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 13/12/2017 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 UMMA 
UMMA / Curdistão Iraquiano: mosca para as aranhas regionais Turquia, Iraque, Irã
Date of publication at Tlaxcala: 07/10/2017
Original: Iraqi Kurdistan the fly to regional spiders Turkey, Iraq, Iran

Curdistão Iraquiano: mosca para as aranhas regionais Turquia, Iraque, Irã

Pepe Escobar Пепе Эскобар

Translated by  Coletivo de tradutores Vila Vudu

 

O presidente Recep Tayyip Erdogan da Turquia acaba de visitar Teerã e reuniu-se com o presidente Hassan Rouhani e com o Supremo Líder Aiatolá Khamenei.

Turkish President Tayyip Erdogan is seen with his Iranian counterpart Hassan Rouhani during a joint news conference in Tehran, Iran, on October 4, 2017. Photo: Murat Cetinmuhurdar / Presidential Palace/ Handout via Reuters

Presidente Tayyip Erdogan da Turquia, ao lado de seu contraparte iraniano Hassan Rouhani durante conferência conjunta de imprensa em Teerã, 4/10/2017. Foto: Murat Cetinmuhurdar / Palácio Presidencial (via Reuters)

É movimento geopolítico de alta importância, por todos os ângulos que se examine. Irã e Turquia são ambos parte das conversações de Astana que visam a concluir de vez a guerra na Síria. Os dois países são vistos por Pequim como nodos chaves da Iniciativa Cinturão e Estrada (ICE). Os dois são observadores – e em breve serão membros plenos – da Organização de Cooperação de Xangai (OCX). Os dois podem em breve ser incorporados ao conceito BRICS-Plus [deve-se dizer RICS-Plus, porque o Brasil, sob golpe de estado, não tem governo confiável para acordos]. E Irã e Turquia são dois nodos chaves na integração da Eurásia.

Inevitavelmente, contudo, a reunião foi eclipsada pelo referendum do dia 25 de setembro, convocado pelo Governo Regional Curdo (GRC) no Iraque.

Na conferência de imprensa, lado a lado, Erdogan-Rouhani pareceram estar em perfeita sintonia.

Erdogan: "Nenhum país, exceto Israel, reconheceu [o referendum]. Referendum realizado com o Mossad sentado ao lado não tem legitimidade."

Rouhani: "Turquia, Irã e Iraque não têm escolha que não seja tomar medidas sérias e necessárias para proteger seus objetivos estratégicos na região. E é preciso compensar as decisões erradas tomadas por alguns líderes nessa região."

Será isso? Não. Como em Twin Peaks: "as corujas não são o que parecem". Jogo de sombras em pleno andamento.

Caia fora. Nada para ver aqui

Primeiro de tudo, há o Iraque, ameaçado de amputação. O primeiro-ministro Haider al-Abadi Abadi não tem dúvida e diz a quem queira ouviu que o esperto capo tribal nunca eleito do GRC Masoud Barzani vai fazer gorar o referendum. Barzani, por sua vez, diz que a ânsia de independência sempre perdurará e é assunto a ser negociado com Bagdá.

Histeria à parte, não haverá qualquer invasão iraquiana. No pé em que estão as coisas, o cenário realista de pior dos casos é funcionários da alfândega do Iraque plantados nas fronteiras do GRC com os dois países, Turquia e Irã. Quanto à possiblidade de o GRC anular o referendum em Kirkuk, província rica em petróleo, que os curdos de fato anexaram, exigiria diplomacia interestelar.

Ainda assim, no caso ultra extremo de Bagdá ser forçada a intervir para recuperar Kirkuk, pode agora contar com o possível apoio do Corpo dos Guardas Revolucionários Iranianos (ing. IRGC).

Bagdá desconfia seriamente que o referendum jamais aconteceria sem luz verde de Washington. Afinal, a balcanização é proposta extremamente sedutora para grande parte do estado profundo nos EUA.

Iraqi Kurdish president Masoud Barzani speaks during a news conference in Erbil, Iraq, on September 24, 2017. Photo: Reuters / Azad Lashkari

Masoud Barzani em conferência de imprensa dia 24 de setembro. Foto Azad Lashkari/Reuters


O jogo de Washington é muito escorregadio. O governo Trump, via o secretário Tillerson, declarou oficialmente "ilegítimo" o referendum. A razão principal, nunca declarada, porém, é que o referendum parece fortalecer (e fortalece, necessariamente) o Irã, novo membro do eixo do mal.

Barzani, enquanto isso, não parece interessado em desaparecer tão cedo – ou em morrer, como seu rival Jalal Talabani. Assim sendo, o que fazer?

Comecemos pelo Irã. Teerã é aliada histórica dos curdos iraquianos. Jogo duro, portanto, é não-não, mesmo considerando que os curdos do Irã – que hoje absolutamente não são separatistas como o GRC – podem começar a ter ideias.

Como Asia Times foi informada, houve uma reunião crucial semana passada da comissão de segurança nacional e política externa do Parlamento do Irã, da qual participou Ali Shamkhani, secretário do poderoso Supremo Conselho de Segurança Nacional (ing. SNSC). Na agenda: não reconhecer o referendum; preocupações com a integridade territorial do Iraque; o pesadelo de a Peshmerga curda iraniana ser instrumentalizada pela CIA.

Atualmente, o Governo Regional Curdo está em total confusão. Não há Parlamente operante e, dos políticos hoje no poder, nenhum foi eleito. Teerã está preocupado com que, no contexto desse vácuo, a serventia do GRC como Cavalo de Troia pode ser aprofundada e ampliada por uma aliança EUA-Israel-Casa de Saud.

Mesmo assim, a última coisa de que Teerã necessita é mais outra guerra, com o efeito colateral não desejado de destruir as boas relações de hoje com seu aliado regional curdo, a União Patriótica do Curdistão [ing. Patriotic Union of Curdistão (PUK)].

A posição oficial do Ministério de Relações Exteriores do Irã é que, desde que a coisa fique limitada a um referendum simbólico – sem qualquer movimento prático na direção da independência –, Teerã pode suportar.

As aranhas combaterão umas contra as outras?

A intersecção de Irã e Turquia também se amplia. Na reunião deles frente à frente, o Supremo Líder Khamenei enfatizou a relevância de melhores relações econômicas, enquanto Erdogan enfatizava a necessidade de uma aliança política forte Irã-Turquia. O quanto se pode confiar em que o hiper volátil Erdogan vá manter a palavra é questão em aberto.

E isso nos leva de volta à questão dos curdos sírios. E de o que a Turquia pode estar querendo fazer nos dois países, Síria e Iraque.

Teerã e Ankara têm-se mantido em campos obcecadamente opostos durante os seis anos de guerra na Síria, e só convergem, digamos assim, nas negociações de Astana, de desconflitação, promovidas por Moscou.

Teerã é parte dos "4+1" (Rússia, Síria, Irã, Iraque, plus Hezbollah) que apoiam integralmente as milícias xiitas na Síria (assim como as Unidades de Mobilização Popular [ing. Popular Mobilization Units, PMUs], no Iraque). A Turquia foi aliada de ambos, Qatar e Arábia Saudita, e completamente engajada em manter abertas sua fronteiras para os jihadistas da Frente al-Nusra (al-Qaeda) e do Estado Islâmico, vista como instrumental para a mudança de regime em Damasco.

Turkish President Tayyip Erdogan and Russian President Vladimir Putin meet at the Presidential Palace in Ankara, Turkey September 28, 2017. Sputnik/Mikhail Klimentyev/Kremlin via REUTERS

Erdogan e Putin no Palacio presidencial em Ankara, dia 28 de setembro. Foto Mikhail Klimentyev, Sputnik / Kremlin via Reuters

Por outro lado, é fácil esquecer que mesmo quando Ankara denunciava Teerã como "estado patrocinador de terrorismo", no auge da guerra na Síria, os dois países mantiveram suas relações diplomáticas. Ainda mais importante, a libertação de Aleppo pelo Exército Árabe Sírio (EAS) só aconteceu, com a relativa rapidez que se viu, porque Ankara ordenou que seu 'representantes' em solo recuassem.

Ankara foi forçada a aceitar que Moscou dirija o show na Síria. Assim como os turcos podem discordar do enviado especial do presidente Putin à Síria, Alexander Lavrentiev (não será tolerado nenhum Exército Nacional Sírio "rebelde moderado"), o primeiro-ministro turco Binali Yildirim admitiu publicamente que Moscou, Teerã e Ankara estão envolvidas conjuntamente na operação de demarcar nova zona de desescalada na cidade crucial de Afrin. Com isso, torna-se mais difícil para os curdos sírios promover sua agenda de independência – algo que serve muito bem aos interesses de Ankara.

Quanto ao Iraque, é virtualmente certo que Ankara não imporá sanções econômicas sérias a Erbil. Só ladram, não mordem.

Assim sendo, no pé em que estão as coisas, temos Bagdá, Teerã e Ankara razoavelmente alinhadas – não só na Síria mas também no Iraque. Por quanto tempo as coisas perdurarão como estão no ninho da aranha regional, ninguém sabe.

 





Courtesy of Tlaxcala
Source: http://www.atimes.com/article/iraqi-kurdistan-fly-regional-spiders-turkey-iraq-iran/
Publication date of original article: 06/10/2017
URL of this page : http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=21728

 

Tags: Curdistão IraquianoIraqueIrãTurquiaRússiaMasoud Barzani
 

 
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