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 27/01/2020 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 UMMA 
UMMA / Ataques dos EUA contra o Iraque pioram muito uma situação que já era muito ruim
Date of publication at Tlaxcala: 05/01/2020
Original: USAmerican strikes in Iraq have just made a bad situation much worse

Ataques dos EUA contra o Iraque pioram muito uma situação que já era muito ruim

Haidar Sumeri حیدر سومری

Translated by  Coletivo de tradutores Vila Mandinga

 

A tomada sangrenta de um terço do país por uma organização terrorista, uma longa, infindável guerra de libertação, inenarrável sofrimento humano e horrível dano material, colapso econômico já praticamente inevitável, torvelinho político e movimento de protesto nas ruas, que já matou centenas de civis e feriu milhares. A situação recente no Iraque dificilmente teria como piorar. O caso, porém, é que, sim, piorou.



Combatentes  das Kataeb Hezbollah. Foto Ahmad Al-Rubaye/AFP

Semanas recentes assistiram a séries de pequenos ataques com foguetes contra bases em todo o Iraque nas quais vivem fornecedores contratados e pessoal militar norte-americano , inclusive dois ataques com foguetes contra o aeroporto internacional de Bagdá e um contra a base aérea Ayn Al-Asad, grande base de operações de soldados norte-americanos, no início de dezembro passado.

Na noite de 6ª-feira, mais de 30 foguetes Katyusha atingiram a base militar K1 nos arredores da cidade de Kirkuk, matando um civil – cidadão norte-americano, de empresa que abastece a base, e ferindo quatro soldados dos EUA e dois soldados iraquianos. Foi escalada importante, que inevitavelmente atrairia uma resposta. A resposta veio no domingo à noite, quando forças dos EUA executaram “ataques defensivos, de precisão” contra cinco prédios do grupo Kata’ib Hezbollah, KH [literalmente, “Brigadas do Partido de Deus”, BPD; valha o que valer, há informação sobre essas brigadas, de Wikipedia, aqui] nos dois lados da fronteira sírio-iraquiana em Al-Qa’im. Já há algum tempo circulavam suspeitas de que essas Brigadas do Partido de Deus, grande grupo paramilitar ligado ao Irã, estariam envolvidas nos ataques contra interesses dos EUA.

A história entre as Brigadas do Partido de Deus, BPD, e soldados dos EUA no Iraque começa imediatamente depois da ocupação do Iraque em 2003, quando as BPD eram vistas como um dos vários “Grupos Especiais” – grupos paramilitares financiados, treinados e controlados (até certo grau) pelo Irã. As BPD realizaram vários ataques contra tropas de ocupação, incluindo dispositivos explosivos improvisados [ing. IEDs], morteiros, foguetes e ações com atiradores especializados [ing. sniper operations].

O Pentágono disse que os ataques visaram três alvos das Brigadas do Partido de Deus no Iraque e dois na Síria que serviam como instalações de comando e controle e como silos de armas. Segundo fontes nas Forças de Mobilização Popular no oeste de Anbar, os ataques mataram 25 membros das Brigadas do Partido de Deus e feriram mais de 50. Notícias falsas de um ataque de foguetes contra a base militar Taji onde também vivem militares norte-americanos e soldados da coalizão, circularam depois do ataque das Brigadas do Partido de Deus, mas foram logo desmentidas.

Essas séries de eventos marcam a escalada mais significativa entre forças dos EUA e grupos paramilitares ligados ao Irã no Iraque, em tempos recentes, série que pode ter aberto a porta para conflito muito mais amplo em todo o país e possivelmente na região. O Iraque é ambiente rico em alvos para os dois lados, com mais de 5 mil soldados norte-americanos e dezenas de milhares de paramilitares apoiados pelo Irã distribuídos em bases por todo o país.

O atual momento marca também um ponto de virada, quando os norte-americanos decidiram desconsiderar as posições e as instruções do governo iraquiano e agredir a soberania do Iraque atacando iraquianos em território do Iraque. Até ali, os EUA evitaram ações desse tipo, mesmo depois de numerosos incidentes que os norte-americanos declararam “provocativos”.

A ação militar contra as Brigadas do Partido de Deus vem depois de uma declaração feita dia 13 de dezembro pelo secretário de Estado dos EUA Mike Pompeo, depois dos ataques no aeroporto de Bagdá, quando disse que “Devemos aproveitar a oportunidade para lembrar aos líderes iranianos que qualquer ataque, por iranianos ou seus procuradores, seja qual for a identidade, que resultem em norte-americanos ou aliados dos EUA feridos, ou em agressão a interesses dos EUA, receberá resposta decisiva.”

Imediatamente depois dos ataques norte-americanos, o primeiro-ministro do Iraque Adil Abdul-Mahdi disse que “Já confirmamos nossa rejeição a qualquer ação unilateral por forças da coalizão, ou quaisquer outras forças dentro do Iraque. Vemos quaisquer ações desse tipo como violação da soberania do Iraque e como perigosa escalada que põe em risco a segurança do Iraque e da região” – segundo declaração distribuída pela TV estatal do Iraque.

Abdul-Mahdi vê-se agora diante da possibilidade sinistra de que paramilitares ligados aos Irã, cujas alas políticas tem enorme poder sobre seu governo, entre em guerra contra forças norte-americanas em território iraquiano, o que se somaria aos recentes meses desastrosos, quando os cadáveres de centenas de manifestantes mortos foram jogados aos pés do primeiro-ministro, forçando-o a apresentar ao Parlamento sua carta de renúncia.

Os próximos dias e semanas responderão várias questões sobre como essa perigosa situação se desdobrará, em primeiro lugar sobre até onde os paramilitares estão dispostos a fazer valer toda a retórica que usaram até aqui, repetindo sempre que a presença dos EUA no Iraque é continuação da ocupação, além da disposição sempre ativa para ações militares, com o objetivo de expulsar os norte-americanos do país, “mais uma vez”.

No caso de a situação escalar, e de haver mais ataques significativos contra bases onde vivem militares norte-americanos, uma questão se imporá: até onde o governo Trump está disposto a ir na ‘missão’ de responder aos ataques? Por mais que o poder de fogo dos EUA na região não seja fator a tratar com leviandade, as capacidades de grupos como as Brigadas do Partido de Deus e de Asa’ib Ahl Al-Haq não devem ser subestimadas, como tampouco se deve subestimar o apoio a ser prestado pelos apoiadores iranianos, no caso, bastante provável, de o ataque à base K1 e outros, de antes, terem sido autorizados por Teerã. A vida de milhares de norte-americanos e outros soldados da coalizão estarão em risco, caso os EUA decidam seguir essa nova linha de ação.

É também provável que o governo Trump tenha simplesmente caído de cabeça numa armadilha montada pelos Guardas da Revolução Iraniana, mais especificamente pelo comandante da Força Quds, dos Guardas da Revolução Iraniana, Qassim Soleimani. Difícil é crer que os Guardas da Revolução Iraniana ordenariam repetidos ataques contra interesses dos EUA, desde o ataque à embaixada dos EUA em Bagdá, em maio passado, até os ataques com foguetes à gigante norte-americana ExxonMobil, perto de Basra em junho, ou às bases, agora em dezembro, sem prever que os EUA responderiam e sem planejar os passos subsequentes a serem tomados pelo Irã.

Em qualquer caso, se esses ataques foram executados a partir de instruções vindas de Teerã, é praticamente certo que foram resposta ao movimento de protesto que cresce no Iraque desde o início de outubro. Crescendo desde os protestos do ano passado em Basra, as recentes demonstrações afetaram negativamente a posição do Irã no Iraque, com incontáveis prédios de partidos políticos ligados ao Irã, com consulados e empresas iranianos e outros interesses atacados e em muitos casos destruídos, com manifestantes exigindo que o Irã saia de cena no Iraque.

Muitos políticos e analistas pró-Irã têm insinuado que os EUA tiveram papel significativo no crescimento dos protestos no Iraque, onde teriam usado as mídias sociais e outras estratégicas para infligir danos ao governo de Abdul Mahdi, que muitos veem como governante com acentuadas simpatias por Teerã.

Seguindo essa linha de pensamento, os ataques com foguetes às bases militares podem ser vistos como mensagem de “desistam”, que os grupos apoiados pelo Irã no Iraque enviam aos norte-americanos, na esperança de aliviar as pressões políticas geradas pelo movimento de protesto e pela agressão violenta contra os manifestantes. Nesse caso, as ações dos dois lados seriam efeito de uma via de risco calculado não rara no Iraque na região de modo mais amplo, e as tensões podem reduzir-se gradualmente.

Contudo, a força bruta usada pelos norte-americanos e o aumento no número de mortos torna menos provável que esse cenário se realize. Abu Mahdi Al-Muhandis, um dos principais comandantes dentro das Forças de Mobilização Popular e no campo dos paramilitares iranianos, e a muito tempo citado como um dos líderes das Brigadas do Partido de Deus, prometeu “resposta dura” à escalada dos ataques norte-americanos.

Os ataques dos EUA contra as Brigadas do Partido de Deus inevitavelmente farão reacender os esforços dos grupos políticos apoiados pelo Irã e dos grupos leais a Muqtada Al-Sadr, na direção de forçar a total retirada dos 5 mil soldados dos EUA que se acredita que permaneçam ainda no Iraque. Dessa vez, a humilhação gerada pelos ataques e que pesa contra o primeiro-ministro Abdul Mahdi num momento de tanta fragilidade do governo dele acrescenta mais um componente muito interessante ao efeito a que pode levar o atual esforço renovado.

À parte o custo humano, o dano material que os ataques dos EUA causaram às Brigadas do Partido de Deus é insignificante. Os muitos recursos aos quais as BPD e outros grupos apoiados pelo Irã têm acesso não se esgotaram em ataques a postos remotos no deserto a oeste de Anbar e logo serão repostos por Teerã. Os mortos serão honrados como mártires e as instalações serão reconstruídas. Mas agora há um precedente que pode levar à guerra a qualquer momento; e um ponto já fragilizado na história do Iraque tornou-se ainda mais frágil.





Courtesy of Tlaxcala
Source: https://1001iraqithoughts.com/2019/12/30/american-strikes-in-iraq-have-just-made-a-bad-situation-much-worse/
Publication date of original article: 30/12/2019
URL of this page : http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=27758

 

Tags: Guerra do IraqueEUA-Irã
 

 
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