TLAXCALA تلاكسكالا Τλαξκάλα Тлакскала la red internacional de traductores por la diversidad lingüística le réseau international des traducteurs pour la diversité linguistique the international network of translators for linguistic diversity الشبكة العالمية للمترجمين من اجل التنويع اللغوي das internationale Übersetzernetzwerk für sprachliche Vielfalt a rede internacional de tradutores pela diversidade linguística la rete internazionale di traduttori per la diversità linguistica la xarxa internacional dels traductors per a la diversitat lingüística översättarnas internationella nätverk för språklig mångfald شبکه بین المللی مترجمین خواهان حفظ تنوع گویش το διεθνής δίκτυο των μεταφραστών για τη γλωσσική ποικιλία международная сеть переводчиков языкового разнообразия Aẓeḍḍa n yemsuqqlen i lmend n uṭṭuqqet n yilsawen dilsel çeşitlilik için uluslararası çevirmen ağı

 18/12/2018 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 ASIA & OCEANIA 
ASIA & OCEANIA / Os mísseis S-400 russos não resolvem o dilema geoestratégico da Índia
Date of publication at Tlaxcala: 10/10/2018
Original: S-400s don’t solve India’s geostrategic dilemma

Os mísseis S-400 russos não resolvem o dilema geoestratégico da Índia

Pepe Escobar Пепе Эскобар

Translated by  Coletivo de tradutores Vila Vudu

 

A cúpula de 2018 Índia-Rússia pode ter resultado em encontro histórico, que terá efeitos por eras. As negociações, vistas da superfície, centraram-se na possibilidade de a Índia confirmar ou não a compra de cinco sistemas S-400s russos, de mísseis de defesa, por $5,43 bilhões.

 

 Putin e Modi na Nova Delhi, dia 4 de outubro de 2018. Foto: AFP / Sputnik / Mikhail Metzel

O negócio foi fechado imediatamente depois que o primeiro-ministro Narendra Modi da Índia, e o presidente Vladimir Putin da Rússia, deram por encerrada a conversa em Nova Delhi. As negociações começaram em 2015. Os S-400s serão entregues em 2020.

E agora? Acontece o quê? O governo Trump sanciona a Índia nos termos da Lei de Resposta aos Adversários da América mediante Sanções [ing. Countering America’s Adversaries Through Sanctions Act (CAATSA)?

Ah! Bom seria se esse evento, que muda todo o jogo geopolítico, fosse assim tão simples.

É negócio de compra e vendas de armas que envolve Rússia, Índia... e China – uma trinca, se não a trinca chave dos países (B)RICS e da Organização de Cooperação de Xangai (OCX). A nova realidade é que todos esses estados membros de (B)RICS/OCX são agora capazes de se servir de altamente efetivos sistemas S-400s.

Mas não significa que dois deles – Índia e China – tenham necessariamente de usar S-400s um contra o outro, no caso de ataque unilateral.

Putin foi perfeitamente claro ao destacar que a Rússia vai turbinar a cooperação bilateral a Índia, não só no nível da OCX mas também no nível da ONU e do G20. Modi, por seu lado, reafirmou que ambos os países, Índia e Rússia são a favor de mundo multipolar.

Modi espera que a Rússia ajude a Índia a desenvolver seu programa espacial – que inclui a possibilidade de Nova Delhi enviar astronautas indianos ao espaço em 2022. Diz que a Rússia sempre “se postou ombro a ombro com a Índia no setor de energia e nossas metas.”

“Nossas metas” incluem, crucialmente, Rússia e Índia sincronizadas com vistas a preservar o chamado ‘acordo nuclear iraniano’ (JCPOA). Consequência inevitável é que a Índia não deixará de comprar gás e petróleo iranianos, mesmo que seja ameaçada por sanções norte-americanas.

O governo Trump pode até levantar sanções que haja contra a Índia, se – nos termos da Lei de Autorização para Defesa Nacional [ing. National Defense Authorization Act] – o presidente decidir que Nova Delhi não comprometeu interesses estratégicos dos EUA, ao comprar mísseis russos.

O veredito, claro, permanece absolutamente aberto.

Decida-se, Nova Delhi

No Fórum Comercial Rússia-Índia, o ministro do Desenvolvimento Econômico Maksim Oreshkin afirmou que Índia e Rússia estão decididas a aumentar o comércio e os investimentos até uma “turnover comercial de $30 bilhões (...) com aumento de investimentos até $50 bilhões, em 2025.”

Nova Delhi sugeriu mês passado que se crie uma Zona Econômica Especial, ZEE [ing. special economic zone (SEZ) para negócios com os russos – além de um já discutido “corredor verde” para comércio em menor escala.

Tudo isso se encaixa no quadro de relações tradicionalmente cálidas entre Rússia e Índia. Mas o Grande Quadro é muito mais nuançado, e chama atenção para os pontos mais refinados do equilíbrio estratégico na Eurásia entre os três grandes parceiros (B)RICS/OCX.

Putin e Xi Jinping já decidiram que, em vários fronts, se fundirão as Novas Rotas da Seda, conhecidas como Iniciativa Cinturão e Estrada (ICE) e a União Econômica Eurasiana (UEE).

Com isso, Nova Delhi ficará sem par. A Índia não está alinhada à ICE, e abertamente se opõe a um dos principais projetos da ICE, o Corredor Econômico China-Paquistão (CECP) [ing. China-Pakistan Economic Corridor (CPEC)]. Nada que Pequim não possa resolver, por exemplo quando fizer a sintonia fina da rota do CECP que margeia a Caxemira.

Moscou e Pequim, por seu lado, sabem muito bem que a Índia pode ser usada por Washington como um Cavalo de Tróia para minar a integração da Eurásia.

Prova disso são, dentre outras: o recente Acordo de Compatibilidade e Segurança das Comunicações (ACSC) [ing. Communications Compatibility and Security Agreement (COMCASA) o qual, de fato, converte Nova Delhi em aliado militar dos EUA; o novo status da Índia, como único “grande parceiro de defesa” de Washington; e o papel da Índia no renascimento, no governo Trump, do “Quad” (ao lado de Japão e Austrália), movimento que Pequim interpreta como tentativa para cercar a China no Mar do Sul da China.

O problema é que os hindus ultra nacionalistas no partido BJP de Modi apoia, na verdade o cerco e/o a contenção da China. A jamais explicitada razão chave é econômica. Se a Índia unir-se à ICE chinesa, o partido BJP teme que um massacre de produtos Made in China venha simplesmente a destruir as indústrias domésticas indianas – mais ou menos o que aconteceu a alguns setores industriais do Brasil, dos (B)RICS* e principal parceiro comercial da China na América Latina.

O que Pequim e Moscou querem é que a parceria estratégica ampla que os liga – e a sinergia – façam avançar um processo de integração da Eurásia puxado pela ICE e pela UEE. Não se sabe ainda claramente se essa seria prioridade estratégica também para a Índia.

A prioridade estratégica de Washington é bem clara: dividir para governar, a qualquer custo, o movimento concertado de ICE-UEE-(B)RICS-OCX rumo à integração da Eurásia e à multipolaridade global.

Assim, já fechado o negócio dos S-400s, a bola está realmente no campo de Nova Delhi. Uma muito louvada política oficial de “multialinhamento” ainda deixa sem resposta a questão geoestratégica fundamental: tenderá a Índia na direção do estilo Dividir-e-Governar à moda EUA, ou tenderá a favor de um impulso multipolar de integração da Eurásia.

 

 





Courtesy of Tlaxcala
Source: http://www.atimes.com/article/s-400s-dont-solve-indias-geostrategic-dilemma/
Publication date of original article: 07/10/2018
URL of this page : http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=24276

 

Tags: S-400Índia-RússiaPutin-Modi
 

 
Print this page
Print this page
Send this page
Send this page


 All Tlaxcala pages are protected under Copyleft.