TLAXCALA تلاكسكالا Τλαξκάλα Тлакскала la red internacional de traductores por la diversidad lingüística le réseau international des traducteurs pour la diversité linguistique the international network of translators for linguistic diversity الشبكة العالمية للمترجمين من اجل التنويع اللغوي das internationale Übersetzernetzwerk für sprachliche Vielfalt a rede internacional de tradutores pela diversidade linguística la rete internazionale di traduttori per la diversità linguistica la xarxa internacional dels traductors per a la diversitat lingüística översättarnas internationella nätverk för språklig mångfald شبکه بین المللی مترجمین خواهان حفظ تنوع گویش το διεθνής δίκτυο των μεταφραστών για τη γλωσσική ποικιλία международная сеть переводчиков языкового разнообразия Aẓeḍḍa n yemsuqqlen i lmend n uṭṭuqqet n yilsawen dilsel çeşitlilik için uluslararası çevirmen ağı

 28/11/2020 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 USA & CANADA 
USA & CANADA / EUA: para lá da eleição, luta de classes
Date of publication at Tlaxcala: 02/11/2020
Original: Beyond the U.S. election: class struggle

EUA: para lá da eleição, luta de classes

John Catalinotto

Translated by  Mudar de Vida

 

Apoiar, consolidar a luta de classes

Construir a unidade dos trabalhadores para os tempos que aí vêm

As próximas eleições nos EUA colocam as classes trabalhadoras diante de um dilema: ou alhear-se do voto e deixar que Trump ganhe um segundo mandato, ou empenhar-se na derrota de Trump e entregar o poder a um outro representante das mesmas classes dominantes. Mas se este é o resultado inevitável em termos gerais, o caminho que leva a um ou outro dos desenlaces possíveis não é indiferente para a massa trabalhadora, nos EUA e no mundo.

Desde logo, porque uma derrota de Trump não será o mesmo que uma vitória de Trump. Uma derrota significará um bloqueio da via fascizante que chegou à presidência há quatro anos; e uma vitória significaria a consagração dessa mesma via. Depois, porque a mobilização para desfeitear o bando de Trump, apesar de todas as limitações de um acto eleitoral, abre caminho a uma consciencialização política que não existia em muitos actos eleitorais anteriores e em muitos eleitores.

Finalmente, e acima de tudo, porque esta mobilização resulta e é o prolongamento — muito para lá de qualquer esforço propagandístico dos candidatos — das fortes acções de rua contra o racismo, por todo o país, da rejeição da política sanitária assassina do governo de Trump, da miséria que a crise económica leva a milhões de famílias norte-americanas.

Importa, pois, considerar os frutos que a luta de classes possa colher em termos de unidade dos trabalhadores, no sentido de suplantar divisões partidárias e étnicas — que permitam, por sua vez, passos futuros de confronto com o próprio sistema capitalista-imperialista. Desenvolver e prolongar as lutas de massas dos últimos meses surge como o caminho natural e seguro para afirmar uma via de acção política independente para os trabalhadores norte-americanos.

Uma derrota de Trump não terá consequências apenas nos EUA. As forças de extrema-direita e abertamente fascistas que levantam cabeça pelo mundo têm tido o apoio, no mínimo moral e político, do governo dos EUA e dos meios fascistas que se multiplicam à sua sombra. É de esperar, portanto, que aquelas forças sofram um revés — no Brasil de Bolsonaro, na Itália de Salvini, na França de Le Pen, na Espanha do Vox, no Reino Unido do Brexit e mesmo no Portugal de Ventura. Mesmo que o decisivo seja, evidentemente, a luta política interna em cada um destes países, a perda do incentivo externo dado a tais forças à conta de Trump não é de desprezar.

Como destaca o texto que divulgamos, publicado no semanário comunista norte-americano Workers World, as acções de massas que se desenrolam em torno da eleições vão para além das eleições em si, na medida em que medem a possibilidade de edificar a unidade das classes trabalhadoras para os próximos tempos. Representam, portanto, um impulso à luta de classes — condição para que haja uma oposição consequente a qualquer um dos partidos capitalistas que vier a tomar posse.- MV

 ♦ ♦ ♦

O que torna especial a eleição de 3 de Novembro nos EUA é que ela se tornou uma arena para a luta de classes.

A votação ainda é dominada pelo grande capital. Nenhum partido com possibilidade de vitória representa os reais interesses dos trabalhadores, nos EUA ou no mundo. Os partidos Republicano e Democrata servem uma pequena elite de bilionários. Ambos usam a polícia dentro dos EUA e o Pentágono no exterior para manter o domínio dessa classe.

No entanto, o que torna o resultado da votação vital é que ela mede a possibilidade de construir a solidariedade da classe trabalhadora nos tempos que aí vêm.

As palavras são menos importantes do que as acções, mas Trump usou uma enxurrada de termos racistas para mobilizar a escória mais atrasada e perigosa da sociedade norte-americana. O seu constante arrazoado enche a sarjeta do racismo, da xenofobia, da misoginia, do fanatismo contra pessoas LGBT, e dos insultos e desdém por dezenas de milhões de pessoas com deficiência e dos milhões que estiveram ou estão na prisão.

Um referendo sobre o racismo

Esta eleição representa um referendo sobre o racismo. Um voto esmagador contra Trump, um voto anti-racista, criaria pelo menos a possibilidade de construir uma luta unificada da classe trabalhadora, mesmo que não consiga esvaziar a sarjeta do fanatismo.

Essa luta pode ambicionar ganhos reais para todos os trabalhadores nos Estados Unidos e trazer esperança para milhões de pessoas ao redor do mundo que sentem a bota imperialista nos seus pescoços. Para ser claro, para o Workers World, a classe trabalhadora inclui todos aqueles que precisam de trabalhar para sobreviver: aqueles que têm empregos tradicionais e também empregos temporários, desempregados, estudantes que desejam empregos futuros, trabalhadores da economia informal, incluindo profissionais do sexo, trabalhadores aposentados. Eles são de todas as cores e nacionalidades, nascidos nos EUA, migrantes — com ou sem papéis — de todos os géneros e identidades de género, de todas as sexualidades, de todas as idades, com ou sem deficiência. Esta é a nossa classe.

Que não haja ilusões. O candidato democrata demonstrou abertamente que é um servidor fiel de Wall Street e dos bancos, e que seu partido levará a cabo os interesses estratégicos do imperialismo norte-americano em escala mundial. O facto de a equipa de Joe Biden / Kamala Harris fazer isso de forma mais eficiente e científica do que a equipa de Donald Trump / Mike Pence não torna os democratas menos ameaçadores para os povos do mundo e para a classe trabalhadora nos Estados Unidos.

É razoável, contudo, que poucos considerem os dois partidos exactamente iguais para efeitos da sua própria sobrevivência. O Partido Democrata tem uma base que assenta nas várias nacionalidades. Também aprovou na Câmara dos Representantes a Lei dos Heróis [parte da legislação de resposta à pandemia], que garante alojamento e alimentos a 30-50 milhões de pessoas. Os republicanos recusam qualquer ajuda aos desempregados. Os republicanos também ameaçam o direito ao aborto legal e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e negam a dezenas de milhões de pessoas os cuidados de saúde. Para não falar do tratamento calamitoso de Trump à crise COVID-19.

Dezenas de milhões de pessoas, por fúria, medo ou ambos, vão votar em Biden porque não suportam a retórica racista de Trump ou porque precisam de sobreviver. Estão no seu direito.

Defender o direito de voto

E esse direito deve ser defendido. A ameaça de Trump de impedir que grandes sectores da população votem — ou de impedir a contagem dos seus votos — também torna esta eleição especial. A sua ameaça excede a “usual” supressão do voto de pessoas que já estiveram presas e a supressão histórica de eleitores que priva os afro-americanos e outras pessoas de cor de seu direito de votar. É um ataque frontal aos direitos democráticos.

Com este ataque, o gangue de Trump transformou a eleição numa arena de luta de classes. Aqueles que lutam contra o racismo e todas as formas de discriminação devem agora ajudar na defesa do direito ao voto, ainda que a escolha permaneça entre dois representantes da classe dominante capitalista.

A primeira linha de defesa será evitar que bandos fascistas pró-Trump, incluindo as forças policiais, bloqueiem as pessoas que desejam votar. Essa supressão eleitoral será dirigida principalmente aos negros, latinos e outros sectores da população que eles acreditam que votarão contra Trump. A segunda linha de defesa é garantir a contagem precisa dos votos, metade dos quais chegará por correio ou votação antecipada. A terceira linha é impedir um golpe de Estado pró-Trump.

Organizações de trabalhadores discutem a possibilidade de uma greve geral para impedir o golpe de Trump, o que é um sinal encorajador de uma luta de massas nascente. Os milhões de pessoas de várias origens nacionais, liderados por afro-americanos, que saíram às ruas para lutar contra os assassinatos cometidos pela polícia e primeiro colocaram Trump na defensiva, também gritaram “Greve geral!”

Uma mobilização que junte, em acção comum, estas forças progressistas pode marcar o nascimento de um instrumento de luta de classes unida.

As sondagens (que obviamente não dão nenhuma garantia) colocam o actual governo — ele próprio dividido por contradições e infectado com o coronavírus bem como com a sua própria corrupção e incompetência — em desvantagem no total dos votos populares, ainda mais do que em 2016. É por isso que Trump ameaça com a supressão de eleitores para tentar roubar a eleição fazendo uso do Colégio Eleitoral, tendencioso e antidemocrático.

Seja qual for o resultado, a eleição só pode abrir a próxima fase de luta. Mais do que o voto exacto, o importante será a unidade da classe trabalhadora que possa ser mobilizada nas ruas e nos locais de trabalho. Isto pode começar pela defesa do direito de voto e desenvolver-se para enfrentar a dominação capitalista da economia e de toda a sociedade. E terá de se opor a qualquer partido capitalista que tomar posse.

Que o referendo contra o racismo marque o início de uma luta pelo socialismo, o único caminho com futuro para a ampla classe trabalhadora, nos EUA e no mundo.





Courtesy of Jornal Mudardevida
Source: https://www.workers.org/2020/10/52048/
Publication date of original article: 28/10/2020
URL of this page : http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=29974

 

Tags: Eleição presidencial EUA 2020Luta de classesRevoltas lógicasMovimentos Sociais
 

 
Print this page
Print this page
Send this page
Send this page


 All Tlaxcala pages are protected under Copyleft.