TLAXCALA تلاكسكالا Τλαξκάλα Тлакскала la red internacional de traductores por la diversidad lingüística le réseau international des traducteurs pour la diversité linguistique the international network of translators for linguistic diversity الشبكة العالمية للمترجمين من اجل التنويع اللغوي das internationale Übersetzernetzwerk für sprachliche Vielfalt a rede internacional de tradutores pela diversidade linguística la rete internazionale di traduttori per la diversità linguistica la xarxa internacional dels traductors per a la diversitat lingüística översättarnas internationella nätverk för språklig mångfald شبکه بین المللی مترجمین خواهان حفظ تنوع گویش το διεθνής δίκτυο των μεταφραστών για τη γλωσσική ποικιλία международная сеть переводчиков языкового разнообразия Aẓeḍḍa n yemsuqqlen i lmend n uṭṭuqqet n yilsawen dilsel çeşitlilik için uluslararası çevirmen ağı

 16/01/2021 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 UNIVERSAL ISSUES 
UNIVERSAL ISSUES / Por trás do veredicto de Londres sobre Julian Assange
Date of publication at Tlaxcala: 06/01/2021
Original: Dietro il verdetto di Londra su Julian Assange
Translations available: Français 

Por trás do veredicto de Londres sobre Julian Assange

Manlio Dinucci Μάνλιο Ντινούτσι مانلیو دینوچی مانليو دينوتشي

Translated by  Maria Luísa de Vasconcellos

 

De um processo injusto - o de Londres referente a Julian Assange, fundador do WikiLeaks - resultou numa sentença que, à primeira vista, parece justa: a não extradição do jornalista para os Estados Unidos, onde o aguarda uma sentença de 175 anos de prisão, ao abrigo da Lei de Espionagem de 1917. Resta saber, no momento em que escrevemos, se e de que modo Assange será libertado, após sete anos de confinamento na Embaixada do Equador e quase dois anos de prisão desumana, em Londres.

 

Fala-se da sua libertação sob fiança, mas se Washington recorrer da sentença (como parece certo), o processo de extradição pode ser reaberto e Assange deve permanecer à disposição da magistratura na Grã-Bretanha. Há também o facto de que, no veredicto, a Juíza Vanessa Baraister ter dito estar convencida da "boa fé" das autoridades americanas e da regularidade de um possível julgamento nos Estados Unidos, motivando o veredicto apenas por "razões de saúde mental" que poderiam levar Assange ao suicídio.

O que é que, na realidade, determinou a não extradição de Julian Assange para os EUA, neste momento?

Por um lado, a campanha internacional pela sua libertação, que levou o caso Assange ao conhecimento da opinião pública. Por outro lado, o facto de que um julgamento público de Julian Assange nos EUA seria extremamente embaraçoso para o ‘establishment’ político-militar.

Como prova dos "crimes" de Assange, a acusação teria de mostrar os crimes de guerra dos EUA trazidos à luz pelo WikiLeaks. Por exemplo, quando em 2010 publicou mais de 250.000 documentos americanos, muitos deles rotulados como "confidenciais" ou "secretos", sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão.

Ou quando, em 2016, Assange já estava retido na Embaixada do Equador, em Londres, o WikiLeaks publicou mais de 30.000 emails e documentos enviados e recebidos entre 2010 e 2014 por Hillary Clinton, Secretária de Estado da Administração Obama. Entre eles encontra-se um email de 2011, que revela o verdadeiro objectivo da guerra da NATO contra a Líbia, concretizado em particular pelos EUA e pela França: impedir Gaddafi de utilizar as reservas de ouro da Líbia para criar uma moeda pan-africana alternativa ao dólar e ao franco CFA, a moeda imposta pela França a 14 antigas colónias.

Juntamente com dezenas de milhares de documentos, que trouxeram à luz os verdadeiros objectivos desta e de outras operações de guerra, o WikiLeaks publicou imagens em vídeo de massacres de civis no Iraque e noutros locais, mostrando a verdadeira face da guerra. Aquele que hoje em dia é escondido pelos grandes meios de comunicação social. Enquanto na Guerra do Vietname dos anos 60, relatos jornalísticos e imagens dos massacres desencadearam um vasto movimento contra a "guerra suja", contribuindo para a derrota dos Estados Unidos, o jornalismo de guerra está hoje, cada vez mais regimentado: aos correspondentes embedded, seguindo as tropas, é mostrado apenas o que os comandos querem, os únicos autorizados a fornecer "informações" nos seus briefing.

Os raros jornalistas íntegros trabalham em condições cada vez mais difíceis e arriscadas, e as suas reportagens são frequentemente censuradas pelos principais meios de comunicação social, na qual domina a narrativa oficial dos acontecimentos. O jornalismo de investigação do WikiLeaks abriu fendas no muro do silêncio mediático que cobre os verdadeiros interesses das elites poderosas que, operando no "Estado Profundo", continuam a jogar a carta da guerra, com a diferença de que hoje, com armas as nucleares, pode levar o mundo à catástrofe final.

Violar as salas secretas destes grupos de poder, trazendo à luz as suas estratégias e tramas, é uma acção extremamente arriscada tanto para os jornalistas como para aqueles que, rebelando-se contra o silêncio, os ajudam a descobrir a verdade.

É o caso emblemático de Chelsea Manning, a activista americana acusada de fornecer ao WikiLeaks documentos de que tomou conhecimento enquanto trabalhava como analista dos serviços secretos do exército americano durante a guerra do Iraque. Foi condenada a 37 anos de detenção numa prisão de segurança máxima e, libertada após 7 anos de prisão penosa, foi novamente presa por se recusar a testemunhar contra Assange e, após uma tentativa de suicídio, foi posta em liberdade condicional.





Courtesy of NO WAR NO NATO
Source: https://ilmanifesto.it/dietro-il-verdetto-di-londra-su-julian-assange/
Publication date of original article: 05/01/2021
URL of this page : http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=30458

 

Tags: #FreeJulianAssangeExtradiçao do RU à EUAChelsea ManningLançadores de Alerta
 

 
Print this page
Print this page
Send this page
Send this page


 All Tlaxcala pages are protected under Copyleft.