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 15/10/2019 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 ASIA & OCEANIA 
ASIA & OCEANIA / Hong Kong, Caxemira: um Conto de Duas Ocupações
Date of publication at Tlaxcala: 14/08/2019
Original: Hong Kong, Kashmir: a Tale of Two Occupations
Translations available: Italiano  Français  Español 

Hong Kong, Caxemira: um Conto de Duas Ocupações

Pepe Escobar Пепе Эскобар

Translated by  Coletivo de tradutores Vila Mandinga

 

Leitores de todas as latitudes perguntam-me sobre Hong Kong. Sabem que morei na cidade. E desenvolvi um relacionamento complexo, multifacetado com Hong Kong desde a 1997, quando cobri extensamente a devolução à China. Aqui, se vocês me permitem, prefiro ir direto ao ponto.


Para profundo desgosto dos neoconservadores e imperialistas ‘humanitários’, não haverá ataque sangrento, pelo governo da China contra manifestantes em Hong Kong – nenhuma espécie de Tiananmen 2.0. Por quê? Porque não vale a pena.

Pequim identificou com clareza a provocação de ‘revolução colorida’ ativada nos protestos – com National Endowment for Democracy (NED) ativíssima como espécie de CIA soft, facilitando a disseminação de quinta-colunistas também no serviço público.

Claro que há outros componentes. O fato de os moradores de Hong Kong terem pleno direito de estar zangados com o que é uma oligarquia de fato, um Clube de Magnatas, e que controla cada parafuso, cada engrenagem da economia. O revide local contra “a invasão dos chineses de ‘lá’” [ing. “the invasion of the mainlanders”]. E a incansável guerra cultural de cantoneses x Pequim, norte x sul, província x centro político.

Esses protestos aceleraram, isso sim, a convicção de Pequim, de que Hong Kong não vale a confiança que se ponha nela como nodo chave do projeto chinês de massiva integração/desenvolvimento. Pequim investiu nada menos de $18,8 bilhões para construir a ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, parte da Grande Área da Baía, para integrar Hong Kong à área principal, não para desprezar a cidade.

Agora, um punhado de idiotas úteis já provaram sem margem para dúvida, que não merecem mais qualquer tipo de tratamento preferencial.

A grande história em Hong Kong nem são os protestos selvagens e contraproducentes (imaginem se acontecessem como aconteceram na China, mas na França, onde o exército de Macron está espancando e até matando Coletes Amarelos). A grande história é a podridão que devora o HSBC – que tem todos os traços do novo escândalo do Deutsche Bank.

O HSBC tem $2,6 trilhões em ativos, e uma horda intergaláctica de baratas e ratos no porão – todos perguntando perguntas difíceis sobre lavagem de dinheiro e negócios escusos praticados pelas elites do turbo-capitalismo global.

No final, Hong Kong será deixada para trás, entregue aos seus próprios aparelhos, que a correm por dentro – degradando lentamente até alcançar o status final espetaculoso, como uma Disneylândia Chinesa com verniz ocidental. Xangai já está na trilha para ser elevada à posição de principal centro financeiro da China. E Xenzhen já é o principal centro de alta tecnologia. Hong Kong não passará de lembrança sem importância.

Preparem-se para o revide

Ao mesmo tempo em que a China identificou “Occupy Hong Kong” como mero enredo provocado e instrumentalizado pelo ocidente, a Índia, por sua vez, decidiu-se por um “Occupy Tudo” na Caxemira.

Foi imposto toque de recolher em todo o vale da Caxemira. A Internet foi desligada. Todos os políticos da Caxemira foram cercados e presos. De fato, todos os cidadãos da Caxemira – leais à Índia, nacionalistas, secessionistas, independentistas, apolíticos – foram declarados “O Inimigo”. Bem-vindos à “democracia” indiana sob a Hindutva [aprox. “a hinduidade”, ing. Hinduness] criptofascista.

“Jammu e Caxemira”, como conhecemos, já não existe. São agora duas entidades distintas. Geologicamente espetacular, Ladakh será administrada diretamente por New Delhi. Não há qualquer dúvida que o revide virá. Já começam a surgir comitês de resistência.

Na Caxemira, o revide será ainda maior, porque, no curto prazo, não haverá eleições. New Delhi não deseja esse tipo de incômodo – tipo ter de lidar com representantes legítimos: quer controle total. Ponto final.

Desde o início dos anos 1990s, estive algumas vezes dos dois lados da Caxemira. O lado paquistanês parece mesmo Azad (“Livre”) Caxemira. O lado indiano é completamente, inconfundivelmente, Caxemira Ocupada. A análise que se lê aqui serve perfeitamente como retrato do que significa viver em COÍ (Caxemira Ocupada pela Índia); em ing. IOK (Indian-occupied Kashmir).

Os mínions do Partido Bharatiya Janata (ing. Bharatiya Janata Party, BJP) na Índia gritam que o Paquistão declarou “ilegalmente” o Gilgit-Baltistão – ou Áreas do Norte – área sob administração federal. Nada há de ilegal nisso. Estive a trabalho ano passado no Gilgit-Baltistão, cobrindo a roga do Corredor Econômico China-Paquistão (CECP), ing. China-Pakistan Economic Corridor (CPEC). Ninguém por lá protestava contra qualquer “ilegalidade”.

O Paquistão disse oficialmente que “exercerá todas as opções possíveis para contraditar os passos ilegais [da Índia]” na Caxemira. É formulação extremamente diplomática. Imran Khan não deseja qualquer confrontação – mesmo sabendo perfeitamente bem que Modi está incendiando os fanáticos da Hindutva, tentando transformar uma província de maioria muçulmana, em província de maioria pró-hindus. No longo prazo porém, fatalmente emergirá ali algo – ou guerra de guerrilhas, fragmentada; ou uma frente unida de resistência.

Bem-vindos à Intifada da Caxemira.



Maarten Wolterink





Courtesy of Tlaxcala
Source: https://bit.ly/2KInC9P
Publication date of original article: 07/08/2019
URL of this page : http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=26797

 

Tags: Hong KongChinaCaxemiraÍndiaPaquistão
 

 
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