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 13/11/2019 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 ABYA YALA 
ABYA YALA / Argentina: O catapumba neoliberal de Macri, com moratória e inflação monstro!
Date of publication at Tlaxcala: 16/10/2019
Original: Argentina: Il patapùm liberista di Macri con tanto di moratoria e inflazione alle stelle!
Translations available: Français  English  Español 

Argentina: O catapumba neoliberal de Macri, com moratória e inflação monstro!

Achille Lollo

Edited by  Coletivo de tradutores Vila Mandinga

 

Em 23 de agosto, apenas dois meses após o primeiro turno das eleições presidenciais, o ministro das Finanças, Hernán Lacunza e o presidente do Banco Central da Argentina, Guido Sandleris, informaram ao FMI e aos bancos credores que o presidente Macri havia solicitado moratória e cancelara todos os pagamentos a vencer nos próximos seis meses. Mais tarde, em 5 de setembro, o andaime político do liberalismo argentino começou a desmoronar, quando o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) revelou que nos últimos 12 meses a inflação havia subido até 54,4%!

Quino, 1971

Consequentemente, o Catapumba Neoliberal para o  do presidente Mauricio Macri ocorreu em 25 de setembro, quando o INDEC (Instituto Nacional de Estatística e Censos) declarou que nos quatro anos de governo neoliberal – ou seja, de 10 de dezembro de 2015 até 15 de setembro de 2019 –, a inflação sempre estivera fora de controle, com a assustadora taxa de crescimento de 230% nestes últimos quatro anos.  Quer dizer inflação média anual de 37%!

A revelação deixou atônitos a maioria dos argentinos, que só agora se deram conta de que o “maravilhoso programa econômico liberal do governo Macri, elogiado por Donald Trump e pelas excelências de Wall Street”, na verdade era “una trampa”, golpe, negociata, mentira. Nada além de programa de reformas desastrosas que causaram o crescimento desproporcional do desinvestimento industrial, do desemprego e da inflação. De fato, o agravamento da crise econômica na Argentina causou rápido rebaixamento da qualidade de vida e quebrou a reconhecida eficiência dos serviços públicos argentinos. Por essas razões, a gestão negativa das políticas sociais pelo governo Macri e a incapacidade para corrigir os efeitos da crise econômica, tornaram cada vez mais evidente o que no popular bairro Palermo de Buenos Aires chamam de “El Cataplún Neoliberal”. Situação totalmente diferente do contexto socioeconômico do governo de Cristina Fernandez Kirchner que, em 2015, segundo o INDEC e o Banco Mundial, registrara índice de desemprego muito baixo (4,4%) e inflação na órbita de 20%.

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É evidente que a declaração da moratória, a explosão da inflação e as más condições de vida dos trabalhadores e também da maioria da classe média, deveriam pôr fim ao sonho eleitoral de Mauricio Macri. Porém, usei a forma verbal no condicional, porque a contraditória história eleitoral argentina pode ter amargas surpresas, assim como aconteceu em 2015, quando Sergio Massa – importante aliado da Frente de Todos - abandonou a coalizão criada por Cristina Fernandez Kirchner para competir como independente. Decisão que, na verdade, facilitou a vitória de Macri!

A segunda surpresa pode advir da definição dos comportamentos de uma parte do proletariado e, principalmente dos diferentes setores da classe média, totalmente despolitizados e sempre prontos a seguir as orientações eleitorais da mídia. Em particular, me refiro à classe média da capital Buenos Aires, que sempre acreditou nas manipulações do grupo Clarín (jornais, revistas, rádio e TV Canal Trece) e das duas TV concorrentes, a Telefe da multinacional Viacom e a Time -Warner do grupo americano Turner-HBO. De fato, apesar da dramática situação econômica e social, a maioria da mídia continua justificando o trabalho de Macri e do seu governo, os conceitos contraditórios da economia neoliberal e a relação de dependência com os Estados Unidos. Por isso, no primeiro turno das eleições presidenciais, grande parte da classe média ouviu a “voz da mídia”, e votou em Mauricio Macri, que recebeu 32,5% das preferências.

Um resultado que reabre a discussão sobre a complexidade política da sociedade argentina e sobre o posicionamento político dos diferentes setores da classe média. De fato, nos últimos quatro anos, os desajeitados projetos de reforma econômica e monetarista do ministro Hernán Lacunza fizeram sofrer bastante a classe média. Porém, na hora de votar prevaleceu a histórica posição ideológica do obtuso antiperonismo, apenas porque a Frente de Todos, de Cristina Fernández Kirchner, está muito próxima dos trabalhadores e dos sindicatos, representando o novo centro-esquerda argentino, progressista e disposto a dialogar com a esquerda. Elementos que os meios de comunicação exploraram ad hoc, promovendo um autêntico ódio de classe, que nos últimos anos teve crescimento considerável não apenas na Argentina, mas também no Brasil e na Venezuela.

Os motivos da queda ao Catapumba

Hoje, os críticos do programa econômico do governo Macri não relacionados à oposição peronista ou à esquerda, admitem que os erros cometidos por Macri e seu governo não seriam erros políticos, mas, “apenas” erros técnicos, cometidos na esfera financeira pelos ministros que foram substituídos em 2018. Uma justificativa que se tornou o cavalo-de-batalha dos colunistas do jornal Clarim, e das TV Canal Trece e Telefe. Em resposta, a oposição lembra que Macri havia feito sonhar o eleitorado prometendo baixar a inflação de 20% para 8% e até erradicar a pobreza!

No entanto, o principal elemento da queda ao catapumba também político” de Macri foram os contínuos aumentos dos preços, de todos os alimentos, especialmente os mais populares, como leite, legumes, pão, etc. Produtos que nos meses de junho, julho e agosto tiveram aumentos de 58,6%! Por isso, o peronista Alberto Fernandez, candidato da coalizão Frente de Todos venceu o primeiro turno das eleições presidenciais com 47,66% das preferências.

A vitória no primeiro turno de Alberto Fernandez e, portanto, o retorno de Cristina Fernandez Kirchner à Casa Rosada como vice-presidente, enlouqueceu a burguesia e as oligarquias, cujos candidatos foram vencidos ao nível nacional, comprometendo também a eleição de vários governadores. No entanto é oportuno lembrar que a vitória da Frente de Todos foi significativa, especialmente no Distrito Autônomo da capital Buenos Aires, que durante oito anos foi governado por Macri, representando a fórmula vencedora do programa neoliberal.

Neste contexto, é imperativo sublinhar que a imagem política do presidente Macri e sua credibilidade degeneraram sobretudo quando ele solicitou a moratória, anunciando que nada pagaria nos seis meses seguintes. Uma moratória que, para os argentinos, ricos e pobres, faz lembrar os dramáticos meses de 2001, quando eram visíveis os primeiros sinais do iminente “default”, a saber a falência do Estado argentino. Por isso, em setembro, esta correlação de situações fez explodir o valor do dólar paralelo e logicamente o “envio” para os bancos “off-shore” do Uruguai e do Paraguai!

Os críticos da esquerda – ou seja, aqueles que os colunistas da “grande mídia” etiquetam como esquerdistas – agora levantam a questão do empréstimo do FMI de 57 bilhões de dólares, que o governo Macri recebeu e usou para financiar os interesses e a ganância da “raça-patroa”. Exatamente o mesmo que aconteceu no passado durante os governos ditatoriais e depois com os neoliberais. É tese que encontra indiretamente confirmação nas palavras do presidente do Banco Central da Argentina, Guido Sandleris, que questiona o governo Macri lembrando: “... a pouca competência e, portanto, o uso imprudente das reservas monetárias internacionais !...”.  Isto significa que a turma do Cambiemos de Mauricio Macri, na realidade, se apropriou da maior parte dos 57 bilhões de dólares emprestados pelo FMI, como fizeram no passado Menem, Galtieri, Viola, Videla, Ongania, Lanusse, sem esquecer “El Brujo” (O Bruxo), ou seja, José López Rega – o fiel secretário de Perón e ministro de Isabelita -, que com o dinheiro do Tesouro argentino financiou a Triple A, para iniciar o drama da “guerra suja” e dos “desaparecidos “.

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Frente de Todos

Poucos se lembram, e os “gurus da grande imprensa” evitam falar do que aconteceu em 2015 na Argentina e também no Brasil, quando o Departamento de Estado e a CIA do democrata Barak Obama obtiveram nestes países duas importantes vitórias políticas, graças a manipulações jurídicas. De fato, no Brasil, houve o falso Impeachment para depor a presidente Dilma Rousseff, acabar com o governo do PT e levar Lula à prisão com uma condenação escandalosa por corrupção.

Em vez disso, na Argentina, os homens do Departamento de Estado e as antenas da CIA “aconselharam” o juiz federal Claudio Bonadio a instruir seis processos contra a então presidente Cristina Fernández Kirchner, apenas nos últimos seis meses do mandato. Dessa maneira, foi fácil para a mídia desestabilizar a campanha eleitoral, atacando a imagem política de Cristina Fernández Kirchner, fundadora da Frente de Todos, e assim conseguir dividir o eleitorado popular. Manipulação muito bem orquestrada pela mídia, lembrando que os órgãos do grupo editorial Clarín e em particular o Canal Trece tiveram papel decisivo na vitória de Mauricio Macri.

Hoje, a Frente de Todos – depois de ter avaliado os erros cometidos na campanha eleitoral de 2015 e as manipulações da mídia – cresce bastante, tornando-se uma coalizão muito mais organizada e pragmática, que reúne todas as correntes peronistas do Partido Justicialista, a Frente Renovador, de Sergio Massa, os setores radicais que levaram Leopoldo Moreau a formar o Movimento Nacional Alfonsinista , e depois o Partido de la  Concertación de Gustavo Lopez, o Proyecto Sur de Pino Solanas, o Partido Socialista de Buenos Aires, dirigido por Jorge Rivas, o Partido Solidário de Carlos Helles, o  Nuevo Encuentro criado por Martin Sabbatella e outros grupos menores ligados ao movimento popular.

As duas grandes centrais sindicais, a CGT (Confederação Geral do Trabalho) e a CTA (Central de Trabalhadores da Argentina), que representam 70% do movimento sindical argentino, são os grandes aliados da Frente de Todos, que se apresenta aos eleitores como o novo centro-esquerda argentino. Assim, se esta coalizão permanecerá unida e se não repetirá os erros de 2015, a vitória de Alberto Fernández e de Cristina Kirchner será a nova realidade que contribuirá para afrouxar o cabresto geoestratégico que os Estados Unidos, ou melhor o imperialismo estadunidense, conseguiu impor à soberania da Argentina e de muitos países da América Latina.

 

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"Macri,a fuga, 2019", por Serko

 

 





Courtesy of Tlaxcala
Source: http://tlaxcala-int.org/article.asp?reference=27154
Publication date of original article: 07/10/2019
URL of this page : http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=27219

 

Tags: MacrismoMoratória da dívidaInflaçãoFMIFrente de TodosEleições presidenciais Argentina 2019ArgentinaAbya Yala
 

 
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