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 10/12/2018 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 ABYA YALA 
ABYA YALA / Brasil 2018: para além do fascismo
Date of publication at Tlaxcala: 24/11/2018

Brasil 2018: para além do fascismo

Mário Maestri

 

Com a colaboração da linguista Florence Carboni

1. Eleições: “Frente democrática” contra a “Ameaça fascista”

As candidaturas de Jair Bolsonaro e de Fernando Haddad foram apresentadas pela direção do PT como confronto geral entre a civilização e a barbárie, o fascismo e a democracia. Propôs-se a necessidade de campanha eleitoral que reunisse, sem exceções, todos os tidos como democratas, mesmo os mais conservadores, em torno da candidatura do professor. No segundo turno, os partidos de esquerda e centro-esquerda - PSOL, PDT, PSB - abraçaram essa proposta, alguns deles muito formalmente. Para unificar os democratas brasileiros, sem exceções, empreendeu-se campanha sem referência: ao golpe de 2016; à impugnação ilegal da candidatura de Lula da Silva; às malversações da Lava Jato, do STF e da justiça eleitoral; às intervenções golpistas do alto comando do exército. A campanha ignorou ou abordou timidamente as grandes reivindicações e os ataques golpistas aos trabalhadores, aos assalariados e à população.

Haddad e Boulos comportaram-se como se se tratasse de pleito normal, em que candidaturas diversas disputassem o voto da população, e não partida de cartas marcadas em que rufiões organizados depenavam jogadores inocentes.  Sequer houve a exigência de impugnação imediata do pleito quando descoberto o disparo ilegal de milhões de fakes através do whatsapp pela campanha do capitão reformado. Curvando-se como habilidoso contorcionista de circo, Haddad procurou Joaquim Barbosa e elogiou Moro, os carrascos do PT, cravando punhal nas costa de José Dirceu e Lula da Silva, principais alvos das lambanças judiciárias do Mensalão e da Lava Jato. Fora acenos protocolares, nos dois turnos, ninguém avançou a exigência da imediata soltura dos presos políticos petistas. Na esteira do bom são Pedro, Haddad traiu seu mestre, diversas vezes, vergando-se às pressões conservadoras que exigiram sua promessa de não anistiar o líder sindical aprisionado ilegalmente pelo juiz faz de conta que agia contra a candidatura petista às claras, à espera de assumir o ministério que já lhe fora prometido, por debaixo do poncho, por Bolsonaro-Mourão.  

Propôs-se que se tratava de campanha democrática, do bem contra o mal, da democracia contra o fascismo, da cultura contra a incultura, que não podia assustar os “direitistas anti-fascistas”. Haddad, o petista mais psdebista, era o homem certo para a operação. Em campanha constrangedora, de impudicícia atroz, tentou-se seduzir Fernando Henrique Cardoso e Ciro Gomes, sem, como estava escrito nas estrelas, qualquer resultado. O único resultado foi passar certificado de bom democrata ao sinistro sociólogo, que liquidou em favor do grande capital e do imperialismo, a preço de banana, as maiores empresas nacionais brasileiras.  Ciro Gomes, também proposto como cidadão de bem, partiu e voltou da Europa sem piar em favor do gentil professor Haddad. Depois das eleições, seguiu prestando seus serviços ao golpismo, atirando sem parar sobre o petismo. Sem problemas de consciência, literalmente todos os “democratas direitistas” do Brasil apoiaram em forma aberta ou silenciosa o capitão truculento, para melhor esmigalhar o mundo do trabalho e a população nacional, como faz parte da natureza do escorpião. 

Salvando o aparato

Mais do que estratégia eleitoral, o perfil democrático desvertebrado da campanha deu-se segundo as inclinações da direção petista e de Lula da Silva, que desde 2016, procuravam insistentemente acomodar-se ao golpe, “voltar a página”, retornar à vida política normal, mesmo se fosse necessário para tal institucionalizar as violências golpistas. Preocupavam-se sobretudo em salvar o aparelho petista. No que foram vitoriosos. A direção do PSOL seguiu, apenas vociferado mais alto, o mesmo roteiro, interessada em superar as novas exigências golpistas da legislação eleitoral, o que realizou com galhardia. Os trabalhadores e o país foram pelo ralo e o PT fez a primeira bancada federal e quatro governadores. Um energúmeno da direção petista chegou a proclamar que se obtivera uma grande vitória no pleito! Por sua vez, o PSOL fez dez deputados federais - eram cinco -, superou a “barreira eleitoral”, garantindo-se, não sabemos por quanto tempo, as benesses dos “repasses federais” e participação na campanha eleitoral dita gratuita, caso ela siga existindo, etc. PT e PSOL apressaram-se a cumprir o script eleitoral do golpe, reconhecendo a legalidade do pleito farsesco. Haddad chegou ao desplante de desejar “sucesso” a Bolsonaro no governo e Boulos, de dizer que reconhecia as eleições, pois não era o Aécio. [Folhapress, 31/10/2018”] Esquecia que Dilma Roussef ganhara o pleito legítimo, contra ventos e marés, e Bolsonaro surfara a maior farsa eleitoral conhecida até hoje no Brasil. PT e PSOL esperam ser pagos pelo bom comportamento. Parece difícil que o sejam!

Fica aberta a discussão se Bolsonaro foi, desde o início, o candidato do grande capital e sobretudo do imperialismo, ou se foi guindado ao poder, apoiado por facções minoritárias do capital nacional e internacional, quando se materializou a fortíssima rejeição a Geraldo Alckmin.  O certo é que a enorme farsa eleitoral resultou na previsível vitória do candidato do golpismo e da direita unida, no caso Jair Bolsonaro, como teria assegurado o mesmo resultado se os candidatos ungidos fossem o picolé de chuchu do PSDB, ou, até mesmo o Amoêdo que inovou, como prometeu, ao acentuar com circunflexo seu nome paroxítono, como lembrou publicitário rio-grandense!

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Source: http://tlaxcala-int.org/article.asp?reference=24736
Publication date of original article: 24/11/2018
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Tags: BrasilFascismo Século XXIAbya Yala
 

 
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