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 10/07/2020 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 CULTURE & COMMUNICATION 
CULTURE & COMMUNICATION / Venezuela: em matéria de ditadura, já houve piores
Criando armas mundiais de construção massiva, a partir de Caracas
Date of publication at Tlaxcala: 01/01/2020
Original: Venezuela : comme dictature, on a vu pire
Création d’armes mondiales de construction massive à partir de Caracas

Translations available: Español  English  Italiano 

Venezuela: em matéria de ditadura, já houve piores
Criando armas mundiais de construção massiva, a partir de Caracas

Fausto Giudice Фаусто Джудиче فاوستو جيوديشي

Translated by  Coletivo de tradutores Vila Mandinga

 

Estou voltando da Venezuela, ainda sob efeitos do choque emocional desse primeiro encontro “ao vivo” com uma revolução em marcha. Revolução que se comunica por Whatsapp em país petroleiro que luta para se tornar “socialista do século 21”. Não vou aqui produzir análises eruditas, nem entediar o leitor com palavreado ‘acadêmico’. Quero apenas fornecer uma informação básica e oferecer minhas impressões de uma visita sem dúvidas curta demais (quatro dias e quatro noites).


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CONGRESSO INTERNACIONAL DE
Comunicação
“Agora falam os povos!”
2,3 e 4/12/2019, Caracas, Venezuela

Fui um dos 150 delegados estrangeiros de 35 países convidados a participar do Congresso internacional de comunicação organizada no bojo da reunião do Fórum de São Paulo, junho passado, em Caracas. Esse encontro de partidos e de movimentos progressistas da América Latina foi seguido de uma série de conferências setoriais (trabalhadores/trabalhadoras, afrodescendentes, mulheres, jovens e estudantes, comunas, movimentos sociais e poder popular, povos autóctones). O próximo congresso acontecerá a partir de 23 de janeiro próximo, com os partidos e movimentos sociais. O Fórum de São Paulo foi criado em 1990 por iniciativa do Partido dos Trabalhadores (PT, Brasil), e reúne mais de 100 partidos e frentes de esquerda, que vão de social-democratas a comunistas e esquerdistas. Foi declarado inimigo público pelos reacionários de direita das Américas, e recentemente declarado principal inimigo da Colômbia, pelo presidente-fantoche daquele país, Iván Duque – meio desestabilizado pela greve nacional de 21 de novembro passado, greve que não foi senão o início de um movimento prolongado e popular de revolta contra a oligarquia neoliberal. O Partido Socialista Unido da Venezuela, PSUV, aparece hoje como o mais ativo e engajado na dinâmica desse fórum, assumindo o lugar que foi de Cuba, de bastião dos movimentos continentais para a mudança social e política.

O slogan do congresso foi: “Agora falam os povos!”. Na abertura do congresso, o presidente Nicolás Maduro assinou o decreto de criação da Universidade Internacional da Comunicação, cujo objetivo é formar combatentes da comunicação venezuelanos, latino-americanos e de todo o mundo para a “guerra de 4ª-geração” que todos nossos povos enfrentam hoje, da Bolívia às Filipinas, passando por Congo, Palestina e por todo o Sul Global, e boa parte do “Sul do Norte” (especialmente a Europa Mediterrânea). Todo o mundo está hoje consciente de que as eleições ganham-se pela utilização massiva e profissional das redes sociais. Pode-se portanto, investindo nisso alguns milhões, criar um partido político virtual sem qualquer base física humana, e obter, praticamente sem dificuldade, 10% dos votos – como viu-se acontecer no Uruguai, para o “Movimento Social Artiguista”, do ex-comandante-em-chefe do Exército, Manini. Sabe-se que Bolsonaro foi eleito presidente graças aos milhões de mensagens surrealistas distribuídas por Whatsapp. Na Tunísia, o partido virtual Qalb Touns (Coração da Tunísia) do magnata das mídias e lavador de dinheiro Nabil Karoui, conseguiu eleger 38 deputados com direito a voto, dos 217 do Parlamento, associando a distribuição de macarrão entre as populações pobres a uma campanha eleitoral entregue a profissionais pagos, operantes por Facebook. Ao mesmo tempo, como se diz em macronês, todos os movimentos de revolta/contestação dos dez últimos anos, das primaveras árabes aos movimentos Occupy, Indignados, Nuits Debout, Gilets Jaunes, Intifadas sudanesa, libanesa, iraquiana, iraniana, romena, até o tsunami democrático catalão e as 6.000 sardinhas italianas etc. todos esses marcharam e marcham sobre as próprias pernas reais: as redes sociais virtuais ajudando a organizar as redes físicas (por ruas, praças, rotatórias e cruzamentos, por espaços temporariamente liberados).

A guerra social assume formas e dimensões novas, que se acrescentam às formas e dimensões clássicas e todas se influenciam mutuamente. Os slogans circulam, de um país ao outro, de um continente ao outro, de uma língua à outra, e mesmo de um campo a outro : assim, um slogan de mineiros britânicos em luta contra Thatcher em 1984, “ACAB” [ing. All Cops Are Bastards, “Todos os policiais são sujos” é assumido por torcedores de futebol nos anos 2010 , ou aparece pelos muros na Colômbia de 2019 ; um slogan zapatista (do EZLN, Exército Zapatista de Libertação Nacional) dos anos 1990 –”Vocês não podem nos matar, porque já estamos mortos” – reaparece na bandana usada na marcha do milhão em Tizi Ouzou (Argélia) em 2000 e nos graffitis da revolução tunisiana de 2010-2011 ; o slogan “Tiraram tudo de nós, até o medo”, passa do campo dos guarimberos de direita venezuelanos para o campos dos insurrectos contra o regime neoliberal chileno.

A guerra social é assimétrica: eles têm dinheiro, armas e a tecnologia; nós temos o número, a energia e nossos corpos, nossas emoções, nossos sonhos, nossas fúrias. Ao biopoder do capital mundial opõe-se um biocontrapoder. Ao uso verticalizado que fazem, das ferramentas de comunicação, que o inimigo transforma em armas de destruição em massa, opõe-se ao uso horizontal que nós fazemos dessas mesmas ferramentas, que tentamos converter em armas de construção em massa. Disse “tentamos”, deliberadamente, porque só estamos tentando. Conseguiremos? Chegaremos lá? Tenho muitas e graves dúvidas de que os movimentos de baixo cheguem algum dia a estabelecer controle seu sobre as ferramentas hoje manejadas pelos GAFA [Google, Amazon, Facebook, Apple] & Co., que esses agentes controlam, administram e manipulam em função de seus interesses financeiros e de suas conexões políticas, militares e ideológicas.

Falei acima da revolução bolivariana que se comunica por Whatsapp: todos os venezuelanos e venezuelanas encontrados e vistos em quatro dias e quatro noites, comunicam-se quase exclusivamente via Whatsapp. O país está sob embargo de EUA/Europa, mas as redes sociais funcionam perfeitamente. Moral da história: NASA, CIA e outras orelhas grandes sabem tudo que se diz na Venezuela. Sabem fazer uso inteligente (do ponto de vista deles) de tudo que sabem? Essa já é outra pergunta, que não sei responder, mas com certeza é pergunta que ajuda no esforço para afinar nossas táticas. Felizmente para o povo venezuelano e seus aliados e amigos, as máquinas imperiais que se esforçam para pôr de joelhos o povo venezuelano e seus aliados e amigos, as máquinas imperiais que tentem pôr esse povo de joelhos e esmagá-lo usam, como reforço local, os cretinos locais de sempre,  os imbecilizados e os covardes, que não perdem ocasião para fazer gorar os próprios golpes, e para se expor ao ridículo, cada vez mais ridículo, cada vez que uma invasão fracassa, um golpe-de-estado dá em nada, ou um drone super-hightec é abatido. De uma coisa pode-se ter certeza: na Venezuela, a inteligência já há muito tempo escolheu o próprio espaço: abaixo e à esquerda, onde bate o coração.

Vindo de regiões do velho mundo mediterrâneo, onde as pessoas lutam para destruir, chegar a um país onde as pessoas lutam para construir, colocando tudo – coração, cabeça, corpo e alma – no próprio país é uma espécie de encontro de 4º grau. Não conheço outro país onde um Presidente da República eleito chega finalmente ao pódio, m encontro com os participantes ao congresso, aclamado por um milhar de peitos... e põe-se a dançar, por dois minutos, ao som de uma cúmbia. Alguns vão achar ridículo. Não eu. A política não tem de transformar os homens em robôs ou zumbis. Você pode fazer um discurso sério salpicado de anedotas e piadas sem parecer – e sem ser – demagogia. Basta que você dê ao povo a correta impressão de que você faz naturalmente o que faz, que não tenta enganar ninguém.

O congresso foi intenso, denso mas relaxado; sério, mas alegre; venezuelano, mas continental; e transnacional, sincrético como esse povo com raízes africanas, árabes, andaluzas, europeias, caribenhas e indígenas, enfim, um povo mundial que abre seus braços para o mundo dos povos. Essa grande humanidade disse novamente "Basta!" E nenhum embargo, nenhuma guerra psicológica, nenhuma calúnia, por perversa que seja, a fará abdicar e curvar-se diante dos deuses do dinheiro e do desprezo, cujo crepúsculo se aproxima no horizonte.

Obrigado a todas as irmãs e a todos os irmãos que nos abriram os braços com generosidade sem limites. Não listo os nomes, porque corro o risco de esquecer alguns: eles se reconhecerão aqui. Sou muito grato a todos. Voltaremos, dar-lhe-emos as boas-vindas à nossa casa e tentaremos estar à altura da hospitalidade deles. E nós começamos a trabalhar para tornar os nossos sonhos comuns realidade. Juntos, vamos conseguir dar vida a todas as ferramentas que decidimos forjar para dar voz aos povos, o primeiro passo para o poder desses povos, cada um no dialeto da grande língua humana que aprendeu desde o nascimento, para que o mundo se torne finalmente uma Mátria Grande, uma mátria que contenha todas as matriarcas, todas as pátrias, todas as fratrias de todos os irmãos e de todas as irmãs.

Abaixo, um pequeno texto de propostas que distribuímos em Caracas, para alimentar os debates em curso:

Somos pobres. Somos fracos. Somos crédulos.
É verdade.
Mas ao mesmo tempo:
Somos inteligentes. Somos imaginativos. Somos calejados. Somos muitos.
De Caracas, capital de uma revolução sitiada e ameaçada de extermínio, lançamos um apelo:

Unamos nossa fraquezas, de modo que, juntas, tornem-se uma grande força.
Somemos nossas pobrezas, para criar riqueza.
Reunamos nossa imaginação, de modo a tornar possível um mundo que contenha todos os mundos.

Nossas tarefas para o próximo ano podem ser:

1 – Criar juntos alternativas livres de comunicação social, para poder deixar para trás Facebook, Twitter, Whatsapp e outras gaiolas imperiais, e podermos nos mover por espaços libertos.

2 – Disseminar informação, análises, documentos verificados e confiáveis, e torná-los acessíveis para todos, até para os mais pobres.

3 – Traduzir rapidamente esses documentos, com cuidado e rigor, para o maior número possível de idiomas.

Estamos em:

Primeiros signatários

Tlaxcala – La Pluma – ProMosaik

http://tlaxcala-int.org http://lapluma.net https://promosaik.blogspot.com/

 

Imagens roubadas e devolvidas

 
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Uma resistente, vinda diretamente da Bolívia : Sandra Cossio, membro da Confederação Nacional de Mulheres Camponesas Autóctones Bartolina Sisa, fala na abertura do Congresso, dia 2/12/2019


Dois comunicadores sociais de 13 anos, numa das oficinas do Congresso

Diosdado Cabello, vice-presidente do PSUV e presidente da Assembleia Nacional Constituinte


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Comunicadora social da
Radio Sardina, rádio comunitária da província de Nueva Sparta, prepara-se para me entrevistar. Queria saber tudo sobre o movimento das 6.000 sardinhas na Itália …

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“Os povos rejeitam o TIAR”: reunião em Caracas, dia 2 de dezembro, contra a reunião naquele dia, em Bogotá, dos 15 ministros do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, assinado pelos países da América Latina com os EUA, depois da 2ª Guerra Mundial e recentemente reativado como máquina de guerra contra a “ditadura de Maduro”. Peru, México, Venezuela, Bolívia, Cuba, Nicarágua e Equador retiraram-se do Tratado. Naquele dia aprovaram-se sanções contra uma longa lista de responsáveis venezuelanos, acusados de todos os crimes possíveis e imagináveis. O Uruguai votou contra e Trinidad et Tobago absteve-se.

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“Ô, minha pátria, tão bela e perdida!”: De todos os monumentos que vi em Caracas, esse foi o que mais emocionou minha alma de velho garibaldino: um modesto busto de Giuseppe Verdi, junto ao Teatro Teresa Carreño, o maior complexo cultural da Venezuela, acabado de construir em 1983. Sob o busto, uma placa diz o essencial: “Va pensiero – Giuseppe Verdi 1813-1901.” Va pensiero [Voa, pensamento], são as primeiras palavras do célebre “Coro dos Escravos”, da ópera Nabucco (1842). Os hebreus escravos na Babilônia foram tomados como uma alegoria dos Lombardo-Venezianos, então sob jugo dos austríacos. O espírito libertário atravessa os séculos e os continentes e sopra hoje sobre as terras bolivarianas.



Jovem mãe bolivariana com seu bebê

 


Militante palestino-venezuelano

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A orquestra anima o encontro no Palácio de Miraflores com Nicolás Maduro, dia 4 de dezembro. 2º à partir da esquerda : tocador de furruco, instrumento de percussão por fricção, típico da gaita zuliana (da Província de Zulia), instrumento originário do Congo e da Andaluzia.

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 Não estamos dormindo: cartaz de apoio ao levante do povo haitiano,
de Valentina Aguirre, da
Comunidade Utopix, coletivo de artistas gráficos venezuelanos.






Courtesy of Tlaxcala
Source: http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=27615
Publication date of original article: 10/12/2019
URL of this page : http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=27718

 

Tags: Congresso Internacional de Comunicação Revolução BolivarianaRepública Bolivariana da Venezuela Armas de construção massivaMatria GrandeAbya Yala
 

 
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