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 30/10/2020 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 EUROPE 
EUROPE / Itália: Parlamento «coeso» sobre as missões neocoloniais
Date of publication at Tlaxcala: 23/07/2020
Original: Parlamento “coeso” sulle missioni neocoloniali
Translations available: Français  Español  Türkçe 

A Arte da guerra
Itália: Parlamento «coeso» sobre as missões neocoloniais

Manlio Dinucci Μάνλιο Ντινούτσι مانلیو دینوچی مانليو دينوتشي

Translated by  Maria Luísa de Vasconcellos

 

 O Ministro da Defesa, Lorenzo Guerini (Partido Democrático) manifestou grande satisfação pelo voto “coeso” do Parlamento, sobre as missões internacionais. Excepto alguma divergência no apoio à Guarda Costeira de Trípoli, a maioria e a oposição aprovaram, de maneira compacta, sem voto contra e com poucas abstenções, 40 missões militares italianas na Europa, África, Médio Oriente e Ásia.

Alimentando o planeta, por Mauro Biani

Foram prorrogadas as principais “missões de manutenção da paz” em curso, há décadas, na peugada das guerras USA/NATO(nas quais a Itália participou) nos Balcãs, no Afeganistão e na Líbia, e na de Israel no Líbano, que faz parte da mesma estratégia.

A estas foram acrescentadas algumas novas: a operação militar da União Europeia no Mediterrâneo, formalmente para “impedir o tráfico de armas na Líbia”; a missão da União Europeia de “apoio ao aparelho de segurança no Iraque”; a Missão da NATO para o fortalecimento do apoio aos países localizados no lado sul da Aliança.

Aumentou fortemente o compromisso militar italiano na África Subsaariana. As forças especiais italianas participam na Task Force Takuba, destacada no Mali sob comando francês. Também opera no Níger, no Chade e em Burkina Faso, no âmbito da operação Barkhane, na qual estão envolvidos 4.500 soldados franceses, com veículos blindados e bombardeiros, oficialmente apenas contra as milícias jihadistas.

No Mali, a Itália também participa na Missão da União Europeia, EUTM, que fornece treino militar e “aconselhamento” às forças armadas deste e de outros países limítrofes. No Níger, a Itália tem a sua própria missão bilateral de apoio às forças armadas e, ao mesmo tempo, participa da missão da União Europeia EuCAP Sahel Níger, numa área geográfica que também inclui a Nigéria, o Mali, a Mauritânia, o Chade, Burkina Faso e o Benin.

O Parlamento italiano também aprovou o uso de “um dispositivo aéreo e naval nacional para actividades de presença, de vigilância e de segurança no Golfo da Guiné”. O objectivo declarado é "proteger os interesses estratégicos nacionais nesta área (leia os interesses da ENI - "Ente Nazionale Idrocarburi"), apoiando o navio mercante nacional em trânsito”.

Não é por acaso que as áreas africanas, nas quais se concentram as  “missões de manutenção da paz”, são as mais ricas em matérias-primas estratégicas - petróleo, gás natural, urânio, coltan, ouro, diamantes, manganês, fosfatos e outros - exploradas por multinacionais americanas e europeias. No entanto, o seu oligopólio está agora ameaçado pela crescente presença económica da China.Não conseguindo combatê-la só através de meios económicos e vendo,  ao mesmo tempo, diminuir a sua influência no interior dos países africanos, os EUA e as potências europeias recorrem à antiga, mas ainda eficaz, estratégia colonial: garantir os seus interesses económicos através de meios militares, incluindo o apoio às elites locais que baseiam o seu poder nas forças armadas.

A oposição às milícias jihadistas, a motivação oficial para operações como a da Task Force Takuba, é a cortina de fumo atrás da qual se escondem os verdadeiros objectivos estratégicos.

O governo italiano declara que as missões internacionais servem para “garantir a paz e a segurança destas zonas, para a protecção e para a tutela das populações”. Na realidade, as intervenções militares expõem as populações a riscos adicionais e, ao reforçar os mecanismos de exploração, agravam o seu empobrecimento, com o consequente aumento de fluxos migratórios para a Europa.

Para manter milhares de homens e veículos envolvidos em missões militares, a Itália utiliza mais de um bilião de euros, directamente, num ano, fornecidos (com dinheiro público) não só pelo Ministério da Defesa, mas também pelos Ministérios do Interior, da Economia das Finanças e pela Presidência do Conselho.

No entanto, esta soma é apenas a ponta do iceberg da crescente despesa militar (mais de 25 biliões por ano), devido ao ajuste de todas as forças armadas a essa estratégia. Aprovada pelo Parlamento com consentimento bipartidário unânime.

http://tlaxcala-int.org/upload/gal_22911.jpg

Missão de paz? Não me faça rir
 

 





Courtesy of NO WAR NO NATO
Source: https://ilmanifesto.it/parlamento-coeso-sulle-missioni-neocoloniali/
Publication date of original article: 21/07/2020
URL of this page : http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=29385

 

Tags: Missões de guerra chamadas de pazImperialismoItaliêta
 

 
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