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 15/08/2020 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 ABYA YALA 
ABYA YALA / BanestadoLeaks e CC5gate: o escândalo infernal da lavagem de dinheiro no Brasil
Date of publication at Tlaxcala: 25/07/2020
Original: Brazil’s money laundering scandal from hell
Translations available: Français  Español 

BanestadoLeaks e CC5gate: o escândalo infernal da lavagem de dinheiro no Brasil

Pepe Escobar Пепе Эскобар پپه اِسکوبار

Translated by  mberublue

 

A questão é o que deveria fazer o presidente Lula, já que ninguém quer falar sobre as revelações.

Um silêncio ensurdecedor foi o resultado de uma poderosa segunda onda de choque que deveria atingir o Brasil duramente, duas décadas depois de um terremoto político.
 
O que hoje se denomina “BanestadoLeaks” e “CC5gate” parece saído diretamente do antigo WikiLeaks: uma lista, pela primeira vez publicada no todo, citando nomes e detalhando um dos maiores casos de corrupção e lavagem e dinheiro no mundo nas três últimas décadas.
 
 
Este escândalo é bom para a prática perfeita daquilo que Michel Foucault chamou de arqueologia do conhecimento. Sem a compreensão desses vazamentos, é impossível colocar no enquadramento apropriado eventos que vão desde o sofisticado assalto praticado por Washington contra o Brasil – primeiro espionando através da NSA a presidenta Dilma Roussef em seu primeiro mandato (2010/2014) – depois toda a caminhada da investigação de corrupção apelidada de “Lava Jato” cujo clímax foi a prisão de Luis Inácio Lula da Silva, abrindo caminho para colocar o babaca neofascista Jair Bolsonaro no gabinete presidencial.
 
Mais uma vez, a mídia independente leva o crédito pelo furo nessa conspiração à la George Orwell-faz-aguerra-híbrida. O pequeno site Duplo Expresso, liderado pelo jovem e intimorato advogado internacional Romulus Maya publicou a lista em primeiro lugar.
 
Em um podcast épico de cinco horas de duração, reuniram-se os três personagens cruciais que foram os primeiros a denunciar o escândalo, nos idos de 1990, portanto capazes de reanalisá-lo atualmente: o então governador do Estado do Paraná, Roberto Requião, o procurador federal Celso Antonio Três e o delegado da Polícia Federal (aposentado) José Castilho Neto.
 
Em podcast anterior, Maya e o antropologista Piero Leirner, o principal analista brasileiro de Guerras Híbridas, me colocaram a par das incontáveis implicações políticas dos vazamentos, enquanto discutíamos geopolítica no Sul Global. [Veja o vídeo no final da página]
 
As listas da conta CC5 estão aquiaqui , e aqui. Vejamos porque são tão especiais.

O mecanismo

Voltemos para 1969. O Banco Central do Brasil criou o que foi descrito como “conta CC5” para ajudar executivos e companhias externas a transferir legalmente recursos para o estrangeiro. Por muitos anos, o fluxo de dinheiro foi insignificante nessas contas. Tudo mudou nos anos 1990 – com o surgimento de uma imensa e complexa organização criminosa centrada na lavagem de dinheiro.
 
A investigação Banestado original começou em 1997. O Procurador Federal Celso Três ficou estupefato ao descobrir que de 1991 até 1996 dinheiro brasileiro com valor não inferior a $124 bilhões de dólares fora enviado ao exterior. O total eventual durante toda a duração da organização (1991-2002) alcançou o fantástico valor de $219 bilhões de dólares – fazendo do Banestado um dos maiores esquemas de lavagem de dinheiro da história.
 
Uma investigação federal baseada nos relatórios de Três focou em Foz do Iguaçu, cidade brasileira sulista estrategicamente situada na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, onde os bancos locais lavavam enormes somas de fundos através de contas CC5.
 
Tudo funcionava assim: os doleiros do mercado negro, ligados a funcionários bancários e governamentais usavam uma grande rede de contas bancárias com nomes de laranjas insuspeitos e companhias fantasmas para lavar dinheiro ilegal obtido a partir da corrupção pública, fraudes fiscais e crime organizado, principalmente através do Banco do Estado do Paraná em Foz do Iguaçu. Exsurge o “Caso Banestado”.
 
A investigação estava emperrada até 2001, quando Castilho, estão superintendente da polícia federal, constatou que a maioria do dinheiro na realidade estava em contas da agência do Banestado em Nova Iorque. Castilho chegou à cidade em janeiro de 2002 para impulsionar o rastreamento internacional do dinheiro.
 
Através de uma ordem judicial, Castilho e sua equipe revisaram 137 contas no Banestado de Nova Iorque, rastreando $14,9 bilhões de dólares. Em alguns casos, os nomes dos titulares eram de políticos brasileiros, na ocasião instalados no Congresso, em gabinetes de ministros e até de antigos presidentes da República.
 
Depois de um mês trabalhando em Nova Iorque, Castilho voltou ao Brasil, trazendo na bagagem um relatório de 400 páginas. Mesmo assim, apesar da evidência esmagadora, ele foi removido da investigação que ficou em passo de espera por pelo menos um ano. Quando o governo Lula assumiu o poder no início de 2003, Castilho voltou ao caso.
 
Em abril de 2003, Castilho identificou uma conta particularmente interessante no Chase Manhattan, denominada “Tucano” – o apelido do PSDB, partido liderado pelo antigo presidente Fernando Henrique Cardoso, que estivera no poder antes de Lula e que sempre manteve ligações próximas com as máquinas políticas de Clinton e Blair.
 

Castilho foi crucial para o estabelecimento de uma Comissão parlamentar de Inquérito sobre o caso Banestado. Mas ainda desta vez a comissão não levou a lugar algum – o relatório final sequer foi votado. A maioria das companhias envolvidas negociaram acordos com a Receita Federal brasileira e assim impediram a possibilidade de ações relativas à sonegação fiscal.

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Courtesy of mberublue
Source: https://asiatimes.com/2020/07/brazils-money-laundering-scandal-from-hell/
Publication date of original article: 23/07/2020
URL of this page : http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=29401

 

Tags: BanestadoLeaks CC5gateCorrupçãoBrasilAbya YalaDuplo Expresso
 

 
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