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English  
 UNIVERSAL ISSUES 
UNIVERSAL ISSUES / Neocolonialismo e « crise dos migrantes »
Date of publication at Tlaxcala: 30/06/2018
Original: Neocolonialismo e «crisi dei migranti»
Translations available: Français  English  Español  Türkçe 

Neocolonialismo e « crise dos migrantes »

Manlio Dinucci Μάνλιο Ντινούτσι مانليو دينوتشي

 

Dos EUA à Europa, a “crise dos migrantes” suscita polémicas acesas, internas e internacionais, sobre a política a adoptar a respeito das correntes migratórias. No entanto, essas polémicas são representadas de acordo com um estereótipo que altera a realidade: o dos “países ricos” forçados a sofrer a crescente pressão migratória dos “países pobres".

Esconde-se a causa de fundo: o sistema económico que, no mundo, permite que uma pequena minoria acumule riqueza à custa da crescente maioria, empobrecendo-a e provocando, assim, a emigração forçada.

A respeito dos fluxos migratórios para os EUA, o caso do México é exemplificador. A sua produção agrícola desabou quando, com o TNLC (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio), os EUA e o Canadá inundaram o mercado mexicano com produtos agrícolas baratos graças aos seus subsídios estatais. Milhões de agricultores ficaram sem trabalho, avolumando a força de trabalho recrutada nas ‘maquiladoras’ : milhares de plantações industriais ao longo da fronteira no território mexicano, pertencentes ou controladas principalmente por empresas dos EUA, onde os salários são muito baixos e os direitos sindicais inexistentes. Num país onde cerca de metade da população vive na pobreza, a massa daqueles que procuram entrar nos EUA aumentou. Daí o Muro ao longo da fronteira com o México, iniciado pelo presidente democrata Clinton quando o TNLC entrou em vigor em 1994, continuado pelo republicano Bush, fortalecido pelo democrata Obama, o mesmo muro que o republicano Trump completaria agora em todos os 3000 km de fronteira.

"O petróleo passa, nós não": Francesco Piobbichi, da série "Lampedusa e depois viver". Foto Fausto Giudice

No que concerne os fluxos migratórios para a Europa, o caso da África é típico. Ela é rica em matérias-primas: ouro, platina, diamantes, urânio, coltan, cobre, petróleo, gás natural, madeira preciosa, cacau, café e muitas outras. Estes recursos, explorados pelo antigo colonialismo europeu com métodos de escravidão, são agora explorados pelo neocolonialismo europeu, fomentando elites africanas no poder, mão-de-obra local de baixo custo e controlo dos mercados internos e internacionais. Mais de cem empresas citadas na Bolsa de Valores de Londres, tanto no Reino Unido como noutros lugares, exploram em 37 países da África Subsaariana, recursos minerais num valor superior a 1 bilião de dólares.

A França controla o sistema monetário de 14 antigas colónias africanas através do Franco CFA (originalmente um acrónimo de “Colónias Francesas de África”, reciclado como “Comunidade Financeira Africana”): para manter a paridade com o euro, os 14 países africanos têm de pagar ao Tesouro Francês, metade das suas reservas cambiais. O Estado líbio, que queria criar uma moeda africana autónoma, foi demolido pela guerra, em 2011. Na Costa do Marfim (região CFA), as empresas francesas controlam a maior parte do marketing de cacau, do qual o país é o maior produtor mundial: os pequenos agricultores têm apenas 5% do valor do produto final, tanto que a maioria deles vive na pobreza. Estes são apenas alguns exemplos da exploração neocolonial do continente.

A África, apresentada como dependente de ajuda externa, fornece um pagamento líquido anual de cerca de 58 biliões de dólares ao exterior. As consequências sociais são devastadoras. Na África Subsaariana, cuja população ultrapassa um bilião de habitantes e 60% da mesma é composta por crianças e jovens de 0 aos 24 anos, cerca de dois terços da população, vive na pobreza e, entre estes, cerca de 40% - isto é 400 milhões – vivem em condições de extrema pobreza.

A “crise dos migrantes” é, na realidade, a crise de um sistema económico e social insustentável.





Courtesy of Rede Voltaire
Source: https://ilmanifesto.it/neocolonialismo-e-crisi-dei-migranti/
Publication date of original article: 26/06/2018
URL of this page : http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=23701

 

Tags: MigraçõesNeocolonialismoRelações Norte-sul
 

 
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