TLAXCALA تلاكسكالا Τλαξκάλα Тлакскала la red internacional de traductores por la diversidad lingüística le réseau international des traducteurs pour la diversité linguistique the international network of translators for linguistic diversity الشبكة العالمية للمترجمين من اجل التنويع اللغوي das internationale Übersetzernetzwerk für sprachliche Vielfalt a rede internacional de tradutores pela diversidade linguística la rete internazionale di traduttori per la diversità linguistica la xarxa internacional dels traductors per a la diversitat lingüística översättarnas internationella nätverk för språklig mångfald شبکه بین المللی مترجمین خواهان حفظ تنوع گویش το διεθνής δίκτυο των μεταφραστών για τη γλωσσική ποικιλία международная сеть переводчиков языкового разнообразия Aẓeḍḍa n yemsuqqlen i lmend n uṭṭuqqet n yilsawen dilsel çeşitlilik için uluslararası çevirmen ağı la internacia reto de tradukistoj por la lingva diverso

 16/07/2018 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 EUROPE 
EUROPE / Por que a Europa teme as Novas Rotas da Seda
Date of publication at Tlaxcala: 30/04/2018
Original: Why Europe is afraid of the New Silk Roads

Por que a Europa teme as Novas Rotas da Seda

Pepe Escobar Пепе Эскобар

Translated by  Coletivo de tradutores Vila Vudu

 

Muitos países da UE estão preocupados com o tráfego em  sentido único ao longo das novas rotas comerciais que Pequim está tentando estabelecer para a Europa

Macron e  Xi Jinping,  em Pequim, dia 9 de janeiro de 2018. Foto: AFP / Ludovic Marin

Começou como um escândalo de pequenas proporções – considerando-se o ciclo de noticiário pós-verdade, 24 horas, sete dias por semana. Dos 28 embaixadores de países da União Europeia em Pequim, 27 – única exceção foi a Hungria – assinaram um documento interno em que criticam as Novas Rotas da Seda como ameaça não transparente ao livre comércio, que supostamente favoreceriam conglomerados chineses e a concorrência não equânime.

O documento foi vazado primeiro para o respeitado jornal do empresariado alemão Handelsblatt. Diplomatas da União Europeia em Bruxelas confirmaram para Asia Times a existência do documento. Até que o Ministério de Relações Exteriores da China acalmou a turbulência, dizendo que Bruxelas já explicara tudo.

Na verdade, trata-se de nuances. Quem conheça o quanto a eurocrática Bruxelas é disfuncional sabe que não há política comum da União Europeia para a China – e, por falar disso, a UE tampouco tem política para a Rússia.

O documento interno menciona o quanto a China, pelas Novas Rotas da Seda, ou Iniciativa Cinturão e Estrada (ICE) está "perseguindo objetivos políticos domésticos como a redução do excesso de capacidade, a criação de novos mercados de exportação e salvaguardando o acesso a matérias primas."

Claro que há pensamento chinês e argumentos autoevidentes incorporados na ICE, e desde o início – e Pequim jamais negou que houvesse. Afinal, o próprio conceito foi aventado pela primeira vez dentro do Ministério do Comércio, muito antes do anúncio oficial pelo presidente Xi Jinping em Astana e Jakarta em 2013.

As percepções do que seja a ICE variam conforme quase incontáveis latitudes. A Europa Central e a Europa Oriental são mais entusiasmadas – porque a ICE é sinônimo de projetos de infraestrutura muitíssimo necessários. Grécia e Itália também, como noticiou Asia Times. Portos ao norte, como Hamburg e Rotterdam estão realmente configurados como terminais da ICE. A Espanha está muito interessada nos dias vindouros, quando o trem de carga de Yiwu a Madrid rolará sobre trilhos para alta velocidade.

Na essência, tudo se resume a empresas de algumas nações específicas da União Europeia que querem decidir o próprio grau de integração ao que Raymond Yeung, economista-chefe para a China de Australia and New Zealand Banking Group Limited (ANZ), descreve como "o maior experimento econômico da história moderna."

Atenção a esses engenheiros chineses

O caso da França é emblemático. O presidente Emmanuel Macron – atualmente em ofensiva massiva de Relações Públicas para se autocoroar Rei (não oficial) da Europa – na verdade elogiou a ICE quando visitou a China no início do ano.

Mas, como sempre acontece, a nuança não falta: "Afinal de contas, as antigas Rotas da Seda jamais foram exclusivamente chinesas" – disse Macron em Xian, no Palácio Daming, residência da dinastia Tang, poderoso pilar das Rotas das Sedas por mais de 200 anos. – "Essas rotas", Macron continuou, "não podem ser vias de uma nova hegemonia, que transformaria em vassalos os países pelos quais elas cruzam."

Quer dizer: Macron já se preposicionava para dirigir as relações União Europeia-China noutra direção, para longe e além da preocupação número 1 da União Europeia: o modo como os chineses jogam o jogo de comércio/investimento no exterior.

Macron falou muito a favor de a burocracia da Comissão Europeia endurecer as regras anti-dumping contra as importações chinesas de aço, e para forçar que a União Europeia examine todas as fusões e aquisições em setores estratégicos, principalmente as que tenham a ver com a China.

Paralelamente, virtualmente todas as nações da União Europeia – não só a França – querem maior acesso ao mercado chinês. Macron tenta mostra otimismo e repete o mantra – "A Europa voltou" – em termos de competitividade, que mal encobre o medo primordial de que padece a Europa: a evidência de que é a China que pode estar ficando competitiva demais.

A ICE, para Pequim, tem tudo a ver com geopolítica, mas principalmente com projeção geoeconômica – incluindo a promoção de novos padrões e normas globais que podem não ser exatamente as praticadas pela União Europeia. E isso nos leva ao coração da matéria, que não se lê no relatório interno vazado: a intersecção entre a Iniciativa Cinturão e Estrada e Made in China: 2025.

Pequim está dedicada a se tornar um dos líderes globais no campo da alta tecnologia em menos de sete anos. Made in China: 2025 identificou 10 setores – incluindo Inteligência Artificial, robótica, aeroespaço, carros e navios e estaleiros verdes – como prioritários.

O comércio bilateral China-Alemanha, que ano passado chegou a 187 bilhões de euros, é muito maior que China-França e China-GB, cada um desses em 70 bilhões de euros. E, sim, Berlin está preocupada. Made in China: 2025 representa significativa "ameaça" a empresas alemãs top que produzem bens de alta qualidade.

Tudo isso pode virar passado, se a China compra quantidades estonteantes de maquinário alemão – mais os inevitáveis BMWs e Audis. O novo normal aponta para um exército de companhias chinesas escalando em altíssima velocidade a cadeia do valor agregado.

Como disse à Reuters o presidente executivo da Bauer, Thomas Bauer: "[Rivalidade com a China] não será disputa contra copistas. Será disputa contra engenheiros inovadores."

Navegar a economia azul

O relatório Blue China: Navigating the Maritime Silk Road to Europe [(ing.) China azul: pela Rota Marítima da Seda para a Europa (mapa)] expande, de modo muito útil, o objeto do debate, apontando para como o desenvolvimento da Rota Marítima da Seda pode vir a ser ainda mais crucialmente importante que os corredores de conectividade por terra.

O relatório observa o quanto a Rota Marítima da Seda já afeta a União Europeia em termos de comércio marítimo e construção de navios, e faz algumas perguntas sobre a presença global da Marinha de Libertação Popular. Recomenda que a União Europeia "acompanhe a economia azul da China, como um motor de crescimento e produção de riqueza, e encoraje a inovação, para responder as bem financiadas políticas industriais e de Pesquisa & Desenvolvimento chinesas."

A "economia azul" aparece fortemente em Made in China: 2025 –, especialmente em termos de inovação na infraestrutura de portos e carga/descarga. A ideia central, do ponto de vista de Pequim, é sempre cortar custos no comércio marítimo – mas isso, claro, sempre dependerá de se os preços do petróleo continuarão a subir, como esperam a OPEP e Rússia.

Hoje, a burocracia da União Europeia tem de estar temerosa, sentindo a possibilidade de acabar prensada entre uma China high-tech e "EUA em primeiro lugar", de Trump. E até aí ainda nem se leva em conta o inevitável choque geoestratégico entre a Iniciativa Cinturão e Estrada e o "Indo-Pacífico livre e aberto" a ser administrado, em teoria, por EUA, Japão, Índia e Austrália; mais uma patrulha glamourizada no Mar do Sul da China, que algum vasto projeto de integração econômica da Eurásia.

Em julho acontecerá uma reunião de cúpula União Europeia-China, e adiante, no segundo semestre, uma cúpula Alemanha-China. Voarão faíscas nada transparentes.

 





Courtesy of Tlaxcala
Source: http://www.atimes.com/article/why-europe-is-afraid-of-the-new-silk-roads/
Publication date of original article: 25/04/2018
URL of this page : http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=23292

 

Tags: UE-ChinaNovas Rotas da Seda
 

 
Print this page
Print this page
Send this page
Send this page


 All Tlaxcala pages are protected under Copyleft.