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 23/01/2019 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 EUROPE 
EUROPE / França-Portugal: “Não basta vestir o colete, para ser Colete Amarelo”
Date of publication at Tlaxcala: 11/01/2019
Original: Francia-Portugal: no es chaleco amarillo el que quiere
Translations available: Français 

França-Portugal: “Não basta vestir o colete, para ser Colete Amarelo”

Luis Casado

Translated by  Coletivo de tradutores Vila Vudu

 

Quem define a agenda? Os Coletes Amarelos. O governo gostaria de falar sobre a reforma das pensões e o aumento da idade para aposentadoria. A extrema-direita gostaria de falar só de imigração. Conversa fiada... Quem impõe os temas são os Coletes Amarelos: poder de compra, distribuição da riqueza criada com o esforço de todos, poder popular, referendo de iniciativa cidadã, revalorização das aposentadorias, imposto sobre grandes fortunas, redução do IVA... Enquanto isso, aparecem aqui e ali uns coletes cor de cocô de ganso... Uma nota de Luis Casado.


A massa de reivindicações adiadas, negligenciadas, ignoradas, desprezadas, descartadas é tal, que os Coletes Amarelos despertam múltiplas e variadas vocações.

Os policiais encarregados de reprimir as manifestações, cansados de trabalhar milhões de horas extras não remuneradas, dos horários impossíveis, de um serviço ingrato e de terem os capacetes apedrejados, ameaçaram mudar de calçada e vestir um colete amarelo. A insurreição policial muito curta, rapidamente apaziguada com aumentos salariais generosos e pagamento de horas extras, foi chamada de “Faróis Azuis”.

Os professores, que durante décadas viram deteriorarem-se as suas condições de trabalho e padeceram reformar inacreditáveis, as quais conseguiram a façanha de arruinar um excelente sistema de educação pública gratuito e secular, anunciaram a criação do movimento “Lápis Vermelhos”.

O terceiro ato dos Coletes Amarelos já contou com a colaboração dos “Coletes Verdes”, movimento ecológico que promove a transição na matriz energética, para pôr fim ao uso indiscriminado de combustíveis fósseis.

Coincidentemente, os prefeitos renunciam às dezenas (há quase 38 mil....). Muitos ameaçam não voltar a se candidatar: após um longo ciclo de descentralização iniciado com Mitterrand em 1981, Macron reduz o financiamento local, deixando os municípios à míngua.

Volta aquela amaldiçoada centralização, cujas origens remontam ao absolutismo monárquico – não aos Jacobinos, como dizem alguns filósofos charlatães –, há mais de três séculos. Esse movimento ainda não tem nome. Proponho então “Écharpes Desbotadas”. O símbolo dos sofredores prefeitos franceses é uma banda tricolor que, graças a Macron, desbota e fica branca, a cor da bandeira monárquica.

À espera do movimento “Trancinhas Cor-de-rosa” ou “Tanga vermelha”, o que já se vê na Europa são cópias daqueles nossos corajosos Coletes Amarelos: apareceram agora os coletes cor de cocô de ganso.

Por exemplo, em Portugal, onde dois militantes dos “Coletes Amarelos” reuniram um punhado de nostálgicos da ditadura de Salazar. Algumas senhoras com cartazes anti-imigrantes, num país cuja diáspora está estimada em 82 milhões de emigrados, para uma população metropolitana de apenas 10 milhões 720 mil pessoas, e pasquins anti-islamistas, num país cuja cultura deve quase tudo a oito séculos de presença árabe. Felizmente, ridículo não mata.

 “Coletes cor de cocô de ganso”, em Lisboa -Foto de Horacio Villalobos (ver o seu relatório fotográfico aqui)

Entre os poucos homens que se veem nas manifestações de Lisboa, há uns velhotes com bonés militares e medalhas que trouxeram das guerras coloniais. Consta que Steven Spielberg vai usá-los para a 20ª versão de “Parque Jurássico”, na qual estes violadores impunes de guineenses, angolanas e moçambicanas serão exibidos no museu dos lagartos gigantes.

Horacio , cuja capacidade para estar no lugar certo é superior à de Cristiano Ronaldo, sempre faz a foto histórica. Dessa vez, imortalizou José Pinto Coelho, presidente do ultradireitista e racista Partido Nacional Renovador, metido num colete amarelo, ele e um guarda-costas. Foi quando um cara por ali o viu e gritou: “Viva a polícia!”

Horacio conta, com os excessos que me cativaram desde a primeira vez que bebemos umas cervejas numa brasserie de Créteil, especializada em cerveja e flammeküchen:

“Os policiais sorriem e param educadamente o trânsito, para que os manifestantes possam caminhar em torno do monumento ao Marquês de Pombal (aquele grande filho da puta! [Maior feladapúta ainda, pelo que fez cá no Brasil, o feladapúta!]), gritando “a rua é nossa”. Na manifestação de 5 de janeiro, havia cerca de 80 coleteiros, contadas as boinas militares. E nós, miseráveis jornalistas que, por não vestirmos o colete e porque todo mundo sabe que a culpa é sempre nossa, não entramos na conta.

“Só faltou o Bacalhau à lagareiro, porque as bandeiras portuguesas (poucas) já estavam ali. A cada volta em torno da praça, uns amarelos aproveitavam para cair fora. E antes que uma dúzia de entusiastas se metessem pela Avenida da Liberdade, o presidente e guarda-costas do Renovador Nacional já haviam partido.”

Os portugueses, sempre gente boa, têm cabeça, e não aderem ao movimento destes micos de direita, racistas e anti-migrantes. Muitos deles – mão-de-obra emigrada – escutavam Amália Rodrigues a cantar “La maison sur le port”na França ou na Alemanha.

 

Ou o magnífico Salvador Sobral triunfando no festival Eurovisión de Kiev 2017 com a sua emocionante “Amar pelos dois”.

 

Nada poderia estar mais distante do fascismo do que um povo que sobreviveu a quase 50 anos de uma das piores ditaduras da história europeia e libertou-se, metendo cravos na boca dos fuzis.

Da Itália, Matteo Salvini, neofascista no poder, imita o Duce, faz-se ares marciais, sacude o tronco e saúda ao estilo nazista. Como seu admirado antecessor, Salvini cacareja sobre “armiamoci e partite” (armêmo-nos e partamos à guerra). Salvini, essa flor de capitão Araya dos Alpes, desde Allende, convoca os coletes amarelos para “resistir e continuar o movimento”. Acho que traduziram mal aquela história de “movimento”.

Os coletes côr de cocô de ganso não têm futuro, apesar do muito que a imprensa francesa os insufla, com o propósito assumido e confesso de desmoralizar a revolução dos cidadãos.

Os franceses não engolem a fórmula de Emmanuel-Joseph Sieyès (1748-1836), um dos artesãos do Consulado e do Império Napoleônico que restauraram a escravidão e eliminaram o voto universal: “O poder vem de cima, e a confiança, de baixo”.

Quando se trata de confiança, os coletes amarelos só confiam neles mesmos. Demagogia é arrimo frouxo. Promessas só iludem quem as ouça. O lema de POLITIKA parece ter-se feito carne, em milhões de cidadãos: “Não ouças o que dizem; olha o que fazem”.

Como já disse no título “Não basta vestir o colete, para ser Colete Amarelo”.

 

 





Courtesy of Tlaxcala
Source: http://www.politika.cl/2019/01/08/no-es-chaleco-amarillo-el-que-quiere/
Publication date of original article: 08/01/2019
URL of this page : http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=25078

 

Tags: Coletes amarelosFascistas portuguesesDoce FrançaPortugal
 

 
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