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 23/04/2021 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 UNIVERSAL ISSUES 
UNIVERSAL ISSUES / Xi prega o Sermão Multilateral em Davos
Date of publication at Tlaxcala: 30/01/2021
Original: Xi reads multilateral riot act to virtual Davos
Translations available: Français 

Xi prega o Sermão Multilateral em Davos

Pepe Escobar Пепе Эскобар پپه اِسکوبار

Translated by  Patricia Zimbres

 

Em vez de trivialidades sobre a Reinicialização, a fala de Xi Jinping na Agenda de Davos foi um exemplo estarrecedor de realpolitik

A Agenda de Davos, em sua versão virtual, finalmente começou, indo de segunda a sexta desta semana, promovida pelo Fórum Econômico Mundial (WEF, em inglês).

Não, não se trata do Great Reset, a Grande Reinicialização. Pelo menos ainda não. A Agenda é o  aperitivo que levará à apoteose do Great Reset, na Reunião Anual Especial do WEF, que terá lugar nesta próxima primavera, em Cingapura.

O tema da Agenda para 2021 é "Um Ano Crucial para a Reconstrução da Confiança". Ooops! Davos, temos um problema: a confiança é sempre merecida, nunca construída.

A confiança, seja como for, na língua de Davos, tem sempre que levar a - o que mais seria? - o Great Reset, apresentado aqui em um clipe pronto para o Tik Tok, recheado de slogans daqueles que pegam fácil, como "um novo painel de instrumentos para a nova economia", ou "pessoas certas, lugar certo, hora certa".

O ponto-chave da mensagem é "sintonize, ligue e envolva-se", copiando desavergonhadamente Timothy Leary, da década de 60, mas deixando de fora o "cai fora".

Obviamente, nem passou pela cabeça dos produtores do clipe que sua obra-prima de Relações Públicas, indiretamente, admite eleições fraudadas e censura generalizada na mídia social.

Deve ter sido muito difícil para a blitz de RP da Agenda ignorar a percepção generalizada de que o que está em questão é a desigualdade de riqueza global, fazendo o Homem - e a Mulher - de Davos perderem o sono e, ao mesmo tempo, serem entusiasticamente aplaudidos por um bando de literati glamurosos e sociopáticos.

Adiante com as sessões.

Aqui está seu novo contrato social 

Em um dos dias, um "Painel de Liderança" examinou o tema de como restaurar o crescimento, aconselhando o público e os setores privados sobre como construir uma "nova agenda econômica". Trivialidades soporíficas foram a norma.

As sessões da Agenda do WEF não são de modo algum capazes de tratar do imperativo férreo: a implosão da velha ordem econômica disfarçada sob uma camuflagem Verde, conduzida por auto-designados sábios sub-platônicos pertencentes às classes mais ricas do mundo só irá beneficiar a esse 0,0001%.

A Grande Reinicialização não é um movimento orgânico partindo das bases, coordenado e beneficiando os mais de 99%. Ela, inevitavelmente, irá levar ao tecno-feudalismo, como já afirmei anteriormente. Herr Schwab, o Oráculo Supremo de Ravensburg e Davos, insiste em seus escritos que "vocês não terão nada".

Um gráfico do WEF - Os Dez Riscos Mais Prováveis para o Mundo - deve, na verdade ser interpretado como uma colocação dos alvos supremos da Grande Reinicialização. Não se trata de advertências, e sim de um mapa em direção ao futuro.

Uma sessão sobre o avanço do novo contrato social fundiu-se perfeitamente à discussão sobre o "capitalismo das partes interessadas (stakeholder capitalism)". Temos aqui um espertíssimo marketing de relações públicas - do que mais poderia ser? - do novo livro de Herr Schwab: Stakeholder Capitalism, que propõe uma economia global "mais sustentável, resiliente e inclusiva", e defende - o que mais poderia ser? - "um contrato social claramente definido", que permita que "governos, empresas e indivíduos produzam os melhores resultados".
É assim que funciona. Não se merece a confiança, reconstrói-se a confiança (itálicos meus). Essa confiança se metastatiza no contrato social - que é absolutamente necessário para Grande Reinicialização. Vender esse novo contrato social é uma questão de reformular a imagem do turbo capitalismo global, apresentando-o agora como "capitalismo stakeholder", ou capitalismo com uma face humana.

Nem um pio sobre a Grande Reinicialização como um mecanismo de expansão irrefreada do poderio mega-corporativo, protegendo/servindo o 0,0001% que não sofrem nem jamais sofrerão com a Grande Depressão.

Trocando em miúdos, esse é também um dos principais temas da Quarta Revolução Industrial: consolidar, esmagar e tanger as massas trabalhadoras para a instável economia dos bicos, comandada por líderes dotados de "inteligência emocional".

O The Who acertou na mosca meio século atrás: apresentamos o novo patrão, igualzinho ao antigo patrão.

Uma estarrecedora realpolitik

Ainda não está claro qual será a contraproposta da China, da Rússia e do Irã - os verdadeiros Três Soberanos neste Bravo Mundo Novo, e também os principais nós da integração progressiva da Eurásia, quando confrontados com a Grande Reinicialização.

Nesta mistura tóxica, entra em cena ninguém menos que o Presidente Xi Jin Ping, o líder do país em vias de se tornar a superpotência global. Em vez de trivialidades sobre a Reinicialização, sua fala na Agenda de Davos foi um exemplo estarrecedor de realpolitik.

Xi enfatizou que "construir pequenos círculos ou começar uma nova Guerra Fria, rejeitar, ameaçar ou intimidar outros, impor voluntaristicamente o desacoplamento, perturbações no fornecimento ou sanções, e criar isolamento ou desavenças servirá apenas para levar o mundo a uma situação de divisão e até mesmo de confrontação (...) Não poderemos enfrentar ameaças em comum em um mundo dividido, e a confrontação nos levará a um beco sem saída".

Seria possível interpretar a fala de Xi como alinhada à de Herr Schwab. Não é bem assim. Xi ressaltou que as soluções para nossos problemas atuais tem que ser multilaterais, mas que o mais importante é como implementar geopoliticamnte essas soluções.

Ainda não está claro como o novo regime dos Estados Unidos - os imperialistas humanitários, os oligarcas democráticos, a Big Tech, a Big Pharma, a Big Media - irão reagir à conclamação de Xi: "A abordagem equivocada do antagonismo e da confrontação, seja na forma da Guerra Fria, da guerra quente, da guerra comercial ou da guerra tecnológica, acabaria por prejudicar os interesses de todos os países (...) A diferença, em si, não é causa para alarme. O que é alarmante é a arrogância, o preconceito e o ódio".

Xi ressaltou uma definição precisa de multilateralismo como sendo: "ter as questões internacionais resolvidas por meio de consultas, e o futuro do mundo decidido conjuntamente por todos (...) Empobrecer o vizinho, agir com autossuficiência e descambar para o isolamento arrogante sempre levará ao fracasso".

O que Xi, mais uma vez, deixou meridianamente claro foi o agudo contraste entre a relativa serenidade e estabilidade asiáticas e o caos vulcânico que vem engolfando os maiores centros de poder do Ocidente. Verificar como isso se entrelaça - em termos de realpolitik - com o Bravo Mundo Novo de Herr Schwab será um trabalho para o futuro. No momento, Xi acabou de pregar o Sermão Multilateral em Davos. O Sul Global inteiro está prestando atenção.

Que a tocha do multilateralismo ilumine sempre o caminho da humanidade

(Tradução de trabalho não oficial)


Professor Klaus Schwab,
Senhoras e senhores,
Amigos,

O ano que passou foi marcado pela súbita investida da pandemia da COVID-19. A saúde pública global enfrentou grave ameaça e a economia mundial foi atolada em profunda recessão. A humanidade viu-se diante de múltiplas crises raramente vistas na história da humanidade.

O ano passado também testemunhou a enorme determinação e coragem das pessoas ao redor do mundo, para combater o coronavírus mortal. Guiado pela ciência, pela razão e por um espírito humanitário, o mundo obteve progresso inicial na luta contra a COVID-19. Dito isto, a pandemia está longe de ter terminado. O recente ressurgimento de casos da COVID nos lembra que devemos continuar a luta. No entanto, continuamos convencidos de que o inverno não pode deter a chegada da primavera e que a escuridão nunca derruba a luz do amanhecer. Não há dúvida de que a humanidade prevalecerá sobre o vírus e emergirá deste desastre, ainda mais forte.

Senhoras e senhores,
Amigos,

A história está avançando e o mundo não voltará a ser o que foi. Cada escolha e movimento que fizermos hoje moldará o mundo do futuro. É importante que abordemos adequadamente as quatro principais tarefas que todos enfrentamos nesse nosso tempo.

A primeira das nossas tarefas é intensificar a coordenação da política macroeconômica e promover conjuntamente crescimento forte, sustentável, equilibrado e inclusivo, da economia mundial.

Estamos passando pela pior recessão desde o final da Segunda Guerra Mundial. Pela primeira vez na história, as economias de todas as regiões foram duramente atingidas ao mesmo tempo, com as cadeias industriais e de abastecimento globais obstruídas, e o comércio e os investimentos, em baixa. Apesar dos trilhões de dólares em pacotes de ajuda em todo o mundo, a recuperação global é bastante instável, e as perspectivas permanecem incertas. Precisamos nos concentrar nas prioridades atuais, e garantir o equilíbrio entre a resposta à COVID e o desenvolvimento econômico. A política de apoio macroeconômico deve ser intensificada, para tirar a economia mundial, o mais cedo possível, das cercas em que se enredou. Mais importante ainda, precisamos olhar além do horizonte e fortalecer nossa vontade e nossa determinação na direção da mudança. Precisamos mudar as forças motrizes e os modelos de crescimento da economia global e melhorar essas estruturas, de modo a dar rumo ao desenvolvimento a longo prazo, sólido e estável, da economia mundial.

A segunda das nossas tarefas é abandonar o preconceito ideológico e seguirmos juntos um caminho de coexistência pacífica, de benefício mútuo e de cooperação ganha-ganha.

Não há duas folhas idênticas no mundo, e nem há histórias, culturas ou sistemas sociais iguais. Cada país é único com sua própria história, cultura e sistema social. E não há país, história ou cultura superior aos demais. Os melhores critérios a observar é aferir se a história, a cultura e o sistema social de um país encaixam-se em sua situação particular, se desfrutam do apoio das pessoas, se servem para proporcionar estabilidade política, progresso social e vida melhor, e se contribuem para o progresso humano. As diferentes histórias, culturas e sistemas sociais são tão antigas quanto as sociedades humanas, e todas têm as características inerentes à civilização humana. Não haverá civilização humana sem diversidade, e tal diversidade continuará a existir por tanto tempo quanto se possa imaginar.

Nenhuma diferença, considerada em si, é motivo de alarme. O que faz soar os alarmes é arrogância, o preconceito, o ódio; e a tentativa de impor hierarquia à civilização humana ou quem tente impor a própria história, cultura e sistema social a outros.

A escolha certa é que os países busquem a coexistência pacífica baseada no respeito mútuo e na expansão de pontos em comum, ao mesmo tempo em que arquivem as diferenças, e que promovam o intercâmbio e o aprendizado mútuo. Essa é a via para acrescentar ímpeto ao progresso da civilização humana.

A terceira tarefa à nossa espera é pôr fim à divisão entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. E, em conjunto, trazer crescimento e prosperidade para todos.

Hoje, a desigualdade continua a crescer, o fosso Norte-Sul permanece, ainda não foi superado; e o desenvolvimento sustentável enfrenta sérios desafios. Com todos os países lutando lutam contra a pandemia, os respectivos processos de recuperação econômica seguem trajetórias divergentes. E a fenda que separa Norte e Sul corre o risco de aumentar e, mesmo, de se perpetuar.

Países em desenvolvimento aspiram sempre a mais recursos e mais espaço para se desenvolver, e pedem representação e voz mais fortes na governança econômica global.

Temos de reconhecer que, com o crescimento dos países em desenvolvimento, a prosperidade e a estabilidade global serão afinal postas em base mais sólida, e os países desenvolvidos poderão beneficiar-se também desse crescimento.

A comunidade internacional deve manter seus olhos no longo prazo, honrar seu compromisso com o futuro garantir o apoio necessário aos países em desenvolvimento, salvaguardando os legítimos interesses de desenvolvimento de todos.

A igualdade de direitos, igualdade de oportunidades, e regras iguais, devem ser reforçadas, para que todos os países se beneficiem das oportunidades e frutos do desenvolvimento.

A quarta tarefa que nos espera é nos unir contra os desafios globais e, em conjunto, criar um futuro melhor para a humanidade.

Na era da globalização econômica, emergências de saúde pública como a COVID-19 podem sempre se repetir, e a governança global da saúde pública precisa ser aprimorada.

A Terra é nossa casa, nossa casa comum. Ampliar os esforços para enfrentar as mudanças climáticas e promover o desenvolvimento sustentável tem a ver com o futuro da humanidade. Nenhum problema global pode ser resolvido só por um país. Deve haver ação global, resposta global e cooperação global.

Senhoras e Senhores,
Amigos,

Os problemas que o mundo enfrenta são intrincados e complexos. A maneira de sair deles é sustentar o multilateralismo e construir uma comunidade com futuro partilhado para a humanidade.

Em primeiro lugar, devemos permanecer comprometidos com a abertura e a inclusão, não com fechamento e exclusão.

Multilateralismo implica que assuntos internacionais sejam tratados mediante consultas. E que o futuro do mundo seja decidido por todos, trabalhando juntos.

Tentar criar pequenos círculos ou iniciar uma nova Guerra Fria, rejeitar, ameaçar ou intimidar, tentar deliberadamente promover separação, divisão, interrupção do fornecimento de bens e serviços, ou impor sanções – para gerar isolamento ou distanciamento –, só empurrará o mundo para divisão cada vez mais profunda e, até, para o confronto.

Nenhum país superará sozinho desafios globais, em mundo dividido, e o confronto nos levará a um beco sem saída.

A humanidade aprendeu lições pela via mais difícil, e nem faz muito tempo. Não devemos voltar ao caminho do passado.

A abordagem correta é agir a partir da noção de uma comunidade humana, com futuro compartilhado.

Devemos defender os valores comuns da humanidade, ou seja, paz, desenvolvimento, equidade, justiça, democracia e liberdade, elevar-nos acima do preconceito ideológico, tornar os mecanismos, princípios e políticas de nossa cooperação tão abertos e inclusivos quanto possível e, em conjunto, salvaguardar a paz e a estabilidade mundial.

Devemos construir uma economia mundial aberta, manter o regime comercial multilateral, descartar padrões, regras e sistemas discriminatórios e excludentes, e derrubar barreiras que dificultem o comércio, o investimento e as trocas tecnológicas.

Devemos fortalecer o G20 como o principal fórum para a governança econômica global; engajar-nos em coordenação mais estreita da política macroeconômica e manter as cadeias industriais e de fornecimento globais estáveis e abertas.

Devemos assegurar o bom funcionamento do sistema financeiro global, promover a reforma estrutural e expandir a demanda agregada global, no esforço para lutar por maior qualidade e maior resiliência no desenvolvimento econômico global.

Em segundo lugar, devemos permanecer comprometidos com o direito internacional e as regras internacionais, em vez de buscar a própria supremacia.

Os antigos chineses acreditavam que “a lei é o próprio fundamento da governança”.

A governança internacional deve basear-se nas regras e nos consensos alcançados entre nós, não na ordem que um, ou poucos, tente impor aos demais.

A Carta das Nações Unidas é a norma básica e universalmente reconhecida que rege as relações de Estado a Estado. Sem o direito internacional e regras internacionais que são formadas e reconhecidas pela comunidade global, há risco de que o mundo volte à lei da selva, e a consequência seria devastadora para a humanidade.

Precisamos ser resolutos na defesa do Estado Internacional de Direito e firmes em nossa determinação de salvaguardar o sistema internacional construído em torno da ONU; e a ordem internacional baseada no direito internacional.

As instituições multilaterais, que fornecem as plataformas para colocar o multilateralismo em ação e que são a arquitetura básica que sustenta o multilateralismo, devem ter sua autoridade e eficácia salvaguardadas.

As relações de Estado a Estado devem ser coordenadas e regulamentadas mediante instituições e regras adequadas.

Que os fortes não vivam de tentar intimidar os fracos.

Nenhuma decisão deve ser tomada simplesmente porque alguém exiba músculos, ou mostre o punho cerrado.

O multilateralismo não deve ser usado como pretexto para atos de unilateralismo.

Os princípios devem ser preservados, e as regras, uma vez feitas, devem ser seguidas por todos. A ninguém interessa optar por algum tipo de “Multilateralismo seletivo”.

Em terceiro lugar, devemos manter o compromisso de consulta e cooperação, em vez de sempre buscar o conflito e o confronto.

As diferenças na história, cultura e sistema social não devem ser pretexto para antagonismo ou confronto, mas, sim, devem ser incentivo à cooperação.

Devemos respeitar e acomodar as diferenças, evitar a intromissão nos assuntos internos de outros países e resolver os desacordos mediante consultas e diálogo.

A história e a realidade deixaram claro, repetidamente, que a abordagem equivocada de antagonismo e confronto, seja na forma de guerra fria, guerra quente, guerra comercial ou guerra tecnológica, sempre prejudica os interesses de todos os países e mina o bem-estar de todos.

Devemos rejeitar a mentalidade antiquada da Guerra Fria e do jogo de soma zero.

Devemos aderir ao respeito mútuo e à acomodação, e aumentar a confiança política mediante a comunicação estratégica.

É importante que nos atenhamos ao conceito de cooperação baseado no benefício mútuo, que digamos não às políticas de depauperar o vizinho até forçá-lo à dependência, e que ponhamos fim à prática unilateral de reservar as vantagens no desenvolvimento, cada um para si.

A igualdade de direitos ao desenvolvimento deve ser garantida a todos os países, para promover o desenvolvimento comum e a prosperidade geral.

Devemos defender a competição justa, quando como se compete pela excelência numa pista de corrida, em vez de nos pormos a esmurrar uns aos outros, todos numa arena de luta-livre.

Nossa quarta tarefa é manter o compromisso de acompanhar os tempos, em vez de rejeitar toda e qualquer mudança. O mundo está passando por mudanças que não se viram ao longo de um século. É chegado o momento de grande desenvolvimento e grande transformação.

Para manter o multilateralismo no século XXI, devemos promover sua bela tradição, assumir novas perspectivas e olhar para o futuro. Precisamos manter os valores centrais e os princípios básicos do multilateralismo. Também precisamos nos adaptar ao cenário internacional em mudança, e responder aos desafios globais à medida que eles surjam.

Precisamos reformar e melhorar o sistema de governança global com base em amplas consultas e na construção de consensos.

Precisamos desempenhar plenamente o papel da Organização Mundial da Saúde na construção de uma comunidade global de saúde para todos.

Precisamos avançar a reforma da Organização Mundial do Comércio e do sistema financeiro e monetário internacional de forma a impulsionar o crescimento econômico global e proteger os direitos, interesses e oportunidades de desenvolvimento dos países em desenvolvimento.

Precisamos seguir uma orientação política centrada nas pessoas e baseada em fatos, na exploração e formulação de regras sobre governança digital global.

Precisamos cumprir o Acordo de Paris sobre mudança climática e promover o desenvolvimento verde.

Precisamos dar prioridade contínua ao desenvolvimento, implementar a Agenda para o Desenvolvimento Sustentável de 2030 e garantir que todos os países, especialmente os países em desenvolvimento, participem dos frutos do desenvolvimento global.

Senhoras e Senhores,
Amigos

Após décadas de esforços árduos do povo chinês, a China está a caminho de concluir a construção de uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos.

Obtivemos ganhos históricos no esforço para pôr fim à pobreza extrema e embarcamos em nova jornada rumo à construção plena de um país socialista moderno.

Agora que a China entra em nova etapa de desenvolvimento, seguiremos nova filosofia de desenvolvimento e promoveremos novo paradigma de desenvolvimento, com a circulação doméstica como pilar principal, e as circulações domésticas e internacionais reforçando-se mutuamente.

A China trabalhará com outros países para construir um mundo aberto, inclusivo, limpo e belo que desfrute de paz duradoura, segurança universal e prosperidade comum.

– A China continuará a participar ativamente da cooperação internacional na luta contra a COVID-19.

A contenção do coronavírus é a tarefa mais urgente para a comunidade internacional. Isto porque as pessoas e a vida devem ser sempre colocadas à frente de qualquer outra coisa. É também o que é preciso para estabilizar e reavivar a economia.

Mais solidariedade e cooperação, mais compartilhamento de informações e uma resposta global mais forte são o que precisamos para derrotar a COVID-19 em todo o mundo.

É especialmente importante ampliar a cooperação em Pesquisa & Desenvolvimento, a produção e a distribuição de vacinas, e torná-las bens públicos que sejam verdadeiramente acessíveis às pessoas em todos os países.

Até agora, a China já prestou assistência a mais de 150 países e 13 organizações internacionais, enviou 36 equipes de especialistas médicos a países necessitados e permaneceu fortemente solidária e ativamente engajada na cooperação internacional sobre as vacinas anti-COVID.

– A China continuará a compartilhar sua experiência com outros países, fará o seu melhor para ajudar os países e regiões menos preparados para a pandemia e trabalhará para aumentar a disponibilidade e a acessibilidade econômica das vacinas COVID nos países em desenvolvimento.

Esperamos que estes esforços contribuam para uma vitória antecipada e completa sobre o coronavírus em todo o mundo.

– A China continuará a implementar sua estratégia de ganha-ganha, com abertura vantajosa para todas as partes.

A globalização econômica atende à necessidade de crescente produtividade social e é um resultado natural do avanço científico e tecnológico.

A ninguém beneficia usar a pandemia como desculpa para reverter a globalização e pregar o isolamento e desacoplamento.

Como apoiadora de longa data da globalização econômica, a China está empenhada em seguir adiante com sua política fundamental de abertura.

– A China continuará a promover a liberalização e facilitação do comércio e dos investimentos, ajudará a manter suaves e estáveis as cadeias industriais e de fornecimento globais, e avançará na cooperação de alta qualidade da Iniciativa Cinturão e Estradas.

A China promoverá a abertura institucional que abrange regras, regulamentos, gestão e normas.

Promoveremos um ambiente de negócios baseado em princípios de mercado, regido por lei e de acordo com padrões internacionais. E acionaremos o potencial do enorme mercado chinês e da enorme demanda interna.

Esperamos que estes esforços tragam mais oportunidades de cooperação para outros países e deem novo impulso à recuperação econômica global e ao crescimento.

– A China continuará a promover o desenvolvimento sustentável.

A China implementará plenamente a Agenda para o Desenvolvimento Sustentável de 2030. E mais faremos na frente ecológica, transformando e melhorando a estrutura industrial e o mix energético em nosso país, a ritmo mais rápido, e promovendo um modo de vida e produção verde e com baixo teor de carbono.

Anunciei o objetivo da China de reduzir as emissões de dióxido de carbono ao mínimo estipulado para 2030 e de alcançar a neutralidade de carbono antes de 2060. O cumprimento destas metas exigirá trabalho árduo da China.

Mas acreditamos que quando os interesses de toda a humanidade estão em jogo, a China deve dar um passo à frente, tomar medidas e fazer o que tenha de ser feito. A China está elaborando planos de ação e tomando medidas específicas desde já, para garantir o cumprimento das metas estabelecidas.

Fazemos o que estamos fazendo como ação concreta para manter o multilateralismo e como contribuição para proteger nossa casa comum e realizar o desenvolvimento sustentável da humanidade.

– A China continuará a fazer avançar a ciência, a tecnologia e a inovação. A ciência, a tecnologia e a inovação são motor-chave para o progresso humano, arma poderosa para enfrentar muitos desafios globais e a única maneira de a China promover um novo paradigma de desenvolvimento e alcançar um desenvolvimento de alta qualidade.

A China vai investir mais em ciência e tecnologia, desenvolver como prioridade um sistema de capacitação para a inovação, transformar avanços na ciência e tecnologia em produtividade real em um ritmo mais rápido, e melhorar a proteção da propriedade intelectual, tudo com o objetivo de promover o crescimento impulsionado pela inovação e de maior qualidade.

Os avanços científicos e tecnológicos devem beneficiar toda a humanidade em vez de serem usados para refrear e conter o desenvolvimento de outros países.

A China pensará e agirá com mais abertura em relação ao intercâmbio internacional e à cooperação em ciência e tecnologia. Trabalharemos com outros países para criar um ambiente aberto, justo, equitativo e não discriminatório para o avanço científico e tecnológico, que seja benéfico para todos e compartilhado por todos.

A China continuará a promover novo tipo de relações internacionais. O jogo de soma zero, ou o jogo do vencedor leva tudo, não é a filosofia norteadora do povo chinês. Como seguidora fiel de uma política externa independente e de paz, a China está trabalhando arduamente para superar as diferenças, mediante o diálogo; para resolver disputas mediante a negociação; e para buscar relações amistosas e cooperativas com outros países com base no respeito mútuo, igualdade e benefício mútuo.

Como membro firme dos países em desenvolvimento, a China aprofundará ainda mais a cooperação Sul-Sul e contribuirá para o esforço dos países em desenvolvimento para erradicar a pobreza, aliviar o peso da dívida e alcançar mais crescimento.

A China se engajará mais ativamente na governança econômica global e pressionará por uma globalização econômica mais aberta, inclusiva, equilibrada e benéfica para todos.

Senhoras e Senhores,
Amigos,

Há apenas uma Terra e um futuro comum para a humanidade. Como lidamos com a crise atual e nos esforçamos para fazer um dia melhor para todos, precisamos estar unidos e trabalhar juntos.

Temos mostrado repetidamente que a política de converter os vizinhos em mendigos, avançar sozinho e cair em arrogante isolamento sempre falhará.

Vamos todos de mãos dadas. E deixemos que o multilateralismo ilumine nosso caminho rumo a uma comunidade com futuro partilhado para a humanidade.

Obrigado.





Courtesy of Brasil247
Source: https://asiatimes.com/2021/01/xi-reads-multilateral-riot-act-to-virtual-davos/
Publication date of original article: 26/01/2021
URL of this page : http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=30663

 

 
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