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 15/10/2019 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 UNIVERSAL ISSUES 
UNIVERSAL ISSUES / Zarif do Irã enlouquece Trump!
Date of publication at Tlaxcala: 04/08/2019
Original: Iran’s Zarif drives Trump to insanity
Translations available: Français 

Zarif do Irã enlouquece Trump!

MK Bhadrakumar

Translated by  Coletivo de tradutores Vila Mandinga

 

O ministro de Relações Exteriores do Irã fala magnífico inglês, sabe esgrimir tuítos e debate e zomba em inglês num à vontade impressionante

Num momento em que o governo Trump conversa até com o secretário do Conselho de Segurança Nacional da Rússia, Nikolai Patrushev, o qual, tecnicamente, está sob sanções dos EUA desde abril de 2018, é importante compreender adequadamente o significado mais profundo do gesto de Washington, que acaba de sancionar o ministro de Relações Exteriores do Irã Mohammad Javad Zarif.

Como o secretário de Estado dos EUA Mike Pompeo tenta explicar o movimento de despachar Zarif pros quintos da perdição? Em declaração na 4ª-feira, Pompeo atribuiu a Zarif os seguintes pecados: a) Zarif “agiu sob ordens do Supremo Líder”; b) Zarif recebeu orientação do Supremo Líder e seu gabinete”; c) Zarif foi “instrumento chave para a implantação de políticas do Aiatolá Khamenei na região e em todo o mundo”; d) e Zarif tem sido “alto funcionário e apologista do regime” do governo iraniano e é “há anos cúmplice dessas atividades malignas.”

Basicamente, os grunhidos de Pompeo resumem-se ao seguinte: Zarif é funcionário público iraniano disciplinado e leal, que respeita o sistema iraniano de governo fundamentado no conceito de velāyat-e faqīh, ou “governo regido por jurista islâmico”.

E quando teria isso virado pecado?! Qualquer ministro de Relações Exteriores faz o que o mandem fazer – também Pompeo. Pompeo não tem nenhuma garantia de que esteja fazendo o seu serviço ao gosto do próprio líder supremo, o presidente Donald Trump. E Trump, verdade seja dita, não perdoa deslealdades. Perguntem a James Mattis ou Rex Tillerson.

Onde está o problema?

O establishment dos EUA sabe muito bem como opera o conceito de velāyat-e faqīh, como se forma a alquimia do poder político no Irã, e como opera o processo de tomada de decisões. Até Trump sabe!

Por isso Trump tentou chegar ao Supremo Líder Ali Khamenei, e foi devidamente despachado. Assim sendo, onde está o problema?

Dito em poucas palavras: o problema é Zarif em pessoa, ele mesmo. O governo Trump está tentando desesperadamente pôr fim aos contatos de Zarif com a elite norte-americana. Zarif viveu e trabalhou durante vários anos nos EUA, desde os 17 anos – como aluno de ginásio, de universidade e diplomata de carreira, e chegou a representante do Irã nos EUA de 2002 a 2007.

Também manteve contato muito próximo com a academia e os círculos intelectuais nos EUA, como professor e editor de periódicos acadêmicos em Teerã e é autor de incontáveis ensaios sobre desarmamento, direitos humanos e Direito Internacional, e conflitos regionais.

Na verdade, o que enlouquece o governo Trump é que Zarif é ator importante de uma vastíssima rede de trabalho com intelectuais norte-americanos, políticos, think-tankistas e gente de mídia – grupo diversificado que reúne Joe Biden, John Kerry, Nancy Pelosi, Chuck Hagel, Nicholas Kristof, Thomas Pickering, James Dobbins e Christiane Amanpour.

Zarif assumiu com seriedade máxima o serviço que lhe coube. Fala magnífico inglês, sabe esgrimir tuítos e debate e zomba em inglês num à vontade impressionante. É ministro que supera em muito toda a equipe norte-americana da política externa e de segurança.

Contatos nos EUA

As visitas de Zarif a New York – ostensivamente para participar de eventos na ONU – cada vez mais se tornaram um pesadelo para o governo Trump, porque é quando Zarif aciona sua rede e faz circular amplamente a narrativa iraniana. Trump não esquece que Zarif teve reuniões com Kerry, o ex-secretário de Estado que negociou o acordo nuclear iraniano de 2015.

Aí está o busílis. Ao impor sanções a Zarif, os EUA passam a poder negar-lhe visto de entrada no país e tornar ilegal – passível de processo legal – qualquer contato dele com cidadãos norte-americanos.

De fato, Trump cuidou de garantir que Zarif não vá a New York de agora até as eleições de novembro de 2020, de modo a impedir que os adversários e críticos da candidatura Trump não ouçam de viva voz a narrativa iraniana.

A evidência de que o Irã está vencendo a guerra de informação enfurece Trump. E muito o preocupa que, de agora até novembro de 2020, a campanha de reeleição seja apanhada em alguma armadilha. Para qualquer observador de longo prazo do impasse EUA-Irã, é óbvio que aconteceu mudança de dimensões oceânicas nos discursos norte-americanos sobre o Irã.

Há um corpo de opinião influente e sempre crescente nos EUA hoje que discorda da estratégia de Trump, de “pressão máxima”. Esse eleitorado argumenta racionalmente que Trump não deveria ter derrubado o acordo nuclear de 2015.

Assim também há hoje compreensão muito mais clara quanto ao Irã e às políticas iranianas, na opinião norte-americana bem informada, que busca melhor equilíbrio para lidar com o nacionalismo persa por trás do verniz do islamismo.

A parte surpreendente é que esse despertar de lucidez aconteceu apesar dos esforços hercúleos do lobby israelense para demonizar o Irã e inflar todas e quaisquer visões contrárias na mídia, nos think-tanks e universidades – e no Capitólio.

Trump não dá bom exemplo

O ardil de Trump funcionará? Pouco provável. O ponto é que é impossível conter Zarif. Ele continuará a forçar, ridicularizar, humilhar e destroçar as políticas de Trump para o Irã. Ainda pior que isso, Zarif já enfiou uma faca no coração da “Equipe B” que comanda as políticas dos EUA para o Irã.

As sanções de Trump contra Zarif não serão bom exemplo para qualquer outro país que tenha relações diplomáticas com o Irã. Porque fato é que Trump terá de lidar com Zarif, goste ou não goste dele.

A melhor via para conter Zarif seria escolher a dedo um secretário de Estado que tivesse recursos intelectuais e dinâmica pessoal. Perfeita mediocridade como Pompeo não tem qualquer chance no confronto com Zarif e perderá todas.

Em 2001, Zarif foi o principal representante na Conferência de Bonn, que reuniu atores regionais logo depois de os EUA terem invadido o Afeganistão e derrubado o governo dos Talibã. Seu contraparte norte-americano naquele evento, James Dobbins – que depois seria nomeado enviado especial de Obama ao Afeganistão – escreveu ensaio memorável, intitulado “Negotiating with Iran: Reflections from Personal Experience” [Negociar com o Irã: Reflexões de Experiência Pessoal], que publicou no Washington Quarterly sobre a erudição, a inteligência e o charme de Zarif – e sobre seu pragmatismo, que ajudou os dois bem apetrechados diplomatas a rascunhar “durante o café da manhã com bolos”, um acordo que levou à substituição do governo da Aliança do Norte em Cabul, por uma acomodação temporária, apoiada pelos EUA, sob comando de Hamid Karzai.

O ex-presidente afegão Burhanuddin Rabbani observou amargurado naquele momento que tinha esperanças de que aquela tivesse sido a última vez em que uma potência estrangeira dava ordens aos afegãos.

Agora, Washington sancionou o homem que teve papel crucialmente decisivo naquela transição em Cabul, que levou à instalação de um regime cliente dos EUA no Hindu Kush. Quanta gratidão!





Courtesy of Tlaxcala
Source: https://www.asiatimes.com/2019/08/article/irans-zarif-drives-trump-to-insanity/
Publication date of original article: 02/08/2019
URL of this page : http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=26716

 

Tags: Sanções EUA contra Javad ZarifEUA-IrãAfeganistão
 

 
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