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 18/10/2017 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 UMMA 
UMMA / Onda de nacionalismo saudita, contra interesses dos EUA
Date of publication at Tlaxcala: 27/06/2017
Original: Surge of Saudi nationalism hurts US interests

Onda de nacionalismo saudita, contra interesses dos EUA

MK Bhadrakumar

Translated by  Coletivo de tradutores Vila Vudu

 

Ler folhas de chá na política saudita é missão arriscada. O que torna muito intrigante o júbilo em Moscou ante a nomeação de Mohammed bin Salman como príncipe coroado da Arábia Saudita.

O príncipe coroado que o rei Salman descartou, Mohammed bin Nayef, foi ministro do Interior da Arábia Saudita ininterruptamente desde 2012 e tem anos de experiência no serviço de inteligência. MbN costumava ser visto como o elemento mais pró-EUA na liderança saudita. Em fevereiro, Mike Pompeo fez sua primeira viagem internacional como chefe da CIA a Riad, para entregar a Medalha George Tenet a MbN, como reconhecimento por seu "excelente desempenho na Inteligência, no domínio do contraterrorismo, e sua inestimável contribuição para a segurança e a paz no mundo". (Al Jazeera)

Agora, passados apenas três meses, o rei Salman descartou MbN e substituiu-o pelo filho em quem mais confia. Estranho, não?

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salarosh



A agência de notícias estatal russa TASS distribuiu matéria poucas horas depois da nomeação de MbS, citando opinião de especialista, segundo o qual o novo príncipe coroado pode estar "pronto a fazer concessões em complexas questões regionais – crises na Síria e no Iêmen." A matéria da TASS elogiava MbS, sua "ampla visão política, ao construir diálogo baseado na verdade com autoridades russas, especialmente o presidente Vladimir Putin", que levou as relações russo-sauditas a "alto nível, sem precedentes em anos recentes", o que por sua vez levou a uma parceria que "abre a porta para solucionar conflitos no Oriente Médio."

Na verdade, MbS é figura conhecida no Kremlin. Esteve quatro vezes na Rússia nos últimos dois anos, sempre para reuniões com Putin. Analista de Moscou, da agência russa de notícias Sputnik, escreveu na 4ª-feira:

O fato de Mohammed bin Salman estar a caminho de assumir o trono saudita – desde, claro, que nenhum evento tipo "cisne negro" o afaste antes dessa posição – é notícia excepcionalmente boa para Rússia e China, por causa das relações muito produtivas de trabalho que cada um desses países construiu com o novo príncipe coroado (...) [esses países] compreendem o quanto ele está bem posicionado para ser personagem transformador (...) Rússia e China contam com ver seus próprios interesses promovidos, se Mohammed bin Salman vier a ser o rei da Arábia Saudita.

O que explicaria tais expectativas? A resposta curta é – petróleo. A cooperação sauditas-russos no campo da energia causou transformação fenomenal na relação entre os dois países. A decisão da OPEP, de reduzir a produção de petróleo foi iniciativa conjunta de russos e sauditas, com o objetivo de equilibrar oferta e demanda no mercado de petróleo, para estabilizar os preços em torno de $50 o barril.

Mas então, essa congruência de interesses também significa oposição aos EUA, cujo perfil como exportador de energia cresce rapidamente. A indústria do petróleo de xisto dos EUA está em posição de aumentar a produção e alavancar o preço do petróleo, criando excesso de oferta. Assim sendo, Arábia Saudita e Rússia contam com fortalecer o cartel do petróleo. E não se pode descartar a possibilidade de a Rússia tornar-se membro da OPEP. Essa estratégia de cooperação no petróleo pode assumir dimensões estratégicas se for possível integrar a OPEP e o Fórum dos Países Exportadores de Gás, com o objetivo de ciar um mega cartel com potencial para bloquear a papel dos EUA, sempre conflitivo, no mercado mundial.

É um jogo de apostas altas, considerando o contexto complexo da proposta privatização da Arabian-American Oil Company, Aramco, a estatal saudita do petróleo e maior empresa do mundo no setor, esperada para o próximo ano. MbS espera que a abertura do capital da Aramco seja a primeira injeção de capital num fundo soberano que possa servir para lançar seu ambicioso projeto conhecido como "Visão 2030", projeto de desenvolvimento de longo prazo mediante o qual ele espera converter a Arábia Saudita em economia diversificada e eficiente, e modernizar o país.

Não surpreende que a avaliação que MbS faz do que lhe possa render a privatização da Aramco, cerca de $2 trilhões, esteja sendo contestada por especialistas ocidentais. Matéria da Reuters na 5ª-feira estimava que se o preço do petróleo ficar onde está hoje, em torno de $50 o barril, a Aramco não valerá mais de $1,1 trilhão. Evidentemente, a pressão ocidental aumenta na direção de manter baixo o preço do petróleo, para que MbS tenha de vender ações da Aramco a preço mais baixo.

Enquanto isso, o governo Trump providencia para garantir o lançamento das ações da Aramco, a maior da história, para a bolsa de valores de New York. Mas a Arábia Saudita não dá sinais de concordar, porque desconfia das leis norte-americanas que permitem que vítimas dos ataques do 11/9 processem o governo saudita. Feitas as contas, a autonomia estratégica da Arábia Saudita (leia-se "de MbS") está sob grave desafio. (Leiam em Oil Price artigo intitulado "Por que Arábia Saudita quer desesperadamente aumentar o preço do petróleo?")

Tudo isso considerado, muitos estranharão que o Departamento de Estado dos EUA tenha optado por distribuir por iniciativa sua uma declaração na 3ª-feira, coincidindo com o decreto real que fez de MbS novo príncipe coroado, que respinga sobre a posição saudita no impasse com o Qatar (o qual, claro, tem o imprimatur de MbS.) A porta-voz do Departamento de Estado Heather Nauert sugeriu que os EUA teriam "de assumir alguma espécie de papel formal de mediação" e fez inesperada referência direta ao envolvimento da Arábia Saudita com terrorismo, no passado – "seja financiando o terror ou por outros meios" – e que não teria combatido suficientemente o terrorismo.

Os analistas russos entendem que, dado o movimento de MbS, que gravita na direção da multipolaridade na política do petróleo, ele enfrentará furiosa oposição na sucessão de seu pai. Controlar o mercado mundial de petróleo foi tema estratégico da Guerra Fria e não deixaria de ser numa nova Guerra Fria.

Quanto aos estrategistas norte-americanos, eles mantêm desde meados dos anos quarenta que conservar o "controle substancial sobre o mundo" mediante o controle sobre o petróleo do Oriente Médio seria "um dos maiores prêmios materiais da história mundial" – nas palavras de um memorando de 1945, do Departamento de Estado para o presidente Harry Truman.

Dito de modo mais simples: a última coisa que Washington quer é que o nacionalismo saudita cresça, no momento em que ainda trabalha para ataque 'matador' na privatização da Aramco. Problema aí é que a Aramco é um estado dentro do estado da Arábia Saudita.

 





Courtesy of Tlaxcala
Source: http://blogs.rediff.com/mkbhadrakumar/2017/06/24/surge-of-saudi-nationalism-hurts-us-interests/
Publication date of original article: 24/06/2017
URL of this page : http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=20841

 

Tags: Mohammed bin SalmanMohammed bin NayefPrincipes coroadosArabia saudita
 

 
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