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English  
 ABYA YALA 
ABYA YALA / A prisão de Lula continua o golpe de 2016 "made in USA"
Date of publication at Tlaxcala: 10/04/2018
Original: Brasile: la detenzione di Lula attualizza il golpe “made in USA” del 2016
Translations available: Français  Español 

A prisão de Lula continua o golpe de 2016 "made in USA"

Achille Lollo

 

Depois de um julgamento concluído com uma sentença de 12 anos contra o ex-presidente Inácio Lula da Silva, em que as provas e os testemunhas da defesa foram engavetados pelos juízes do TFR-4 (1). Depois do encobrimento de dois artigos da Constituição pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Carmén Lúcia. Depois das ameaças intervencionistas do Comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, que condicionaram o veredicto da juíza do STF, Rosa Weber. Depois de mais um linchamento midiático, realizado pelas televisões: "TVGLOBO", "SBT", "TVRECORD", os jornais: "Folha de SP", "O Estado de SP", "O Globo" e a revista "Veja”... Às 17h00min de Sexta-feira, 6 de abril, o juiz Sergio Moro assinou o mandado de prisão contra o ex-presidente Lula!

Um mandato que a Polícia Federal de São Paulo não executou para evitar o confronto com os milhares de pessoas que protegiam o ex-presidente, barricado na sede do Sindicato dos Metalúrgico na cidade de São Bernardo do Campo. Então, sábado, às 18h40, depois de falar por mais de uma hora aos milhares de militantes reunidos em frente ao sindicato, o ex-presidente Inácio Lula da Silva entregou-se à Polícia Federal, que o levou na prisão federal de Curitiba.

Logo em seguida o deputado do PT, Wadih Damous, advogado e ex-presidente da OAB-RJ (2) - confirmou que: «... O ex-presidente Lula, antes de se render, reiterou que considera a sentença do TRF4 arbitrária e injusta", considerando uma provocação, o mandado de prisão do juiz Sergio Moro, já que o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) ainda tem que analisar dois fundamentos, enquanto no Supremo Tribunal Federal (STF) duas ADC’s (Ações de Legitimidade Constitucional) apresentadas pelo juiz do STF, Marco Aurélio Mello, permanecem na pauta... ».

Por isso, Wadih ressaltou que os advogados de Lula aguardam uma resposta do presidente do STF, Carmén Lúcia, para que as duas ADC’s do juiz Marco Aurélio Mello, sejam discutidas pelos juízes do STF, na reunião plenária de 11 de abril.

Um dos advogados de Lula, Cristiano Zanin Martins - ao telefone - nós disse: «Se as duas ADC's tivessem sido debatidas antes do julgamento sobre nosso pedido de Habeas Corpus, o resultado teria sido de 6 a 5 em favor de Lula, porque o juiz Rosa Weber, em decisão anterior votou em favor de Lula. Infelizmente, esse juiz, acreditando que as duas ADC’s constitucionais haviam sido rejeitadas pelo presidente do STF, votou contra, apenas em função da solidariedade colegiada. “De fato, se as duas ADC’ serão debatidas pelo plenário dos juízes em 11 de abril, será possível suspender a detenção de Lula e fazer seu registro no Supremo Tribunal Eleitoral (TSE) como candidato do PT nas eleições presidenciais de outubro».

Gilmar Machado

Vedar a candidatura de Lula

Para a burguesia brasileira e logicamente para as excelências da Casa Branca e de Wall Street, a provável candidatura de Lula nas eleições de outubro sempre foi um grande problema, já que os partidos da direita moderada e os que representam os setores mais conservadores não têm um candidato, de âmbito nacional, capaz de contrariar a popularidade de Lula.

Ao mesmo tempo, a direita, com o fracasso econômico do governo de Michel Temer, não tem nenhuma proposta programática para acabar com a desastrosa crise econômica que paralisou o Brasil. Por esta razão, Lula, ex-metalurgico e ex-presidente, além de receber o apoio dos setores populares, que durante os governos do PT receberam inúmeros benefícios, também receberia o voto de uma parte da classe média que, embora não seja "petista", reconhece que Lula é o único que fez reformas sociais verdadeiramente universais.

A pressa do juiz de Curitiba, Sergio Moro, e dos três juízes do TRF-4 de prender Lula, tem outras motivações. De fato, se o ex-presidente permanece livre até os juízes de o TSJ analisar os dois últimos recursos da defesa, Lula pode iniciar a campanha eleitoral do PT e até vencê-la no primeiro turno. Diante disso, o principal instituto de pesquisas do Brasil, "Data Folha", anunciou, em 5 de abril, que Lula tinha 43% das intenções de voto, e que com o passar do tempo elas teriam aumentado, apesar do linchamento da "TV Globo".

É importante lembrar que o regulamento eleitoral estabelece que os juízes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), analisam a validade das candidaturas somente após o fechamento das inscrições, isto é no dia 10 de agosto e tendo tempo para decidir até 17 de setembro. Ou seja, apenas vinte dias antes de 7 de outubro, quando 141 milhões de brasileiros irão às urnas para definir os dois vencedores do primeiro turno.

Afinal, todo mundo sabia que se Lula tivesse começado a campanha eleitoral em 15 de abril, participando dos debates televisionados e radiofônicos e fazendo comícios por todo o Brasil, aos olhos dos eleitores o cenário acusatório montado pelo juiz Sergio Moro inevitavelmente cairia. De fato, o "Data Folha" previu que os 43% iniciais das intenções de voto em favor de Lula poderiam crescer até 65% ou mesmo 70%, como aconteceu em 2006. Então, com 65% das intenções de voto, dificilmente os juízes do TSE ousariam desqualificar a candidatura de Lula invocando um artigo da lei "Ficha Limpa". Por isso, a única solução para bloquear a candidatura de Lula ao nascer, foi de apressar a condenação no TRF-4, para depois confirmá-la no STF, realizando a detenção de Lula antes de seu registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como candidato do PT na eleição presidencial de outubro!

Carlos Latuff

A atualização do golpe institucional de 2016

O presidente do PT, Luis Marinho, ao lado de Lula, no Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo, nós disse: «... Para o PT Lula é e continua sendo nosso candidato! O que eles fizeram contra de nós foi uma perseguição implacável, na tentativa de destruir não apenas Lula, mas todo o partido. Precisamente porque havíamos vencido quatro eleições seguidas e, agora, com a candidatura de Lula, o PT poderia vencer mesmo no primeiro turno. “É por isso que aguardamos e esperamos a finalização dos recursos apresentados pelos advogados, especialmente o debate sobre as duas ADC’s constitucionais, que permitiriam a Lula de participar na campanha eleitoral».

Infelizmente, a "raça patroa" brasileira e as excelências do poder imperialista não querem que Lula dispute a campanha eleitoral, porque, apesar de seus 72 anos, ele è, ainda, o principal líder popular do proletariado, da classe trabalhadora e de uma boa parte dos intelectuais. De fato, Lula é o único líder de esquerda capaz de ganhar a confiança de oitenta milhões de eleitores, especialmente agora que no Brasil a economia está praticamente parada, sofrendo com o retorno da inflação, do desemprego e com o aumento indiscriminado da degradação social e do crime organizado.

De fato, para o senador do Rio de Janeiro, Lindbergh Farias: «A sentença, inicialmente forjada pelo juiz Sergio Moro com uma condenação à nove anos de prisão, foi posteriormente aumentada para doze pelos juízes do TRF-4, para criar uma situação politicamente infamante, necessária para desqualificar aos olhos dos eleitores Lula e o PT! É por isso que a condenação do TRF-4 se tornou o argumento central da ala direita do Parlamento e da mídia na sociedade. Refiro-me em particular à “TV Globo”, que foi a emissora que veiculou ostensivamente o processo manipulado pelo juiz Sergio Moro, com o objetivo de propagar o ódio de classe para com os trabalhadores e os pobres em geral ».

A condenação do TRF-4 e depois a atuação do STF não convenceram os principais jornais do mundo ocidental. O "New York Times", o "Le Monde", passando por "El Pais" e até "Der Spiegel", ficaram surpresos e, em certo sentido, preocupados, com a intervenção verbal do alto comando das Forças Armadas, depois da qual houve a decisão de prender Lula, rasgando os artigos da Constituição de 1988.

De fato, dois dias antes de os juízes do STF se reunirem para analisar o pedido do Habeas Corpus e os dois ADC’s constitucionais, o presidente golpista, Michel Temer, encontrou-se "em privado" com o Comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas. Imediatamente após esta reunião, Villas Boas, na qualidade de Comandante do Exército, enviou na rede um tuíte explosivo, deixando no ar um pesado aviso - claramente dirigido aos juízes do STF - dando também a entender que haveria uma possível intervenção do militar, se por acaso os juízes do STF, absolverem Lula, permitindo-lhe de ser o candidato do PT nas eleições.

 

Na realidade, o tuíte do general Villas Boas foi uma silenciosa declaração de guerra contra o PT e contra o movimento popular, imediatamente apoiada pelos os principais comandantes das regiões militares (3), que se mostraram prontos a intervir com suas tropas. Na prática, com um simples tuíte, o general Villas Boas conseguiu criar um clima virtual de guerra civil que influenciou as decisões dos juízes do STF.

Felizmente, o apelo intervencionista foi logo redimensionado pelo Comandante da Aeronáutica, Nivaldo Luiz Rossato, impedindo, assim, o agravamento da situação. Vale então lembrar que, em 2016, foram os oficiais da Aeronáutica, de guarda no aeroporto de Congonha, que impediram à Polícia Federal de seqüestrar o ex-presidente Lula e de levá-lo algemado até Curitiba, para ser interrogado pelo juiz Sérgio Moro, logicamente na presença das câmeras da "TV Globo"!

Entretanto é preciso dizer que a atualização do golpe de 2016, com a qual o Parlamento e depois o STF sancionaram o Impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, não alcançou os efeitos desejados. De fato, na tarde de sexta-feira e depois no sábado e no domingo, nas 26 capitais dos estados federais, no distrito federal de Brasília - onde fica o governo, os ministérios e o comando nacional das Forças Armadas - e em outras 50 cidades do Brasil, houve grandes manifestações contra a prisão de Lula.

Por exemplo, no Rio de Janeiro, mais de 50.000 pessoas manifestaram durante dois dias, ocupando o centro da cidade. Eventos que, no entanto, devem terminar pacificamente, se o presidente do Supremo Superior Tribunal (STF), Carmén Lúcia, convocará no dia 11 de abril o plenário dos juízes do STF para discutir a validade das duas ADCs constitucionais, apresentadas pelo juiz Marco Aurélio Mello.

Ao mesmo tempo, os líderes das duas frentes populares (4) que apóiam a candidatura de Lula para as eleições de outubro, respectivamente João Pedro Stédile e Guilherme Boulos, continuam mobilizando todos os militantes e os simpatizantes, para realizar protestos em frente das redações regionais da "TV Globo" e dos departamentos da Justiça Federal.

Em alguma localidade, a polícia colidiu com manifestantes, por exemplo, em Curitiba um policial disparou contra uma jovem manifestante. Nas outras cidades do Brasil, a polícia evitou enfrentar os manifestantes, enquanto as unidades do exercito permaneceram nos quartéis. No Rio de Janeiro, onde há um mês o governo federal solicitou a intervenção do exército, os comandantes limitaram a presença das patrulhas armadas, para evitar que possíveis tiroteios pudessem provocar a rebelião popular nas favelas.

As responsabilidades dos EUA

Em dezembro de 2017, em Santiago, Chile, o vice-procurador-geral dos Estados Unidos, Kenneth Blanco, declarou ao jornal "El Clarin": «... A sentença de condenação contra o ex-presidente do Brasil, Inácio Lula da Silva, é o principal exemplo dos resultados extraordinários obtidos pelos juízes brasileiros com a colaboração do Departamento de Justiça (DOJ), na operação chamada "Lava Jato".. ». Mais tarde, durante a conferência “Diálogo Interamericano: as lições do Brasil”, Kenneth Blanco lembrou que: «.. A cooperação entre os magistrados do DOJ e os juízes brasileiros é tão grande, que se desenvolve além dos processos formais previstos nos tratados de cooperação jurídica mútua!»

Parece uma “casualidade”, porém, todos os juízes ou procuradores adjuntos que mantiveram relações com o DOJ de Kenneth Blanco, são também aqueles que, em seus países, investigaram e processaram os líderes dos partidos progressistas! É o caso do mexicano Raúl Cervantes, da panamenha Kenia Porcell e do argentino Claudio Bonaio, que ficou famoso por tentar prender em 2016, pouco antes das eleições, Cristina Fernández Kirchner, na época presidente da Argentina. Sem esquecer que, também o ex-presidente do Paraguai, Francisco Lugo, foi “caçado” com um Impeachment, ainda mais infamante, daquele que retirou do poder Dilma Rousseff. De fato, além de legitimar o Impeachment da oposição parlamentar, os juízes vedaram a candidatura de Lugo nas eleições presidenciais. Sempre por “mera casualidade” aqueles juízes eram ligados ao Departamento de Justiça dos EUA de Kenneth Blanco!

A atividade do DOJ e, portanto, sua ramificação nos países da América Latina não são acidentais. Na realidade, em 28 de junho de 2009, a arma do Impeachment institucional foi usado pela primeira vez em Honduras, para afastar Manuel Zelaya da presidência, considerado pelo Departamento de Estado um "perigoso chavista". E foi justamente com a experiência do Impeachment contra Zelaya, que o Departamento de Estado decidiu substituir o brutal golpe militar com o sofisticado golpe institucional, realizado pelos magistrados e pela mídia ligada à oposição.

Por essa razão, o Wikileaks revelou que, em outubro de 2009, ou seja, três meses após o golpe institucional em Honduras, a Embaixada dos EUA no Brasil –isto é as antenas do FBI, da CIA e do Departamento de Estado - organizou no Rio de Janeiro um curso de treinamento durante o qual foi realizado o seminário "Projeto Pontes: construindo pontes para a aplicação da Lei no Brasil". Este curso contou com a participação de promotores e juízes federais brasileiros, além de 50 agentes especiais da Polícia Federal brasileira. Também estiveram presentes magistrados estrangeiros vindos do México, da Costa Rica, de Panamá, da Argentina, de Uruguai e do Paraguai. Todos eles estão em estreito contato com o DOJ de Kenneth Blanco e aparecem nos relatórios dos funcionários do Departamento de Estado, onde se comentam as investigações contra Cristina Kirchner na Argentina, Fernando Lugo no Paraguai, Jorge Glas no Equador, Dilma Rousseff e Inácio Lula da Silva em Brasil.

Para não ter dúvidas sobre as "casuais ligações” de alguns juízes latino-americanos com o DOJ dos EUA e com o Departamento de Estado, o site "Cartas Campinas" de Glauco Cortez, revelou que: «... em 1998, Sergio Moro e Gisele Lemke, um colega do juiz federal, passaram um mês nos EUA, participando de um programa especial na Harvard Law School. Mais tarde, em 2007, o juiz Sergio Moro freqüentou em Washington, durante três semanas, um curso organizado pelo Departamento de Estado para "líderes em potencial!» 


Vitor Teixeira

Notas

1-TFR-4: o Tribunal Regional Federal da 4ª Região está localizado em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul.

2-OAB-RJ: Ordem dos Advogados do Brasil - Seção do Estado do Rio de Janeiro

3- Os generais abertamente intervencionistas seriam: a) Geraldo Miotto, Chefe de o Comando Militar do Sul, que tem 50.000 soldados; b) José Luiz Dias Freitas, Chefe de o Comando Militar do Ocidente, que coordena a defesa nas fronteiras com a Bolívia e o Paraguai; c) Edson Skora Rosty, Chefe do Estado Maior do Comando Militar da Amazônia; d) Cristiano Pinto Sampaio, Comandante da 16ª Brigada de Infantaria de Selva, conhecida como a "Brigada das Missões", porque é a que realiza as missões militares das Nações Unidas.

4- A "Frente Popular Brasileira" é promovida pelo MST, enquanto a "Frente Um Povo Sem Medo" é promovida pelo MTST

 

 





Courtesy of Tllaxcala
Source: http://contropiano.org/news/internazionale-news/2018/04/08/la-detenzione-di-lula-prosegue-il-golpe-del-2016-made-in-usa-0102660
Publication date of original article: 08/04/2018
URL of this page : http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=23175

 

Tags: LulaLava JatoSergio MoroPTGeral Villas BoasTemerBrasilAbya Yala
 

 
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