue de Rabbani. Eis um trecho do que escreveu a Karzai:

Fui informado, com grande choque e profunda tristeza, da morte trágica do professor Burhanuddin Rabbani. É ato de terrorismo sem sentido, que o governo e o povo da Índia condenam. Lembro com afeto meus dois encontros com o professor Rabbani em Kabul em maio de 2011 e em New Delhi em julho de 2011, nos quais o professor partilhou comigo sua visão de paz e reconciliação no Afeganistão. A melhor homenagem que o povo do Afeganistão lhe pode prestar é prosseguir na tarefa que ele iniciou – garantir futuro de paz e segurança aos afegãos. Peço-lhe que aceite minhas profundas condolências nessa perda trágica. Quero assegurar a Vossa Excelência que a Índia permanece ao seu lado e ao lado do povo afegão, nessa hora de tristeza.

É possível que o primeiro-ministro indiano colha informações do presidente Mahmoud Ahmedinejad, quando se encontrarem em New York essa semana. Teerã está sempre muito bem informada sobre o que se faça em nome da guerra ao terror no Afeganistão. Além disso, Teerã foi a última parada de Rabbani, de onde saiu para passar alguns dias com membros de sua família que vivem em Sharjah.

Quer dizer, até ser chamado para voltar imediatamente a Kabul, por mensagem que recebeu como se tivesse sido enviada das embaixadas dos EUA e Grã-Bretanha, entregue a ele por um oficial afegão. A mensagem falava de evento de extrema importância que requeria sua volta imediata a Kabul. Infelizmente, a mensagem lhe pareceu autêntica, e ele voltou.

Os iranianos saberão o que passava pela cabeça de Rabbani, enquanto se encaminhava para a morte. Quase com certeza, Rabbani esteve, em Teerã, com o embaixador Mohsen Pak-Ayeen e conversaram. Essa é uma das razões pelas quais me chamou a atenção o que disse o embaixador Pak-Ayeen.

A segunda razão é que PakAyeen foi meu colega, embaixador do Irã, quando fui embaixador da Índia, em Tashkent. Eram os dias tumultuosos da Aliança da Norte e da resistência anti-Talibã. O embaixador Pak-Ayeen e eu nos tornamos amigos – e, ah, não sei se haverá outro diplomata em toda a nossa região que conheça o Afeganistão como ele, como a palma da mão. Sim, sim, de Afeganistão ele entende. Eis o que Pak-Ayeen disse sobre a morte de Rabbani:

Funcionário do serviço diplomático do Irã acusa a OTAN, no assassinato de Rabbani

Teerã (FNA) – Veterano funcionário do Ministério de Relações Exteriores do Irã acusou as forças da OTAN comandadas pelos EUA no Afeganistão pelo assassinato, ontem à noite, do ex-presidente afegão Burhanudin Rabbani.

Em entrevista à FNA em Teerã, na 4ª-feira, o chefe do serviço para o Afeganistão do Ministério das Relações Exteriores do Irã Mohsen Pak-Ayeen manifestou profunda lástima pelo covarde assassinato do ex-presidente do Afeganistão; descreveu Rabbani como Mujahid (combatente de Deus) do clericato, que lutou contra as políticas colonialistas da Inglaterra e da ex-União Soviética.

Lembrou que Rabbani também se opunha firmemente ao pacto de segurança entre Kabul e Washington sobre o estabelecimento de bases norte-americanas permanentes no Afeganistão.

“Foi assassinado para afastar um Mujahid que lutou durante anos pela independência do Afeganistão. Seu assassinato é mais um, numa cadeia de ataques terroristas que levou à morte de Davoud Zee e Ahmad Karzai” – disse o diplomata.

Disse que o ataque terrorista que matou Rabbani visou a pressionar Karzai para que concorde com exigências que só interessam aos assassinos.

“À frente, na lista desses interessados, estão estados membros da OTAN e os EUA. São responsáveis por esse ato terrorista. Invadiram o Afeganistão sob a desculpa de criar segurança e combater o terrorismo, há dez anos. E não conseguiram restaurar a segurança no Afeganistão.”

“Países estrangeiros, comandados pelos EUA, querem obter à força uma implantação militar permanente no Afeganistão e matam qualquer um que se oponha a essa presença permanente. Mataram o mártir Rabbani” – repetiu Pak-Ayeen.

Rabbani foi morto num atentado terrorista na 3ª-feira à noite, por uma bomba escondida num turbante.

Era, atualmente, presidente do Alto Conselho Afegão para a paz, formado de atuais e ex líderes políticos e personalidades nacionais. Foi presidente do Afeganistão de 1992 a 1996, quando o país enfrentou brutal guerra civil. Foi derrubado da presidência quando os Talibã assumiram o poder, em 1996.

Fonte: Fars News Agency, 21/9/2011


 

[1] Guardian, UK, 22/9/2011

[2] Ver 31/8/2011, Mulá Mohammad Omar, dos Talibã: “Mensagem do fim do Ramadã, 2011

 





Courtesy of Tlaxcala
Source: http://blogs.rediff.com/mkbhadrakumar/2011/09/23/who-killed-burhanuddin-rabbani/
Publication date of original article: 23/09/2011
URL of this page: http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=5926

 

Tags: AfeganistãoBurhanuddin RabbaniTalibã Hamid Karzai Índia Irã
 

 
Print this page
Print this page
  Send this page
Send this page


 All Tlaxcala pages are protected under Copyleft.