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 26/05/2017 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 EUROPE 
EUROPE / Não tem sentido opor entre eles os diversos soberanismos
Jacques Sapir responde a Eric Zemmour
Date of publication at Tlaxcala: 18/05/2017
Original: Souverainismes: Jacques Sapir répond à Eric Zemmour
Translations available: Español 

Não tem sentido opor entre eles os diversos soberanismos
Jacques Sapir responde a Eric Zemmour

Jacques Sapir Жак Сапир

Translated by  Coletivo de tradutores Vila Vudu

 

Eric Zemmour acaba de publicar em Le Figaro Magazine de 12 de maio, sua análise da eleição presidencial. É análise simplista, mas é direito dele. Põe em discussão o que escrevi, mas sem cair no balde, melhor dizendo, na banheira em que se afogou um artigo do Monde – com sugestões antissemitas, como alguém já observou – publicado pouco antes do primeiro turno.

Vamos aos fatos. Sou acusado de "gerenciar o cérebro de Florian Philippot". Mas, que diabo?! MmeEric Zemmour Bacqué acusou-me de gerenciar o cérebro de Vladimir Putin. É demais para um só homem. Além de ser bem pouco lisonjeiro para os senhores Putin e Philippot, cuja autonomia intelectual é negada, não é verdade e nem pode ser levado a sério. É como se o hábito de participar de incontáveis "talk-shows" já estivesse tendo efeitos danosos sobre Eric Zemmour, como o vício de preferir a frase feita, para se 'fixar' na cabeça do telespectador, à análise mais aprofundada. E já me manifestei sobre a questão da laicidade e as questões dos "signos religiosos", tanto na grande imprensa como em outros espaços.

Eric Zemmour prefere a fórmula à substância, mas, pior que isso, parou de ler. O que é péssimo. Já há anos ampliei minha análise dos problemas da soberania, de questões econômicas – e assim também da questão do euro – e das questões políticas e filosóficas. No fundo, a tese defendida por Eric Zemmour não é novidade: escolher um soberanismo dito "identitário" contra um soberanismo social. Mas essa oposição e respectiva escolha prende o soberanismo à margem e fora da política francesa.

As três correntes do soberanismo

O soberanismo é atravessado claramente, de fato, não por duas correntes, como assinalou Alexandre Devecchio, mas por três correntes.

A primeira é o soberanismo social. Enraíza-se na constatação de que todo progresso social implica que a comunidade nacional seja soberana, que não pode haver progresso social sem uma economia voltada para o maior número de pessoas, não para fazer crescer a riqueza dos mais ricos. Devecchio analisa o atual estado de fato como produto das regras da mundialização e da globalização financeira,* daí que a moeda única, o euro, seja o ponto de articulação no seio da União Europeia. Por isso ataca esse estado de fato e exige "em nome do povo" e mais exatamente em nome dos trabalhadores que onde o emprego lhes tenha sido tirado, o emprego lhes seja devolvido, e a volta a uma soberania monetária inscreve-se no retorno global a uma soberania política.

A segunda corrente é o soberanismo político. As raízes, aí, vão até as regiões mais profundas da história da França. A preocupação nesse caso é com o Estado soberano como representante do povo (desde 1789). Essa corrente analisa a construção da União Europeia não como processo de delegação de soberania, mas como processo de cessão de soberania: a soberania nesse caso não seria delegada a outrem, mas cedida. Ora, soberania não é algo que possa ser cedida. E daí se deduz a natureza profundamente antidemocrática do processo europeu. Observa-se que essa natureza profundamente antidemocrática revelou-se no tratamento que as instituições da União Europeia e da Eurozona reservaram à Grécia. Esse soberanismo político, que Philippe Seguin ou Marie-France Garaud encarnaram, manifestou-se com força na Grã-Bretanha com o referendo que confirmou o Brexit. Esse soberanismo político é logicamente aliado do soberanismo social.

A terceira corrente prega o que se pode chamar de um soberanismo identitário. Partindo de uma reação espontânea nos casos em que a cultura seja posta em causa, seja na dimensão "cultural", em sentido vulgar, seja nas dimensões política e de culto, é corrente ao mesmo tempo muito vivaz e muito forte, mas também menos bem menos construída que as duas primeiras. Pode derivar na direção de teses xenófobas, até racistas. Mas põe-se questões que são as mesmas do soberanismo político.

Reunidos, os soberanistas são a maioria

Fazer oposição às demais correntes e optar pela temática identitária, equivale a descartar o que o soberanismo contém de realmente crítico contra o sistema. Porque o soberanismo identitário não é absolutamente incompatível com a ordem das coisas como as temos hoje, com a União Europeia e com o neoliberalismo. O soberanismo social e o soberanismo políticos, por sua vez, trazem uma crítica radical àquela mesma ordem de coisas. É quando se vê revelado, claramente, o jogo conservador, seja ideologicamente seja politicamente.

Nas grandes manobras que se anunciam para o desmonte da Frente Nacional [de Marine Le Pen], muitos sonham com fazer a FN voltar à posição de supletiva da direita tradicional. Esse é exatamente o sonho dourado de Macron: que a Frente Nacional devolvida à velha linha identitária esterilize uma parte das vozes da direita, o que deixará o campo politicamente livre para que ele, Macron, cuide de recompor à sua moda, a direita. O que Eric Zemmour acaba de fazer foi, conscientemente ou não, acrescentar sua contribuição à empreitada de Macron.

Macron precisa de uma Frente Nacional que volte a ser a própria caricatura dela mesma, para dar credibilidade ao golpe-armadilha da demonização na qual já conseguiu apanhar os franceses, nas eleições. Ou europeístas desejam empenhadamente, é claro, qualquer tipo de transformação que torne perenes as divisões e rachas entre os soberanistas.

Porque o que mais temem, acima de tudo, os apoiadores de Macron – que são menos de ¼ dos franceses (24%) – é que os soberanistas venham a tomar consciência de que são a maioria.

Somados, os soberanistas obtiveram explicitamente mais de 47% dos votos no primeiro turno da eleição presidencial. Votaram a favor de posições muito claras e coerentes. E se Marine le Pen errou, foi com certeza ao abandonar essa coerência: seja quanto à idade para aposentadoria ou seja de oposição ao euro, na véspera do 2º turno –, para ceder a uma inútil agressividade verbal quando do debate pela TV, que pôs a perder todo o longo trabalho até ali bem-sucedido, de desdemonização.

NTs

* Orig. des règles de la mondialisation et de la globalisation financière . Os franceses usam com cuidado cirúrgico as palavras "mundialização" e "globalização". Fazem bem!

 

 





Courtesy of Tlaxcala
Source: http://www.causeur.fr/eric-zemmour-jacques-sapir-souverainisme-44374.html
Publication date of original article: 16/05/2017
URL of this page : http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=20517

 

Tags: SoberanismosMacrôniaFrançaUEropaJacques SapirEric Zemmour
 

 
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