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 15/12/2018 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
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 EDITORIALS & OP-EDS 
EDITORIALS & OP-EDS / 29 de novembro: 70 anos de solidão dos Filistinos
Date of publication at Tlaxcala: 29/11/2017
Original: 29 novembre : 70 ans de solitude des Philistins
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29 de novembro: 70 anos de solidão dos Filistinos

TLAXCALA ΤΛΑΞΚΑΛΑ ТЛАКСКАЛА تلاكسكالا 特拉科斯卡拉

 

Tomemos um pequeno país, carregado de história, que chamaremos X. Esse país viu passar, em três milênios, todos os invasores, todos os ocupantes, todos os libertadores possíveis. Todos ou quase todos invocaram alguma entidade imaginária de nomes variados, o que se chama "deus". O império do qual o país X fez parte por mais tempo – digamos Y – controlou X durante 401 anos. Outro império – Z – sucedeu-o por 30 anos. Y não consultou ninguém, nenhuma opinião, para ocupar X, sobretudo não consultou os habitantes de X. Z tampouco, mas Z tinha o apoio de outros semelhantes a ele.

Então teve lugar um evento extraordinário. Uma assembléia de representantes de 53 países, todos estranhos a X e sem qualquer legitimidade para decidir sobre o destino de X votou e aprovou um texto pelo qual X seria rasgado em três partes: uma parte para o povo de X; uma parte para um grupo de colonos vindos de longe e chamados de "povo" – o que aqueles colonos não eram, e que chamaremos de J – e uma terceira parte, considerada como cidade santa, posta sob tutela internacional.

70 anos mais tarde, X continua a ser o mais estranho dos países da Terra.Dividido em três pedaços, um grande, um médio e um pequeno. O primeiro pedaço é total e unicamente controlado pelo Estado J; o segundo, quase totalmente e indiretamente pelo mesmo Estado J; e o terceiro pedaço é o maior campo de concentração a céu aberto do mundo, administrado com dificuldade por um arremedo de Estado dos nativos de X.

Todos compreenderam, esse país X é a Filistina, essa terra dos filistinos, convertida em Palestina pelo viés do idioma dos ocupantes romanos, o latim. Y, é o defunto Império Otomano; e Z, o Império britânico, esse monstro no qual o sol nunca se punha. E J é o que se conhece como Israel, Estado judeu ou assim autodeclarado. Dia 29 de novembro de 1947, 33 dos 53 países então representados na ONU votaram e aprovaram a Resolução n. 181, que decidiu pura e simplesmente dividir a Palestina, em um Estado judeu, um Estado árabe e uma quase capital, Jerusalém, sob tutela internacional. 70 anos e uma dezena de guerras depois, um único ponto daquela Resolução entrou em vigor: o Estado judeu foi criado.

Durante esses 70 anos, como durante os 30 anos anteriores, os filistinos conheceram todas as formas de opressão que um grupo humano minoritário pode exercer sobre um grupo humano majoritário. Consequentemente, conheceram todas as formas de resistência e de luta que humanos podem inventar e tentar, do protesto pacífico mais inofensivo, à forma de violência mais desesperada, passando pela luta armada clandestina, a revolta semiarmada de massa, sem esquecer o recurso à fala, à expressão artística, à diplomacia, à greve e ao boicote. Até o presente, todas essas formas fracassaram.

Contudo, o povo de X continua,  vive, pensa, ama, morre, renasce. Filistina, espelho do mundo, é parte do patrimônio da humanidade. Continua a nos surpreender. Continua a nos ensinar a sobreviver, para todos e contra todos, sejamos quem fomos, onde estivermos, nesse mundo sempre mais estreito.

http://tlaxcala-int.org/upload/gal_17505.jpg

 





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Publication date of original article: 29/11/2017
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Tags: Resolução 181Plano ONU partilha Palestina Palestina/Israel
 

 
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